O brasão da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) reúne símbolos que sintetizam a identidade e a história da corporação. A figura que mais chama atenção é a de um homem de cabelos longos, representação de Tiradentes, personagem da Inconfidência Mineira e patrono das polícias militares brasileiras. Ele integra o distintivo oficial adotado em 1969, que consolidou elementos criados ao longo de mais de um século.
A evolução dos símbolos da PMES começou ainda no período provincial. O primeiro distintivo da Força Pública Provincial Estadual foi regulamentado em 1º de julho de 1835, pela Lei nº 9. O regulamento descrevia o fardamento semelhante ao dos caçadores, com gola e canhões amarelos, vivos verdes e uma pequena chapa substituindo a corneta da barretina. Essa peça continha dois ramos de fumo e café, circunscrevendo as letras G.P.P., sigla que identificava a Guarda Policial Permanente. A reconstrução histórica desse primeiro emblema mostra a simplicidade do símbolo que inaugurou a identidade visual da corporação capixaba.
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O segundo marco surgiu em 1911, quando um novo distintivo passou a figurar na parte superior da entrada do antigo Quartel do Moscoso. O emblema trazia uma estrela amarela circundada, que se consolidou como referência visual e evoluiu novamente em 1957, quando recebeu um círculo azul com 24 estrelas, representando os 24 estados brasileiros da época. Essa estrela amarela passou a adornar capacetes e braçais e, mais tarde, se transformou na base do florão dos quepes utilizados por policiais militares em todo o país.

A versão atual do brasão foi concebida em 1966 pelo então aspirante João Manoel Freire, que desenvolveu o desenho no alojamento de oficiais do Corpo de Bombeiros. O projeto permaneceu guardado até 1969, quando recebeu aprovação do comandante-geral Cel Hilton do Vale e começou a ser implementado gradualmente na PMES. O Boletim do Comando Geral de 2 de dezembro de 1983 registra uma das primeiras aplicações oficiais do emblema.

Esse distintivo reúne elementos carregados de significado. A águia, inspirada na arquitetura do Palácio Anchieta, simboliza vigilância constante e a capacidade de observar o território de forma ampla. O escudo português reforça a ideia de proteção e o compromisso da corporação com a segurança dos capixabas. A presença de Tiradentes homenageia o patrono das polícias militares do Brasil e ressalta sua luta por liberdade e justiça.
As cores também traduzem valores institucionais. O amarelo representa a nobreza da missão policial e o dever de proteger o cidadão; o azul simboliza justiça e serenidade nas ações; o branco expressa paz; e o vermelho destaca a importância da vida.

Com quase dois séculos de evolução, os elementos presentes no brasão da PMES formam um emblema que preserva a memória da corporação e reforça os valores que orientam seu trabalho em defesa da população do Espírito Santo.
