A condenação de Cleiton Santana dos Santos, ex-namorado da enfermeira Íris Rocha, marcou o desfecho de um dos julgamentos mais aguardados em Alfredo Chaves. O júri popular fixou a pena em 37 anos de prisão, resultado de crimes que chocaram pela brutalidade: feminicídio, aborto sem consentimento e ocultação de cadáver. Íris estava grávida de oito meses da bebê Rebeca, que também perdeu a vida.

A sentença determinou 30 anos pelo homicídio qualificado, 5 anos pelo aborto e 2 anos pela ocultação. O crime ocorreu em 11 de janeiro de 2024, quando Cleiton disparou quatro vezes contra a jovem. Para tentar esconder o assassinato, ele cobriu o corpo com cal desidratada e o abandonou às margens de uma estrada. As investigações confirmaram que a motivação estava ligada à dúvida sobre a paternidade da criança, mas exames de DNA comprovaram que ele era o pai.
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Réu confessou o crime no julgamento
Durante o julgamento, o réu confessou o crime pela primeira vez. As investigações já indicavam que Cleilton havia matado Íris.
Um exame de microcomparação balística comprovou que a arma encontrada na casa do acusado era a mesma usada no crime. O armamento estava registrado em nome dele, na categoria CAC.
Apesar das provas, Cleilton vinha negando a autoria do assassinato, mas acabou confessando em plenário.

Aumento da pena
Logo após a decisão, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e o assistente de acusação, Fábio Marçal, recorreram pedindo o aumento da pena. A repórter Vilmara Fernandes, de A Gazeta, conversou com Marçal, que avaliou a condenação como um marco no enfrentamento à violência de gênero e destacou a importância de punições severas para crimes dessa natureza. Para ele, o julgamento representa não apenas a responsabilização do acusado, mas também um passo em direção à justiça e ao alívio para as famílias enlutadas.
Em nota, o MP destacou que o resultado reafirma o compromisso de combater o feminicídio e proteger a vida das mulheres. A instituição reforçou que esse tipo de crime é intolerável em uma sociedade que busca dignidade e igualdade, e que penas rígidas devem refletir a gravidade dos atos.
Defesa irá recorrer da pena
A defesa de Cleiton foi conduzida pelo advogado Rafael Almeida de Souza. A repórter Vilmara Fernandes também conversou com o defensor, que considerou a sentença dentro do esperado, mas anunciou recurso para tentar reduzir a pena. Ele afirmou que apresentará argumentos contra os pedidos do MP e da acusação, que solicitam aumento da condenação. Durante o julgamento, Cleiton confessou o crime, disse estar arrependido e aguarda transferência para uma unidade prisional destinada a detentos condenados.
