Na noite do último sábado (21), um soldado da Polícia Militar (PMES), Marcelo Ramos Araújo, de 32 anos, foi preso após agredir a esposa de 26 anos, que também é soldado policial militar, no bairro Jardim Camburi, em Vitória. Durante as agressões, o soldado arrastou a vítima para fora do carro, jogou-a no chão e ainda desferiu um golpe na cabeça. Além disso, também deu um soco em um sargento ao resistir à prisão.
De acordo com os militares que atenderam à ocorrência, a equipe realizava patrulhamento nas proximidades de um supermercado quando foi acionada para verificar uma briga no estacionamento do estabelecimento. Ao chegarem ao local, os policiais militares constataram que havia uma confusão envolvendo três pessoas: dois policiais militares e um homem.
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Agressões
A reportagem do Serra Noticiário teve acesso a imagens que mostram o momento em que o soldado puxa a mulher para fora do veículo pelo pé e a lança no chão. Em seguida, o suspeito acerta um tapa no rosto da vítima, que estava caída e indefesa. Após as agressões, um homem que aparenta conhecer o casal tenta contê-lo e afastá-lo da vítima.
Outros quatro homens, aparentemente seguranças do supermercado, indignados com a situação, se aproximam e afirmam que não permitiriam que ele continuasse agredindo a mulher. Apesar da tensão, um dos presentes tenta acalmar os ânimos até a chegada da Polícia Militar.
Descontrolado
Com a chegada dos militares, a equipe deu ordem de parada a um homem sem camisa, identificado como soldado, que se encontrava bastante alterado e desrespeitou a guarnição. Segundo o boletim, ele empurrou os policiais militares na tentativa de continuar as agressões.
Ainda conforme o registro, o suspeito passou a proferir ameaças contra os militares de serviço e recebeu voz de prisão. Mesmo após a ordem, ele permaneceu exaltado, o que levou a equipe a solicitar apoio via rádio, considerando sua condição física e o comportamento agressivo.
O tempo fechou
Outras equipes compareceram ao local e tentaram dialogar com o indivíduo, mas ele continuou alterado. Durante a tentativa de algemação, o suspeito desferiu um soco no rosto do CPU, um sargento da PM, quebrando seus óculos. Nesse momento, para cessar a nova agressão, os policiais militares que estavam no local intervieram e realizaram a imobilização do soldado, utilizando instrumentos de menor potencial ofensivo, como bastão e spray de pimenta, até conseguirem contê-lo.
Vídeo YouTube SN:
Histórico de ameaças contra a esposa
A mulher relatou que já havia se afastado anteriormente do agressor e que, mesmo assim, ele tentou retomar contato diversas vezes de forma insistente. Segundo ela, ao reencontrá-la no estacionamento, o indivíduo a retirou de maneira brusca do interior do veículo e iniciou as agressões físicas.
A vítima afirmou ainda que as agressões e ameaças eram constantes. De acordo com o relato, o suspeito exercia controle sobre sua vida financeira por meio de intimidações, ameaçando matá-la ou provocar lesões permanentes. Ela contou que ele dizia que atiraria em seus joelhos e em suas mãos, com o objetivo de deixá-la aleijada. Parte dessas ameaças foi confirmada pela equipe por meio de registros de mensagens enviadas pelo agressor ao WhatsApp da vítima.
O SN teve acesso a alguns prints, que demonstram que o soldado não aceita o fim do relacionamento com a vítima e faz diversas ameaças, sem qualquer pudor.
Testemunhas
Funcionários responsáveis pela segurança do supermercado informaram que viram quando o suspeito derrubou a mulher no chão e passou a agredi-la com golpes na região da cabeça. A vítima apresentava marcas pelo corpo e declarou que pretende solicitar medidas protetivas de urgência, além de registrar representação formal contra o agressor.
Em razão dos fatos, os militares recolheram a arma da policial envolvida, seguindo orientação do oficial de serviço, e adotaram os procedimentos administrativos necessários.
Na Polícia Civil, o PM acabou em casa
O suspeito foi encaminhado à Delegacia Regional de Vitória, algemado e transportado no compartimento de segurança da viatura. A ocorrência foi apresentada ao delegado de plantão para as providências cabíveis.
Em nota, a Polícia Civil informou que o conduzido foi autuado em flagrante pelos crimes de lesão corporal, injúria e ameaça, no contexto da Lei Maria da Penha, além de ameaça, resistência e desacato. Após a formalização dos procedimentos legais, ele foi encaminhado ao presídio militar, situado no Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar do Espírito Santo.
Polícia Militar se manifestou sobre o caso
A Polícia Militar, por meio de nota, disse que o soldado Marcelo permanece preso, à disposição da Justiça, e que deverá passar por audiência de custódia. A PM confirmou, ainda, que a vítima solicitou a medida protetiva de afastamento do soldado.
A PM também informou que a corregedoria vai instaurar um Inquérito Policial Militar (IPM) para apuração rigorosa dos fatos. O caso será encaminhado ao Ministério Público Militar e à Auditoria de Justiça Militar, órgãos responsáveis pelo acompanhamento e fiscalização das medidas legais cabíveis.
“Os possíveis enquadramentos no Código Penal Militar serão avaliados no curso das investigações. Havendo comprovação de irregularidades, o policial poderá sofrer as sanções administrativas e penais previstas em lei, incluindo a possibilidade de exclusão da corporação, conforme o resultado das apurações. A Polícia Militar do Espírito Santo reafirma que todas as ocorrências são apuradas com responsabilidade, transparência e dentro dos princípios legais”, conclui a PM.
