Após a publicação do Serra Noticiário sobre o arquivamento da denúncia contra a gestão do pastor-presidente Altamir Firmino de Mattos na Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Carapina (IEADC), o vice-presidente, pastor Elielton Radis de Oliveira, procurou a redação do SN para questionar pontos da matéria. Em compromisso com o contraditório e o espaço aos citados, o Serra Noticiário ofereceu ao vice-presidente a oportunidade de apresentar sua versão dos fatos. A manifestação foi encaminhada por ele à redação, por meio de nota.
MP arquiva denúncia contra gestão do Presidente Altamir
Conforme já noticiado pelo SN, no mês de dezembro, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) decidiu arquivar uma denúncia que apontava supostas fraudes estatutárias, irregularidades administrativas e um passivo financeiro elevado envolvendo uma igreja evangélica na Serra. Após analisar documentos e ouvir envolvidos, a promotoria concluiu que não há indícios de crime, tratando o caso como conflito interno de gestão, a ser resolvido pela via cível/estatutária.
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A denúncia foi registrada em julho de 2024, em meio à disputa pelo comando da instituição, e partiu de um integrante ligado a um dos grupos em oposição à administração. As acusações citavam suposta alteração irregular de estatuto e dívida estimada em cerca de R$ 2 milhões, mas o MPES entendeu que os elementos apresentados não sustentam responsabilização criminal.
Os processos em torno do controle da IEADC permanecem em apreciação pela Justiça, não havendo, até o momento, decisão judicial definitiva que reconheça a ocorrência de fraude, adulteração estatutária ou responsabilidade civil ou penal.
Vice-presidente responde por meio de nota
O vice-presidente pastor Elielton Radis afirma que a crise na Assembleia de Deus em Carapina se intensificou após a intervenção da CADEESO e sustenta que houve adulteração do estatuto: segundo ele, o texto discutido e votado em assembleia teria sido registrado em cartório com alterações, sem cumprir o rito previsto. Na nota, Radis também relata episódios de tentativa de imposição de diretoria fora do calendário estatutário e diz que, ao se recusar a aceitar uma indicação que considerou irregular, a questão voltou ao plenário e ele acabou eleito primeiro vice-presidente. Ele acrescenta que a intervenção identificou diversas inconsistências e uma dívida aproximada de R$ 1,8 milhão, além de ter havido uma tentativa de conciliação para anular o estatuto “adulterado” e corrigir atas, mas que, segundo ele, isso não foi efetivado.
Ainda conforme a nota, após novas divergências, o pastor Altamir teria pedido perdão e solicitado jubilação, e a igreja teria deliberado pelo retorno ao estatuto anterior. Radis afirma que foi empossado como presidente interino com registro em ata e, em seguida, confirmado como presidente eleito em uma eleição realizada dentro do prazo, com presença de representantes da convenção e participação do próprio Altamir. Ele diz que o caso acabou judicializado, com disputa em torno da sede administrativa, e aponta que existem apurações em andamento para esclarecer responsabilidades sobre supostas adulterações e outros desdobramentos do conflito.
Confira abaixo na íntegra nota do Pastor Elielton Radis:
Atuação do interventor da CADEESO, pastor Geziel Nascimento, aprofunda crise institucional na Assembleia de Deus em Carapina
Intervenção, adulteração estatutária, judicialização e eleição confirmam Elielton Radis como presidente eleito com a maioria absoluta dos votos
Reforma estatutária e adulterações constatadas
Em 2021, o pastor Altamir Firmino de Mattos, então presidente da Assembleia de Deus em Carapina promoveu a reforma do Estatuto Social. Durante a Assembleia Geral, todo o texto — composto por 144 artigos, parágrafos e incisos — foi integralmente lido, debatido e submetido à apreciação do plenário. Nenhum dispositivo foi aprovado sem amplas discussões e sem a apresentação de propostas alternativas, muitas das quais prevaleceram sobre aquelas apresentadas pela Comissão de Reforma.
O objetivo central da proposta defendida pelo então presidente, Altamir Firmino de Mattos, era alterar o Estatuto para permitir que o presidente indicasse diretamente o vice-presidente, secretário, tesoureiro e o Conselho Fiscal. Tal proposta, contudo, foi rejeitada pelos obreiros, mantendo-se o modelo democrático de eleição, conforme previsto no Estatuto anterior.
Apesar da rejeição em plenário, foi posteriormente registrado em cartório um Estatuto adulterado, em desacordo com o texto efetivamente aprovado pela Assembleia Geral. Além disso, o rito estatutário e o próprio Código Civil não foram respeitados, uma vez que a reforma deveria, obrigatoriamente, ter sido submetida também à Assembleia Geral com todos os membros da Igreja antes do registro, o que não ocorreu.
Tentativa de imposição e eleição legítima
Em novembro de 2022, contrariando o Estatuto que previa eleições no primeiro domingo de dezembro, foi convocada Assembleia Geral para a composição da diretoria. Na ocasião, o então presidente retirou a diretoria da nave da Igreja, diante de todos os obreiros, e conduziu os envolvidos ao gabinete pastoral, tentando impor a indicação da diretoria inclusive do primeiro vice-presidente sem qualquer respaldo estatutário.
Diante da recusa do pastor Elielton Radis em aceitar a indicação irregular, o caso retornou ao plenário, que rejeitou a proposta de forma expressiva. Realizada a eleição conforme o Estatuto, o pastor Elielton Radis foi eleito primeiro vice-presidente, obtendo 102 votos, em disputa com outros três candidatos, com ampla maioria.
