A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, apresentou nesta terça-feira (23) os resultados da investigação que levou à prisão de dois homens acusados do assassinato de Claudiomar Costa Souza, de 39 anos, conhecido como “Biguá”. O crime aconteceu em 19 de maio, o corpo da vítima foi encontrado dois dias depois pela equipe de reportagem do Serra Noticiário, em uma plantação de eucaliptos, em Nova Almeida.
O delegado Rodrigo Sandi Mori destacou ainda a colaboração do jornal Serra Noticiário, cuja equipe localizou o corpo e acionou as autoridades.
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“Quero agradecer ao Serra Noticiário, na presença do Wal Júnior. Vocês localizaram o corpo e isso foi a ponta da corda que precisávamos para esticá-la e elucidar o crime. Parabenizo o trabalho de vocês, pelo grande alcance que têm no município da Serra e também pela prestatividade ao comparecerem à delegacia. Sei que preservam o sigilo da fonte, mas, mesmo assim, colaboraram com a investigação sem expor ninguém, apenas indicando como foi possível localizar o corpo. Essa colaboração foi fundamental para que conseguíssemos elucidar o crime. Reitero meus parabéns pelo trabalho que vocês têm realizado no município da Serra.”
Rodrigo Sandi Mori
Delegado titular da DHPP Serra
Durante coletiva realizada na Chefatura da Polícia Civil, DHPP Serra detalharam como uma discussão banal em um bar, associada ao consumo excessivo de álcool, terminou em homicídio.
O repórter Wal Junior do Serra Noticiário acompanhou a coletiva que detalhou o caso macabro, no qual um homem foi morto pelos próprios amigos de bar.
Vídeo Youtube SN:
Quem era a vítima
Claudiomar era conhecido na comunidade como um homem tranquilo, apesar de enfrentar problemas psiquiátricos e de fazer uso frequente de bebida alcoólica. Ele participava de atividades de pesca e era querido por moradores.

Quem são os acusados


No dia do crime, a vítima passou a manhã consumindo bebidas alcoólicas e, à tarde, se encontrou em um bar na região da Lagoa de Jacaraípe com os dois acusados: Dário de Oliveira, o “Ceará”, recém-demitido de uma empresa da Serra, e Charme de Souza, conhecido como “Baiano”, que possui histórico de violência e de uso de arma branca em brigas.
Motivação do crime
Segundo o delegado Paulo Ricardo Gomes, após uma discussão por motivo fútil durante uma partida de sinuca, Claudiomar teria ameaçado agredir Charme. A partir desse momento, os dois homens teriam combinado de matá-lo. Eles convenceram a vítima a deixar o bar e entrar no carro de Dário, um Siena cinza.
Ainda de acordo com as investigações, havia também um desentendimento anterior entre eles. Dário teria emprestado seu barco de pesca a Claudiomar, com a promessa de que ambos dividiriam o lucro obtido, mas o acordo não teria sido cumprido pela vítima.
Dinâmica do crime
No trajeto, em uma estrada vicinal que liga Jacaraípe a Nova Almeida, Charme golpeou Claudiomar com uma facada na região da clavícula, que atingiu o pulmão e provocou hemorragia interna. A vítima morreu dentro do veículo e teve o corpo abandonado em uma plantação de eucaliptos, parcialmente ocultado por sacolas e vegetação.
Versões conflitantes
Os acusados apresentaram versões diferentes. Dário afirmou que apenas deu carona e presenciou o ataque de Charme. Já Charme alegou legítima defesa, dizendo que a vítima teria sacado uma faca contra o motorista. Essa hipótese foi descartada, pois testemunhas relataram que ambos haviam planejado o crime ainda no bar.
Após a execução, os dois tentaram limpar o carro para apagar os vestígios de sangue e retornaram ao bar, onde permaneceram por algumas horas. Ainda alcoolizado, Charme chegou a confessar a populares sua participação.
Prisões dos acusados
No dia seguinte, Dário fugiu para o município de Águia Branca, onde deixou o carro, e depois seguiu para o estado Rondônia, permanecendo escondido por três semanas. Ele acabou preso no dia 30 de junho, ao retornar à Serra para receber sua rescisão trabalhista.

Cinco dias depois, Charme também foi localizado e detido. Ambos tiveram a prisão temporária convertida em preventiva e foram indiciados por homicídio qualificado por motivo fútil, dissimulação e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Trabalhos da Polícia Científica
O trabalho da Polícia Científica foi essencial para comprovar a materialidade do crime. Perícias realizadas no carro identificaram manchas de sangue oculto, mesmo após tentativas de limpeza. Uma delas, no forro do teto, foi submetida a exame de DNA e confirmou compatibilidade com o material genético de Claudiomar. A necropsia apontou que a morte foi causada por hemorragia interna decorrente da facada profunda na região da clavícula.
O inquérito foi concluído e encaminhado ao Ministério Público, que denunciou os dois acusados. O caso agora segue na Justiça.
Mais detalhes sobre o crime
Confira no vídeo abaixo as declarações completas com mais detalhes sobre o caso, dadas pelo delegado adjunto da DHPP da Serra, Paulo Ricardo Gomes, e pela perita-geral adjunta da Polícia Científica, Daniela de Paula.
Vídeo Youtube SN:
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