Nesta última terça-feira (18), a Polícia Civil (PCES), por meio da DHPP Serra, realizou uma coletiva de imprensa para apresentar a conclusão do triplo homicídio ocorrido próximo à praça, em frente a uma distribuidora, no bairro Novo Horizonte, na Serra. Ao todo, as investigações revelaram a participação de nove pessoas no ataque.
De acordo com o delegado titular da DHPP Serra, Rodrigo Sandi Mori, nove envolvidos foram identificados entre mandante, intermediários e executores. O ataque deixou três mortos, três feridos no local e resultou ainda em duas tentativas de homicídio contra policiais militares durante a fuga.
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Mandante e cadeia de comando
De acordo com a investigação, a ordem para o ataque partiu de Lucas Henrique Soares da Silva, o “2B” (facção TCP), preso desde 2017 na Penitenciária de Segurança Máxima. Mesmo encarcerado, ele é apontado como quem comanda o tráfico no Morro da Garrafa.
A polícia atribui ao advogado Cleiton Ronai Fernandes Lima o papel de mensageiro/intermediário de ordens entre “2B” e a rua, especialmente com Rafael Martins, o “Barata”, indicado como líder operacional em campo e responsável pela logística do ataque. Barata é apontado como quem indicou o local do atentado e forneceu as armas.
Organograma do grupo criminoso apresentado pela DHPP Serra

Seis executores e deslocamento até os alvos em Novo Horizonte
Segundo a DHPP, seis executores saíram do Morro da Garrafa em um T-Cross; à frente, sem armas, para checar eventuais blitz. Atrás, seguia o EcoSport de “Barata” transportando seis pistolas 9 mm. Já perto do alvo, os executores teriam embarcado armados no T-Cross para realizar o ataque.
A polícia identificou os ocupantes: Gabriel (“Paquetá”) dirigia e está foragido; Raoni (carona) foi preso pela PM logo após o crime; no banco traseiro, José Augusto (“Tuiu”) — preso em seguida —, Igor (“Gaspar”) — foragido —, Samuel (“Cecão”) — foragido — e Carlos Eduardo (“2K”), preso em 21 de outubro, em Cabo de Santo Agostinho (PE), em ação conjunta com a Polícia Civil local. Segundo o delegado, dentro do carro “2K” também apontou quem seriam os alvos a executar.
Motivação: ruptura e disputa por ponto de venda em Novo Horizonte
Nos autos, a motivação é descrita como um “golpe de Estado” no tráfico local. Um traficante de Novo Horizonte, solto em 2023, que atuava junto ao grupo do Morro da Garrafa, mudou de lado e se alinhou a Sérgio Raimundo (“Serginho Cauê”), da facção PCV, foragido no RJ. A ruptura “travou” o ponto de venda do Morro da Garrafa, e o atentado foi, segundo a DHPP, uma demonstração de força para retomar o controle.
Como foi a dinâmica do ataque
Imagens analisadas pela investigação mostram o T-Cross se aproximando de três homens que conversavam na calçada — dois alvos do tráfico e um terceiro, inocente, que aguardava um pastel com a esposa sob uma marquise. Tiros foram feitos de dentro do veículo e, em seguida, cinco suspeitos desceram e continuaram disparando.
As vítimas que morreram no local foram identificadas como Marcos Vinícius (atingido por nove disparos), Marcelo (14 disparos) e Thiago (um tiro na cabeça; não tinha envolvimento com o tráfico, segundo a polícia).
Ficaram feridos: um alvo de moletom azul/preto (tiro no pescoço, sobreviveu), um motoboy (dois tiros no braço) e a esposa de Thiago (um tiro no braço). Ao todo, a DHPP contabilizou 54 disparos na cena.
Imagens das câmeras de segurança flagram parte do ataque; confira o vídeo abaixo:
Vídeo X SN:
DHPP Serra esclarece triplo homicídio em frente distribuidora de bebidas em Novo Horizonte
— Serra Noticiário (@serranoticiario) November 22, 2025
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Fuga, perseguição e prisões
Durante a fuga, os executores atiraram contra uma viatura da PMES, o que configura dupla tentativa de homicídio para assegurar a execução anterior. Dois suspeitos foram presos logo após o ataque; quatro se evadiram por área de mata.
Três deles invadiram um condomínio em Jardim Limoeiro e saíram de aplicativo (imagens mostram Samuel no carona, Gabriel atrás do motorista e Carlos Eduardo, sem camisa, entrando no veículo). “2K” foi capturado depois, em Pernambuco.

