O Capixaba anunciou na última sexta-feira (12) a demissão de João Carlos Moura. O técnico português deixou o comando da equipe após menos de um mês no cargo. Inicialmente, o clube atribuiu a saída à “falta de resultados” na pré-temporada, mas posteriormente mencionou “motivos pessoais” do treinador. Em entrevista exclusiva ao portal Globo Esporte, o treinador relatou que pediu demissão.
João Carlos Moura acusa presidente de interferir nas escalações
João Carlos Moura, no entanto, apresentou outra versão sobre o ocorrido. O técnico acusou o presidente Daniel Costa de interferir diretamente em escalações e convocações. Segundo Moura, o dirigente exigiu a inclusão de jogadores específicos em amistosos contra Vilavelhense e Democrata. Além disso, o treinador apontou irregularidades trabalhistas.
“Esta semana, contra o Vilavelhense, ele (Daniel Costa) discordou de uma escalação que eu tinha feito e alterou a convocatória. Tirou jogadores e colocou outros. Quis fazer uma obrigação de determinados atletas jogarem e eu sou totalmente contra isso”
João Carlos Moura ao portal GE

Ele afirmou que nunca teve contrato formalizado e que o clube não cumpriu promessas de visto de trabalho e registro na carteira. Moura também alegou que o vínculo empregatício está caracterizado pelo tempo de serviço, superior a dez dias.
“O Daniel me fez uma promessa de um ano de contrato, mas já estou aqui há um mês e nunca me apresentou este contrato. Não tratou do meu visto, não tratou da minha carteira de trabalho. Agora, que ele rescindiu meu contrato, eu quero exercer o meu direito de receber a rescisão, mas ele quer pagar apenas os dias de trabalho. Obviamente, a lei brasileira me protege. Me disse que eu estava em fase experimental, isso não existe. Para existir, tinha que estar em contrato, o que nunca foi fornecido. Ao fim de dez dias trabalhados, há vínculo trabalhista”
João Carlos Moura
O técnico sugeriu um acordo para receber pagamentos até conseguir outro emprego, mas o presidente recusou a proposta.
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Presidente do Capixaba rebateu acusações
Daniel Costa rebateu as acusações e afirmou que Moura foi informado previamente sobre o funcionamento do clube como “clube-empresa”. Ele também declarou que o período de experiência de 30 dias foi acordado antes da contratação. Sobre as interferências nas escalações, o dirigente garantiu que apenas fez questionamentos, sem determinar mudanças nas equipes.
Outro ponto de conflito foi a licença profissional de João Carlos Moura. O presidente afirmou que o técnico não possuía licença da CBF para atuar no Brasil, o que foi considerado um dos fatores para a demissão. Moura, por sua vez, apresentou o diploma UEFA B como comprovação de qualificação e afirmou que a legislação brasileira garante seus direitos trabalhistas.
A demissão ocorre em um momento delicado para o Capixaba, que estreia no Campeonato Estadual 2025 em uma semana. Moura viajou cerca de 2.000 km de Fortaleza ao Espírito Santo para assumir o cargo e deixa o clube sem sequer ter formalizado o vínculo ou ter estreado no Campeonato Capixaba.
O Serra Noticiário continua acompanhando o caso de perto e trará novas informações assim que possível.
