Na manhã desta quinta-feira (28), a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Serra, apresentou os resultados das investigações sobre o assassinato de Alice Rodrigues, de 6 anos, morta no último domingo (24) durante um ataque de traficantes no bairro Balneário de Carapebus, na Serra.
Em apenas 24 horas após o crime, as forças de segurança prenderam seis integrantes do grupo responsável pela ação. Outros seis suspeitos seguem foragidos. O delegado Rodrigo Sandi Mori, titular da DHPP Serra, conduziu a coletiva de imprensa, acompanhada pelo Serra Noticiário, que esteve presente.
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Dinâmica do crime
Segundo o delegado, a investigação comprovou que os criminosos estavam em busca de um rival do tráfico local, ligado ao TCP, quando se depararam com o carro da família de Alice. O veículo, um Peugeot, foi confundido com um Renault Kwid, que seria o verdadeiro alvo.
Os atiradores passaram duas vezes pela Rua Acácia, ponto de intenso tráfico, e ao saírem do bairro colidiram com o carro da família. “Eles abriram fogo de dentro do veículo e só cessaram os disparos quando o pai desembarcou, implorando pela vida da esposa grávida e da filha. Infelizmente, a menina já havia sido atingida”, disse Sandi Mori.
Imagens divulgadas pela Polícia mostram os quatro executores fugindo a pé, armados com pistolas 9 mm e um fuzil calibre 5.56.
Estrutura criminosa
Na coletiva, a DHPP exibiu um organograma que mostra como o crime foi articulado. Os envolvidos foram divididos em três níveis:
Mandantes do ataque em Balneário de Carapebus:
- Raimundo “Serginho Cauê” – alto escalão do PCV, comanda o tráfico em Viana e São Diogo (Serra).

- Carlos Alberto “Bequinha” – ex-TCP, migrou para o PCV, articulador de ataques em Nova Almeida.

- Ryan Alves Cardoso “R7” – chefe do tráfico no loteamento Lagoa de Carapebus.

Os três estão foragidos no Rio de Janeiro e são considerados peças-chave na disputa entre facções pelo controle do Balneário de Carapebus, último reduto do TCP na região.
Intermediários do ataque:
- Marlon– responsável por selecionar executores e fornecer armas.

- Marina – Advogada, companheira de Marlon, guardava armas, munições e recados do tráfico.

- Maik– auxiliava no planejamento e ligação com os mandantes.

Executores e apoio:
- Pedro – um dos atiradores, confessou participação.

- Arthur – contratado por R$ 100 para atuar como olheiro e vigiar movimentação de viaturas.

- Izaque – encarregado de dar fuga ao grupo.

Prisões e apreensões
Durante as diligências, foram apreendidas 100 munições de calibre 9 mm e 20 munições de fuzil 5.56, além de uma caderneta com anotações do tráfico encontrada na casa de Marina.
Seis pessoas foram presas em flagrante, autuadas por:
- homicídio qualificado
- dupla tentativa de homicídio
- posse e porte ilegal de armas e munições de uso restrito
Outros seis integrantes do grupo seguem foragidos. “Nós já identificamos todos os envolvidos. Não vamos sossegar até prendermos cada um deles”, afirmou o delegado.
O Serra Noticiário acompanhou a coletiva e disponibiliza abaixo o vídeo completo da apresentação para que o leitor confira mais informações e detalhes diretamente com delegado Rodrigo Sandi Mori.
Vídeo Youtube SN:
Relembre o caso
Na noite de domingo (24), a menina Alice Rodrigues, de 6 anos, foi morta durante um ataque de traficantes no bairro Balneário de Carapebus, na Serra.
A família voltava da praia em um carro preto quando criminosos confundiram o veículo com o de traficantes rivais. Alice foi baleada e morreu no hospital. Seu pai foi atingido de raspão e sua mãe, grávida de 8 meses, também foi ferida levemente.
O crime gerou comoção no Espírito Santo e mobilizou operações de grande escala das forças de segurança.