Na última quinta-feira (30), servidores da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Serra-sede, participaram de uma reunião com a secretária de Saúde, Fernanda Coimbra Mota da Silva, e o coordenador de governo, Iranilson Casado.
Segundo apuração em primeira mão do portal Século Diário, o encontro discutiu a decisão da Prefeitura de antecipar a terceirização da unidade, que passará a ser gerida por uma Organização Social (OS) já em março deste ano, dois meses antes do previsto.
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Segundo a publicação da jornalista Mariah Friedrich, do Século Diário, os profissionais de saúde, membros do Conselho Local de Saúde (CLS) e do Conselho Municipal de Saúde (CMS) questionaram a mudança e apontaram riscos para a qualidade do atendimento.
Servidores alegam desrespeito e falta de transparência
De acordo com a fonte, a comissão de trabalhadores tentou uma reunião direta com o prefeito, mas se encontrou apenas com a secretária e com o coordenador de governo. Durante o encontro, os servidores relataram que foram tratados com ironia ao expressarem suas preocupações sobre a precarização dos serviços e a instabilidade dos empregos.
Além disso, a apuração do Século Diário trouxe que gestores afirmaram que os contratos dos servidores permaneceriam por um ano, mas não apresentaram documentos que garantissem esse compromisso. Segundo a técnica de enfermagem Magda Cristina, conselheira da unidade, a decisão ocorreu sem consulta pública e sem avaliação técnica sobre os impactos na assistência médica.
Impactos no atendimento e risco de demissões
Atualmente, a UPA de Serra-sede é a única da cidade ainda sob gestão direta da Prefeitura. A mudança para um modelo terceirizado pode resultar na demissão de servidores efetivos, além de alterações na carga horária dos trabalhadores. Hoje, a escala de trabalho é de 12 horas por 60 de descanso, mas com a OS, pode mudar para 12 por 36, o que traria impactos financeiros para os profissionais.
Além disso, os trabalhadores alertam para cortes de gastos que podem afetar diretamente o atendimento. A unidade, por exemplo, é a única que oferece medicação intravenosa com soro, atendimento por telemedicina e distribuição de medicamentos diretamente na farmácia da UPA. Com a terceirização, esses serviços podem acabar reduzindo.
“A população ainda não sabe, mas quando souber, vai haver revolta. Isso é um retrocesso. A empresa que assumir a gestão vai priorizar o lucro, e não a qualidade do atendimento”, afirmou Magda Cristina ao Século Diário.
Mobilização contra a terceirização
Além disso, a conselheira municipal de saúde, Meire Siqueira, criticou a decisão . Em sua fala ao jornal, ela destacou que a terceirização prioriza a redução de custos em detrimento da qualidade do serviço. Segundo ela, muitos servidores trabalham há mais de 14 anos na unidade e dependem da atual escala de plantões para manter a renda.
A princíoio, a terceirização da UPA faz parte do plano de contenção de gastos da Prefeitura, conduzido pelo Comitê Extraordinário de Avaliação do Gasto Público (Comex). Entretanto, representantes do Conselho Municipal de Saúde já haviam se manifestado contra a medida, alegando prejuízos para a população.
Sem um retorno positivo da gestão municipal, os trabalhadores pretendem continuar a mobilização para informar a comunidade sobre os impactos da terceirização e pressionar por uma mudança na decisão.
Deputado e moradores também criticam a terceirização
Após o anúncio da terceirização, o deputado estadual Pablo Muribeca (Republicanos) veio a público criticar a medida da Prefeitura. Segundo ele, a terceirização pode prejudicar os serviços de saúde e acabarem servindo de cabides de empregos. Já os moradores, em parte se mostram preocupados, afinal, a UPA de Serra-sede segundo eles é a que oferece o melhor atendimento do município.
O Serra Noticiário continua acompanhando o caso de perto e trará novas atualizações assim que possível.
