A Câmara Municipal da Serra (CMS), que tem 23 cadeiras, passará a pagar salários a 27 vereadores, mesmo tendo apenas 22 em exercício. O aumento ocorre após a posse dos quatro suplentes, realizada nesta última segunda-feira (02), em substituição aos vereadores afastados pela justiça, que continuam recebendo normalmente, assim como o vereador que segue preso. Isso representa um aumento de gastos com o dinheiro do contribuinte.
A partir do fim de fevereiro, a Câmara da Serra passa a pagar 27 subsídios, cada um no valor de R$ 17.681,99, mesmo sem ampliar a estrutura do Legislativo nem entregar mais trabalho para a população.
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Isso ocorre porque quatro vereadores afastados por suspeitas de corrupção seguem recebendo normalmente, ao mesmo tempo, em que os suplentes recém-empossados assumem as cadeiras e passam a receber o mesmo subsídio. Além disso, há um vereador preso desde dezembro — há mais de 45 dias — que também permanece na folha, mesmo recolhido ao sistema prisional. Ou seja: a Câmara da Serra passa a conviver com a distorção de manter salários para quem não exerce mandato, enquanto paga também para quem passou a ocupar o lugar.
E a situação pode piorar. Se a Câmara da Serra convocar para posse do suplente do vereador preso, o município corre o risco de ampliar ainda mais o ralo de dinheiro público: uma cadeira com dois contracheques, mantendo o titular recebendo na cadeia e, ao mesmo tempo, pagando o suplente em plenário.
Chama atenção que, na gestão anterior, apesar das polêmicas, a Câmara da Serra ainda devolvia milhões aos cofres da Prefeitura. Já no fim de 2025, o cenário virou: o atual prefeito teve que enviar R$ 4 milhões para a Presidência da Câmara conseguir fechar as contas. Se não conseguiu fechar no azul pagando 23 salários, imagina pagando 27 — ou até 28, se a folha inflar com a posse do suplente do vereador preso.
A forma de encerrar essa farra com dinheiro do contribuinte, passa pelo plenário: por meio de cassação parlamentar.
Se a maioria dos políticos da Serra fossem sérios e comprometidos com o dever público, vereadores flagrados em gravações de áudio admitindo a venda de votos e um vereador filmado agredindo policiais militares já teriam sido todos cassados. Mas infelizmente, o que prevalece é o corporativismo do “amanhã posso ser eu”, que empurra a conta para a população e protege quem tem mandato.
Esse desgaste se soma a outro fator que já irritou a cidade: na legislatura passada, os vereadores aprovaram um aumento de quase 90% nos próprios subsídios, que passou a valer em 2025. Manter salários para vereadores afastados e presos, só reforça a sensação de que falta gente fazendo política com seriedade, respeito ao contribuinte e compromisso com o interesse público.
Este editorial reflete a opinião do Serra Noticiário (SN).
