Na sexta-feira (06), durante a abertura oficial do Carnaval de Vitória 2026, no Sambão do Povo, uma cena exibida ao vivo pelas transmissões do evento mexeu com o tabuleiro político do Espírito Santo. Os prefeitos Lorenzo Pazolini (Rep) e Arnaldinho Borgo (PSDB) apareceram juntos na entrada da avenida, caminharam lado a lado e dividiram o protagonismo diante das câmeras.
A imagem não ficou restrita à transmissão. Pouco depois, o próprio Arnaldinho publicou a foto em seu perfil no Instagram, com a legenda: “Abertura do #Carnaval do Brasil! Um encontro de alegria, confraternização, união e paz. Que comece a festa!” A postagem, pública e amplamente compartilhada, reforçou o simbolismo de uma cena que já tinha chamado atenção de quem acompanhava o evento pela TV.
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Possível união dos prefeitos assustou os ocupantes do Palácio Anchieta
O impacto político do momento não está apenas no encontro em si, mas no histórico. Arnaldinho sempre foi identificado como aliado do grupo que comanda o Palácio Anchieta, enquanto Pazolini construiu sua trajetória como adversário direto desse campo político. Ver, portanto, um ex-aliado do governo estadual dividindo a avenida com um dos principais nomes da oposição é, por si só, um fato político — ainda que ninguém precise dizer isso em voz alta.
As imagens da transmissão mostraram também outras autoridades presentes, entre elas o governador Renato Casagrande (PSB) e o vice-governador. Em determinado momento, enquanto os dois prefeitos ocupavam o centro da cena, o constrangimento ficou evidente no semblante do governador. A leitura foi imediata para quem acompanha política: o protagonismo não estava no Palácio Anchieta, mas na dupla que surgia como novidade naquele enquadramento.
E o gesto foi claro: dois prefeitos de cidades estratégicas da Grande Vitória, juntos, no maior palco público do Estado.
O Carnaval sempre foi espaço de recados — e este veio cedo. A poucos passos da avenida, o calendário ainda diz festa; nos bastidores, porém, o relógio já aponta para 2026. Quando até então, um aliado do governo estadual aparece publicamente ao lado de um adversário direto, o sinal emitido é de reposicionamento, ainda que embrulhado em confete e serpentina.
Se essa aproximação vai render desdobramentos ou se ficará restrita ao simbolismo do momento, o tempo dirá. O fato incontestável é que o Carnaval começou com samba, mas terminou com política pegando fogo.
