O governo do Espírito Santo ativou o plano de contingência criado pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SESP) para monitorar a possível movimentação de integrantes de facções criminosas após a operação contenção, realizada pelas forças de segurança do Rio de Janeiro. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (30) pelo governador Renato Casagrande e pelo vice-governador Ricardo Ferraço, coordenador do programa estado presente em defesa da vida.
O plano estabelece um fluxo permanente de informações entre órgãos de inteligência estaduais e federais, com o objetivo de identificar tentativas de fuga para o Espírito Santo. A medida também busca localizar criminosos capixabas que estejam escondidos no Rio de Janeiro e possam tentar retornar.
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O governador Renato Casagrande explicou que o Estado mantém vigilância reforçada nas divisas e que a integração entre as forças de segurança tem garantido resultados efetivos. “Estamos acompanhando com atenção os desdobramentos da operação no Rio. Nossas agências de inteligência estão integradas com o governo federal e a Polícia Rodoviária Federal. Vale lembrar que as lideranças criminosas do Espírito Santo têm migrado para o Rio de Janeiro, porque sabem que aqui são grandes as chances de serem presas. Se tentarem voltar, serão alcançadas”, afirmou Casagrande.
Migração de traficantes
Até o momento, não há qualquer indício de migração de criminosos para o Espírito Santo após as ações realizadas nos complexos do Alemão e da Penha. As rodovias que passam por Presidente Kennedy, Mimoso do Sul, Apiacá, Bom Jesus do Norte, São José do Calçado e Guaçuí estão com o monitoramento reforçado e contam com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
O vice-governador Ricardo Ferraço ressaltou que o plano de contingência já está em plena operação e destacou a prontidão das forças de segurança estaduais. “Desde o início da operação no Rio, o núcleo do Estado Presente está atento e mobilizado. Recebemos informações estratégicas em tempo real, o que nos permite agir de forma rápida e precisa. Bandidos fogem do Espírito Santo porque sabem que aqui serão alcançados e presos. Nossa estrutura está pronta para agir”, afirmou Ferraço.
O secretário de Estado da Segurança Pública, Leonardo Damasceno, reforçou que o Espírito Santo é considerado um território hostil para criminosos. Ele lembrou casos recentes de chefes de facções que retornaram do Rio de Janeiro e foram rapidamente capturados. “Aqui, os bandidos não se criam. Líderes que voltaram, como Marujo, os irmãos Vera e Boca de Lata, foram presos em poucos dias. Nosso monitoramento é constante, e, se houver qualquer tentativa de migração, estamos preparados para agir”, afirmou Damasceno.
Países que fazem fronteira com o Brasil intensificam vigilância após megaoperação no Espírito Santo
Após a megaoperação realizada no Rio de Janeiro, vários países sul-americanos que fazem fronteira com o Brasil elevaram seus níveis de alerta e reforçaram a segurança nas divisas.
Argentina, Paraguai e Uruguai estão entre os países que adotaram medidas mais rígidas. A Argentina, por exemplo, classificou oficialmente o PCC e o Comando Vermelho como organizações narcoterroristas, intensificando a fiscalização nas regiões fronteiriças e realizando inspeções minuciosas em cidadãos brasileiros que entram no país.
O Paraguai e o Uruguai também reforçaram o patrulhamento nas áreas de fronteira, preocupados com a possibilidade de criminosos fugirem do Brasil após as operações policiais. Essas ações refletem uma crescente preocupação regional com o avanço de facções brasileiras em territórios vizinhos.
O Brasil faz fronteira com dez países: Argentina, Bolívia, Colômbia, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. Com exceção do Chile e do Equador, todos os países da América do Sul compartilham limites territoriais com o Brasil.