Posteriormente, verificou-se que a ata da Assembleia não retratava fielmente os fatos ocorridos e era embasado por referência direta ao Estatuto adulterado. Por essa razão, o pastor Elielton recusou-se a assiná-la.
Intervenção, conciliação frustrada e descoberta de dívidas
Diante do impasse, o caso foi levado à Convenção, que instaurou intervenção administrativa. O interventor nomeado, foi o pastor Geziel Nascimento, primeiro secretário da CADEESO, identificou mais de 20 adulterações no Estatuto, além da existência de uma dívida aproximada de R$ 1,8 milhão, contradizendo relatórios financeiros apresentados anteriormente como positivos em assembleias periódicas.
Em tentativa de conciliação, ficou acordado e aprovado pela maioria dos obreiros:
• o desligamento dos responsáveis pelas adulterações;
• a anulação do Estatuto adulterado;
• a correção da ata da Assembleia.Entretanto, tais medidas não foram efetivamente cumpridas.
Tentativa de acordo informal e conflito de interesses
Segundo relatos, o pastor Geziel Nascimento, juntamente com o pastor Arnaldo Candeias, presidente da Convenção CADEESO, realizou reunião reservada com o objetivo de construir um acordo informal envolvendo o pastor jubilado Altamir Firmino de Mattos.
O acordo buscava evitar o desligamento definitivo de Altamir, mesmo após confirmada sua responsabilidade direta na adulteração do Estatuto. Como alternativa, foi proposta uma solução sem qualquer amparo estatutário, pela qual o pastor Altamir transferiria a presidência diretamente ao próprio interventor, contrariando frontalmente o Estatuto da Igreja.
O referido acordo previa ainda o pagamento de valores considerados excessivos e sem respaldo legal ou estatutário, incluindo aproximadamente meio milhão de reais, além da concessão de prebenda vitalícia no valor de cinco salários mínimos, apesar de Altamir já se encontrar aposentado pelo INSS no teto máximo, benefício anteriormente custeado pela própria Igreja.
A proposta foi rejeitada pelo plenário do campo, o que levou ao fracasso do acordo. Após isso, mesmo tendo assinado ata com reconhecimento de firma que concedia posse ao pastor Elielton Radis como presidente interino, o interventor passou a questionar o reconhecimento da posse, evidenciando, segundo a atual gestão, interesse pessoal em assumir a presidência do campo.
Posse, eleição e confirmação do presidente
Diante do impasse institucional, foi realizada Assembleia Geral sob responsabilidade da Convenção. Na ocasião, o pastor Altamir Firmino de Mattos pediu perdão à Igreja e solicitou jubilação, que foi aprovada por quase unanimidade dos membros presentes, com aceitação formal da própria Convenção. Inclusive mencionou que tinha feito um requerimento junto a convenção CADEESO com os termos da jubilação.
Em razão da adulteração comprovada, o campo deliberou pelo retorno imediato ao Estatuto anterior. Na mesma Assembleia, Elielton Radis foi empossado como presidente interino, com aval do plenário e da Convenção, conforme ata assinada pelo interventor, pelo presidente da Convenção, pelo pastor jubilado, por secretários e demais autoridades eclesiásticas.
Cumprindo rigorosamente o Estatuto, foi convocada nova eleição dentro do prazo legal, ocorrendo em 28 dias. O processo contou com a presença do primeiro vice presidente e do segundo secretário da Convenção CADEESO e com a presença do próprio Altamir Firmino de Mattos, que votou, assinou a ata, aconselhou o eleito e concedeu-lhe a bênção pastoral.
A eleição confirmou Elielton Radis como presidente eleito do campo, com a maioria absoluta dos votos, em processo considerado legítimo, transparente e respaldado estatutariamente.
Judicialização e manobras posteriores
Após a recusa da Igreja em aceitar pagamentos indevidos acordado anteriormente com Pr Geziel Nascimento, foi ajuizada medida protetiva às vésperas do recesso judicial, utilizada para retomar a sede administrativa. Cadeados foram trocados, segurança patrimonial foi contratado e a sede permaneceu fechada.
Apesar de decisão judicial autorizando o pastor Elielton Radis a exercer seu ministério na sede, ele optou por não frequentá-la temporariamente, a fim de evitar maiores escândalos e preservar membros com menor maturidade espiritual, especialmente jovens e crianças. Atualmente, administra o campo com apoio maciço das congregações e a maioria dos obreiros e membros, sendo a sede frequentada por um grupo minoritário, em grande parte ligado por laços familiares ao pastor Altamir.
Apurações institucionais
Paralelamente, com intuito de me intimidar foi aberta uma sindicância na Marinha do Brasil, onde o pastor Elielton Radis, é suboficial da instituição, respondeu formalmente às acusações. Ao final, sua inocência foi plenamente comprovada, e os autos foram encaminhados ao Ministério Público.
No âmbito civil e criminal, há investigação em curso, por determinação judicial, para apuração da adulteração de documentos, responsabilidades administrativas e eventuais ilícitos decorrentes dos fatos narrados.
Me coloco à disposição para qualquer esclarecimento!
Vice-presidente (IDEADC), Pr. Elielton Radis
O Serra Noticiário reforça que permanece à disposição para ouvir e publicar a manifestação de todos os envolvidos e citados neste caso.