Provas reunidas e material apreendido
A DHPP cita vídeos (frente e fundos), monitoramento de rotas, extrações de celulares, testemunhos e laudos. Na fuga, duas pistolas 9 mm foram abandonadas e enviadas à balística, com resultado positivo para o crime. O T-Cross era clonado, o que embasa também receptação.
Quanto ao advogado Cleiton, a polícia relata 35 visitas a “2B” entre fevereiro e setembro/2025 (26 antes e 9 depois do homicídio), algumas com duração superior a cinco horas, sem que ele fosse o defensor constituído no processo do preso.
Em buscas, foram apreendidos dois celulares, R$ 14 mil em espécie, recados/cartas do sistema prisional e, na residência, uma pistola .380 com posse regular (apreendida em razão da prisão). Uma carta de 17 de setembro abordaria auditoria interna, dinheiro, armas e autorização para executar um traficante já visado desde julho, segundo a polícia.
Advogado é apontando como mensagerio do grupo criminoso
Em coletiva, o delegado Rodrigo Sandi Mori afirmou: “ele (advogado Cleiton) na investigação foi identificado como sendo responsável por dar auxílio à organização criminosa, atuando como mensageiro e intermediário de ordens, principalmente entre o Lucas e o Rafael Martins, vulgo Barata.”
O delegado também destacou: “a organização criminosa com relação ao advogado está mais do que configurada, ele foi indiciado apenas a priori, a princípio, pelo crime de organização criminosa.”
Sobre a conduta atribuída, acrescentou: “Ele ultrapassa os limites das prerrogativas dele e do exercício da advocacia a partir do momento em que passa a atuar em conjunto com criminosos, facilitando a comunicação entre eles através de recados e cartas vindo de dentro do sistema penitenciário, tanto dentro como fora, o que contribuía diretamente para a manutenção da organização criminosa do morro da garrafa aqui fora.”




Enquadramentos penais informados
- O advogado foi indiciado pelo crime de organização criminosa, com aumento de pena pelo emprego de arma de fogo.
- Os outros oito homens acusados do envolvimento no triplo homicídio, foram indiciados pelos seguintes crimes:
- Triplo homicídio qualificado por motivo torpe, com perigo comum, com recurso que resultou a impossibilidade de defesa das vítimas e pelo emprego de arma de fogo de uso restrito.
- Tripla tentativa de homicídio, com as mesmas qualificadoras: motivo torpe, perigo comum, impossibilidade de defesa das vítimas e emprego de arma de fogo de uso restrito.
- Dupla tentativa de homicídio qualificada por assegurar a execução do crime anterior, por ser contra integrantes das forças de segurança (policiais militares) e pelo emprego de arma de fogo de uso restrito.
- Organização criminosa.
- Receptação, tendo em vista que o veículo utilizado na execução dos crimes — um T-Cross clonado — foi identificado no local.
O advogado Cleiton sua ligação direta com o triplo homicídio segue sob análise, diz a polícia. Sobre “2B”, o delegado afirmou que a ordem partiu dele e que ele foi denunciado também no triplo homicídio.
Mais detalhes com delegado Sandi Mori
Mais detalhes do caso podem ser conferidos nas falas do delegado Rodrigo Sandi Mori durante a coletiva de imprensa. Confira abaixo:
Vídeo Facebook SN:
DHPP Serra esclarece triplo homicídio em frente distribuidora de bebidas em Novo Horizonte
— Serra Noticiário (@serranoticiario) November 22, 2025
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DHPP Serra pede colaboração para localizar foragidos
A DHPP Serra reforça o pedido de colaboração da população para localizar e prender os três acusados que seguem foragidos pelo triplo homicídio em Novo Horizonte: Gabriel (“Paquetá”), Igor (“Gaspar”) e Samuel (“Cecão”). Informações podem ser repassadas, anonimamente, pelo Disque-Denúncia 181.



Atualização:
Samuel Cararo de Paula, vulgo Secão, foi preso nessa manhã de sexta-feira (21), pela DHPP Serra, escondido no município de Vitória.
Sabe de alguma coisa?
A Polícia Civil sempre destaca que a população tem um papel importante nas investigações e pode contribuir com informações de forma anônima através do Disque-Denúncia (181) ou do perfil oficial da Delegacia de Homicídios Serra no Instagram: @DHPP.Serra
“O anonimato é garantido e todas as informações fornecidas são investigadas”
