Na manhã desta quinta-feira (31), a Divisão de Inteligência Penal da Polícia Penal do Espírito Santo (PPES), prendeu José Antônio Marim, mais conhecido como Toninho Pavão. O criminoso estava foragido há cerca de sete meses e foi localizado dentro de uma siderúrgica no município da Serra.
Contra ele, havia dois mandados de prisão em aberto por homicídio, tráfico de drogas e comércio ilegal de armas. A polícia considera a prisão de Toninho Pavão um passo importante para a segurança pública, já que ele é apontado como integrante de facções criminosas e possui histórico de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
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Em entrevista à TV Vitória, a diretora-geral adjunta da Polícia Penal, Graciele Sonegheti, afirmou que Toninho é considerado perigoso e possui vínculos com o crime organizado.
“Ele ficou muito tempo no sistema prisional e nunca se desligou do crime. Agora, vai voltar aos cuidados do sistema prisional”.
Graciele Sonegheti
Diretora-geral adjunta da Polícia Penal (PPES)
Histórico de crimes e fugas cinematográficas
Toninho Pavão tem uma longa ficha criminal. Em 2000, ele foi preso acusado de liderar uma quadrilha de tráfico de drogas com atuação dentro e fora do Brasil. O grupo trazia drogas de Rondônia e produzia grandes quantidades em um laboratório clandestino localizado em Putiri, na Serra.
Já em 2003, protagonizou uma das fugas mais ousadas da história do sistema penitenciário capixaba. Vestido de mulher, ele saiu pela porta da frente do presídio de segurança máxima de Viana, atravessando oito portões fechados com cadeados, sem arrombar nenhum deles. Depois, deixou o Espírito Santo em um avião roubado. A fuga resultou na exoneração de 19 supervisores do presídio.
Ele foi recapturado em dezembro de 2004, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Na época, a Polícia Federal (PF), investigava uma quadrilha liderada por Toninho, responsável por cerca de 100 assaltos a bancos nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Minas Gerais e Bahia. Conforme as investigações, o grupo movimentava cerca de 1,5 tonelada de maconha por mês, com origem na fronteira do Paraguai.
Após a execução de um casal em 2006 – crime que teria sido ordenado por Toninho de dentro da prisão -, Antônio Marcos da Costa Gama, de 46 anos, e Francisca Eliene Fernandes Leite, de 37 anos, foram mortos com cerca de 25 tiros. A execução foi flagrada por uma interceptação telefônica da Polícia Federal (PF). Após o crime, ele foi transferido para o Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná, e, posteriormente, para o Presídio Federal de Rondônia, retornando ao Espírito Santo anos depois.
Semiaberto, saidinha e nova fuga
Toninho passou para o regime semiaberto em 2018. Três anos depois, teve direito à saída temporária (saidinha) e retornou ao presídio uma semana após o benefício.
Em agosto de 2022 ele conseguiu a progressão regime, podendo cumprir o restante de sua pena em liberdade. Mas acabou detido novamente no dia 10 de outubro do ano passado pela Polícia Federal por suspeita de negocia drogas para o Primeiro Comando da Capital (PCC), no Espírito Santo. Além disso, sua ficha criminal inclui o pagamento de R$ 100 mil para fugir de um presídio, além de liderar várias rebeliões em cadeias do estado.
No entanto, em dezembro de 2024, foi autorizado pela Justiça a viajar para Minas Gerais com o objetivo de resolver questões familiares. Durante essa viagem, dois novos mandados de prisão foram expedidos e ele voltou a ser considerado foragido.
Com a prisão desta quinta-feira, ele volta à custódia do sistema prisional capixaba, onde deverá cumprir o restante da pena e responder pelos novos crimes atribuídos a ele.
