Nesta quinta-feira (9), a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) por meio da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, anunciou durante coletiva de imprensa que prendeu sete homens envolvidos no assassinato de Ozenal Honorato Santos, 36 anos, trabalhador autônomo morto em abril no bairro Feu Rosa, na Serra. O crime, segundo as investigações, teve participação direta do chefe do tráfico local, Lucas Raich, conhecido como Poorf.
O corpo foi encontrado em 5 de maio, enterrado em uma área de manguezal, com ajuda do Corpo de Bombeiros e da cadela farejadora Fênix. Tanto o desaparecimento da vítima em abril quanto o encontro do corpo em maio foram divulgados em primeira mão pelo Serra Noticiário.
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O delegado Rodrigo Sandi Mori, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, informou que o crime começou na noite de 26 de abril e terminou na madrugada do dia seguinte. A vítima foi morta por motivo torpe, de forma cruel e sem chance de defesa. Segundo o delegado, os sete homens envolvidos no assassinato de Ozenal foram presos pela DHPP Serra.







O repórter Wal Junior, do Serra Noticiário, participou da coletiva e produziu uma reportagem. Confira no vídeo abaixo:
Vídeo Youtube SN:
Discussão e início das agressões
Dias antes do crime, Ozenal e Júnior haviam trabalhado juntos em um serviço de pintura. Júnior ficou devendo uma quantia à vítima. Na noite do dia 26, após consumir bebida alcoólica, Ozenal foi até ele cobrar a dívida.
A cobrança gerou uma discussão. Momentos depois, Ozenal urinou em um poste da Rua dos Eucaliptos, perto de uma festa organizada por traficantes da região. Entre os presentes havia crianças e o filho de Júnior. A atitude foi considerada uma provocação e iniciou a sequência de agressões.
Vítima foi agredida por 3 vezes em Feu Rosa
No primeiro, Ozenal foi espancado por Júnior, Lucas, Klemer, Kennedy e Paulo Henrique com socos, chutes, pedras e mangueiras. A agressão durou cerca de cinco minutos. A vítima foi levada até o beco dos Eucaliptos e recebeu ordem para deixar o local.
Trinta minutos depois, voltou ao mesmo ponto. O grupo então retomou as agressões. Júnior usava uma enxada; Lucas, um pedaço de pau; os demais, pedras e mangueiras. Ozenal ficou desacordado, subiram com ele pela rua Pau Ferro e foi deixado sob uma árvore no cruzamento das ruas Pau Brasil e Vinhático.
Cerca de uma hora após a segunda sequência de agressões, um dos criminosos, Kaique, voltou ao local onde Ozenal havia sido deixado, sob uma árvore, para verificar se ele estava morto. Ao chegar, percebeu que a vítima ainda respirava. Mesmo ferido e cambaleando, Ozenal conseguiu se levantar e começou a caminhar, em direção ao beco que dá acesso à própria casa, tentando buscar ajuda.
No entanto, Kaique retornou rapidamente à distribuidora e avisou aos outros integrantes do grupo que o homem ainda estava vivo. Diante disso, Lucas Raich (PoorF) — apontado como chefe do tráfico local — reuniu Kennedy, Paulo Henrique e Riquelves e ordenou que fossem atrás de Ozenal para “finalizar o serviço”.
O grupo interceptou a vítima ainda dentro do beco dos Eucaliptos, iniciando ali a terceira e mais violenta fase das agressões. Ozenal foi novamente espancado com chutes e socos. Já sem condições de reagir, ele foi arrastado até o final do beco, em uma área de mata fechada.
Nesse ponto, Lucas utilizou um objeto perfurocortante — possivelmente uma faca — para golpear o tórax e o abdômen da vítima, que morreu no local. Enquanto isso, Júnior, Klemer e Kaique permaneceram na entrada do beco, vigiando a movimentação e limpando o sangue da cena do crime, sob ordem do próprio Lucas.
Corpo enterrado e ocultação
Depois da execução, os acusados enterraram o corpo em um manguezal. Três dias depois, em razão das chuvas, o cadáver voltou à superfície. O grupo retornou à área, carregou o corpo por 200 metros e o enterrou novamente.
O corpo foi localizado em 5 de maio, após denúncias e buscas conduzidas pelo Corpo de Bombeiros. Segundo o cabo Alex, responsável pela operação, o corpo estava enterrado a cerca de dois metros de profundidade, amarrado com cordas e coberto com cal. “Eles tentaram disfarçar o cheiro, mas o cal não impede o faro dos cães”, explicou.
Prisões e indiciamentos
A primeira operação da DHPP Serra ocorreu em 5 de agosto, quando foram presos Lucas Raich (Poorf), Kaique, Klemer, Paulo Henrique, Kennedy e Júnior.
O último envolvido, Riquelves, foi capturado em 15 de setembro, também em Feu Rosa.
Os sete foram indiciados por homicídio qualificado — motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa — e por ocultação de cadáver. O processo corre na 3ª Vara Criminal do Júri da Serra.
Facção violenta e cemitério do tráfico
De acordo com o delegado Sandi Mori, a quadrilha chefiada por Lucas Raich é uma das mais violentas da Serra. A polícia acredita que ao menos três outras vítimas estejam enterradas na mesma região de mata usada como cemitério clandestino pela facção.
Entre os desaparecidos estão um entregador, morto há quatro anos, e uma mulher assassinada nos fundos do bairro Ourimar. As buscas continuam, e a Polícia Civil pede novas denúncias anônimas.
Perfil da vítima: trabalhador e pai de família
Ozenal era ajudante geral e prestava serviços de pintura. Moradores do bairro o descrevem como trabalhador e tranquilo. Tinha uma antiga passagem por ameaça, já resolvida, e não possuía envolvimento com o tráfico. A morte causou comoção entre os vizinhos.
Segundo Sandi Mori, as denúncias anônimas enviadas ao Disque 181 e à página da DHPP Serra nas redes sociais ajudaram na localização do corpo e na prisão dos criminosos.
Grupo do Poorf em Feu Rosa
Com a conclusão do inquérito, o delegado da DHPP Serra afirma ter desarticulado parte da hierarquia da facção do Poorf. “Foi um crime cruel, que choca pela covardia. Mas todos estão presos e o caso, esclarecido”, disse o delegado Sandi Mori.
O caso simboliza a violência imposta pelo tráfico em Feu Rosa, onde regras e punições ilegais são impostas à comunidade sob o chamado “tribunal do tráfico”.
Mais detalhes do caso, com as declarações do delegado Rodrigo Sandi Mori e do cabo Alex Rocha, do Corpo de Bombeiros Militar (CBMES), durante a coletiva. Confira no vídeo abaixo:
Vídeo Youtube SN:
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