Com a proximidade das eleições de 2026, intensificam-se as análises e conjecturas sobre as disputas eleitorais pelo país — e na Serra, não é diferente. Nos bastidores políticos do município, crescem as especulações de que a rivalidade entre o grupo do ex-prefeito Sérgio Vidigal (PDT) e o deputado estadual Pablo Muribeca (Republicanos) pode se manter viva na próxima eleição, agora em uma disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados, em Brasilia.
No início do ano, os comentários giraram em torno de quem seriam os possíveis candidatos a deputado federal com base eleitoral na Serra, principalmente no grupo de Vidigal, que conseguiu manter o comando da Prefeitura da Serra. A pergunta era: quem será o nome oficial do grupo governista? A princípio, chegou a circular nos bastidores o nome do atual presidente da Câmara, vereador Saulinho (PDT).
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No entanto, rapidamente ficou evidente que o pré-candidato natural à federal seria o filho de Sérgio Vidigal, que passou a intensificar sua presença em eventos públicos e nas redes sociais. Além de contar com o apoio direto do pai — considerado ainda hoje o maior cabo eleitoral da cidade — ele também tem ao seu lado a máquina municipal, atualmente sob comando do prefeito Weverson Meireles, pupilo político do seu pai.
Ainda assim, não se pode descartar a possibilidade de última hora de o próprio Sérgio Vidigal ou até mesmo sua esposa, Sueli Vidigal, surgirem como candidatos à Câmara Federal.
A oposição: quem encara o grupo de Vidigal?
Do lado oposto, surgem nomes com potencial para rivalizar com o grupo da situação. Os dois principais são o deputado estadual Pablo Muribeca e o ex-prefeito Audifax Barcelos (PP).
Mas há dúvidas sobre o fôlego político de Audifax, que, desde que deixou a prefeitura em 2020, não conseguiu se reeleger a nenhum cargo. Em 2022, não teve um bom desempenho na disputa para governador e, em 2024, ficou em terceiro lugar na corrida pela Prefeitura da Serra, sendo superado pelo jovem Muribeca. Diante disso, nos bastidores se fala que o ex-prefeito pode buscar um caminho mais seguro: disputar uma vaga para deputado estadual.
Muribeca, por sua vez, surge como o nome mais competitivo da oposição. Mesmo derrotado pela estrutura do clã Vidigal nas eleições municipais deste ano, sua votação expressiva consolidou sua liderança e reforçou sua relevância no cenário político local. Entre aliados, o segundo lugar foi tratado como uma “vitória política”.
Por isso, seu nome passou a ser automaticamente colocado nas rodas de conversa como um possível candidato a deputado federal. No entanto, essa decisão pode representar um risco político. Um voo mais alto em direção à Câmara Federal pode significar abrir mão da segurança de garantir a reeleição para mais um mandato na Assembleia Legislativa. Para Muribeca, ficar sem mandato seria um revés que colocaria em risco tudo o que já construiu politicamente até aqui.
Ainda assim, uma eventual candidatura sua representaria um contraponto direto ao projeto político do grupo Vidigal. E mesmo com a possibilidade de ambos serem eleitos para deputado federal, o confronto não se encerraria em 2026: ele poderia, na prática, funcionar como um ensaio para a disputa pela Prefeitura da Serra em 2028.
Muribeca responde
Após publicação do artigo, deputado estadual Pablo Muribeca procurou a Coluna Chico Prego, para comentar as especulações em torno de seu nome como possível candidato a deputado federal em 2026. O parlamentar afirmou que está focado no presente e que não existe qualquer articulação em andamento com esse objetivo.
Muribeca também destacou que qualquer tipo de plano deverá passar, antes de tudo, por conversas com seus principais aliados, como o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (UB), o colega de partido e pré-candidato ao governo do Estado, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, e, principalmente, com o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso.
