Um episódio envolvendo o vereador Antonio Carlos CEA (Republicanos) e a servidora da Câmara Saionara Paixão, adepta da Umbanda, ganhou destaque após uma discussão acalorada durante a sessão plenária da Câmara Municipal da Serra no dia 12 de maio de 2025. O caso gerou repercussões entre movimentos sociais, religiosos e políticos, levantando questões sobre intolerância religiosa e violência institucional.
O vereador conversou com a reportagem e negou qualquer tipo de agressão contra a servidora e ainda acusou veículos da imprensa de distorcerem suas falas dadas em sessões da Câmara da Serra.
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Entenda o caso
O conflito teve início após mudanças propostas no nome da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, que passaria a incluir o termo “Povos Tradicionais” e substituir “do Negro” por “Igualdade Racial”. O vereador CEA criticou a relevância da comissão, afirmando que seria “completamente irrelevante” e que “todos somos iguais”. Essas declarações desencadearam reações negativas de movimentos negros e de religiões de matriz africana.
Durante a sessão, uma servidora terceirizada, Saionara Paixão, ligada à religião da Umbanda, manifestou-se contra as falas do vereador. O clima esquentou quando o vereador Pastor Dinho Souza (PL) defendeu CEA em plenário, e Saionara foi repreendida por outros parlamentares.
Segundo relatos, CEA teria ido até a cabine da servidora para tirar satisfação, resultando em um bate-boca. Emocionada, Saionara chorou, deixou o plenário e registrou um boletim de ocorrência na delegacia.
Episódio anterior envolveu polêmica religiosa
O recente desentendimento entre o vereador CEA e funcionária, não seria algo isolado. Pois, um episódio anterior ocorreu durante uma sessão solene do dia 26 de março, sobre a Insurreição do Queimado, quando Saionara acusou o vereador de intolerância religiosa. Além disso, o vereador afirmou que o atrito começou em março, após ele declarar em plenário: “Feliz é a nação cujo Deus é o Senhor”, frase que supostamente teria incomodado a funcionária como um gesto de intolerância religiosa.
Servidora Saionara Paixão se pronunciou sobre o caso
Em declaração ao jornal Tempo Novo, Saionara Paixão relatou, em nota, que sofreu humilhação pública durante o episódio na Câmara Municipal da Serra. A servidora afirmou que se sentiu intimidada e considerou o ocorrido um caso de violência institucional. Diante da situação, ela informou que pretende acionar o Ministério Público para buscar justiça e garantir que episódios semelhantes não voltem a acontecer.
“Hoje eles fizeram essa humilhação no plenário. Estou na delegacia, vou fazer o Boletim de Ocorrência e acionar o Ministério Público”.
Saionara Paixão
Repercussão da polêmica
O Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, representado por Ivo Lopes, classificou o episódio como inaceitável. O órgão considerou tratar-se de violência institucional e anunciou que enviará uma denúncia formal ao Ministério Público para acompanhar o caso.
Lideranças sociais e religiosas também se manifestaram, criticando as falas de CEA e defendendo maior respeito às diversidades culturais e religiosas. O conflito entre o vereador e a servidora foi inicialmente divulgado pela coluna Mestre Álvaro, do jornal Tempo Novo, o que gerou críticas do vereador, que acusou o jornal de não ter buscado sua versão antes da publicação.
Vereador falou sobre o caso em suas redes sociais
Após a servidora abrir o Boletim de Ocorrência contra o vereador, Antonio Carlos Cea esteve presente na Terceira Delegacia Regional da Serra para prestar esclarecimentos.
Em um vídeo publicado em suas redes sociais, o vereador comentou o ocorrido e se defendeu das acusações de intolerância religiosa:
Vídeo Instagram:
Reportagem entrou em contato com o Vereador Antonio Carlos
A reportagem do Serra Noticiário entrou em contato com o vereador Antonio Carlos CEA, para colher dele uma declaração sobre o caso. Em nota, questionamos o discurso dele na sessão solene da Câmara da Serra, onde teria classificado a discussão como irrelevante. Além disso, questionamos as acusações que a funcionária fez contra ele após ele se dirigir a ela.
Vereador respondeu ao Serra Noticiário
Sobre ter classificado a discussão na sessão da Comissão de Direitos Humanos da Serra como “irrelevante”, o vereador respondeu que:
“Em momento algum eu apenas disse ser irrelevante a mudança da nomenclatura se a finalidade era a mesma e que temos coisas mais importantes a serem discutida na cidade. Questionei a presidente para encalecer ao munícipe o que significa povos originários e não a mim que sou operador do direito . Pois havia ali obscuridade da informação e já há uma lei federal tratando de assunto.”
O vereador Antônio Carlos CEA negou qualquer tipo de agressão física ou verbal contra Saionara Paixão. Ele explicou que foi até a cabine da servidora apenas para esclarecer que um vídeo gravado durante a sessão era do colega vereador Pastor Dinho, e não dela.
“A mesma (Saionara Paixão) falta com a verdade ela simplesmente iniciou um xingamento ao vereador Dinho e disse que eu a filmava apenas levei o celular para mostrar a ela que não tinha imagem dela em meu celular…”
Vereador acusa imprensa de distorcer sobre suas falas
Em conversa com a nossa reportagem, o vereador ainda aproveitou para se pronunciar sobre uma polêmica de outra sessão solene, da Insurreição de Queimados, onde ele teria utilizado seu tempo para falar sobre sua religião. Assim, seu discurso acabou sendo interpretado como uma atitude de intolerância religiosa, da qual o vereador se defende.
“Os jornais mentiram eu não estive na sessão solene de ressurreição de queimados gritando Glória a Deus . Desafio qualquer um mostrar imagens minha na casa. Apenas na minha fala falei que feliz a nação cujo Deus é o Senhor e depois quando ela me denunciou a secretaria da mulher foi convidado pela secretária Lilian que disse que eu estava certo . Ela procurou o conecto e fez o que fez…. Para ganhar mídia em cima do assunto do negro me acusando de racista…”
O Serra Noticiário continua acompanhando o caso de perto e trará novas informações assim que possível.
