Em agosto, uma reunião entre o deputado estadual Pablo Muribeca (Republicanos) e o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), rendeu foto, nota oficial e manchetes em vários veículos do Espírito Santo, inclusive no Serra Noticiário. Naquele momento, o encontro foi tratado como um gesto político relevante, mas sem mergulho profundo nos bastidores. Agora, a coluna Chico Prego apurou que a aproximação vai muito além da boa vizinhança entre Serra e Cariacica: Aliança entre Muribeca e Euclério, pode preocupar os planos da família Vidigal na maior cidade do Estado.
Pablo Muribeca saiu das eleições de 2024 como um dos principais nomes da política serrana. Foi segundo colocado na disputa pela Prefeitura da Serra, deixando o histórico ex-prefeito Audifax Barcelos fora do segundo turno. No confronto final, ultrapassou a marca de 90 mil votos, o que correspondeu a quase 40% dos eleitores que compareceram às urnas. Esse desempenho credenciou o “homem do chapéu” como uma das principais lideranças políticas da cidade. Nos bastidores, ainda não está definido se ele tentará a reeleição como deputado estadual ou se buscará uma vaga na Câmara Federal. Enquanto a decisão não vem, a Coluna Chico Prego apurou que Muribeca já costura um arco de alianças. Na disputa para o governo do Estado, ele tende a caminhar com o colega de partido, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini. Para o Senado, o parlamentar já declarou estar ao lado de Euclério.
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Aliança cada vez mais forte entre Muribeca e Euclério
Interlocutores de Muribeca ouvidos pela coluna relatam que o deputado não poupa elogios ao prefeito de Cariacica. Diz que ambos se identificam como representantes de uma direita moderada, e que a afinidade entre eles vai além do discurso político.
Em Cariacica, o nome de Euclério hoje é praticamente consenso. Ele foi reeleito em 2024 com mais de 88% dos votos, resultado tratado por aliados como reflexo direto do reconhecimento ao seu trabalho. Desde que passou a ser cogitado como pré-candidato ao Senado, o prefeito cariaciquense começou a receber apoios de diversos grupos em regiões do Estado. Trazer Muribeca e uma fatia importante do eleitorado da Serra para esse projeto amplia ainda mais o alcance dessa candidatura.
Nesse cenário mais amplo da política capixaba, a aliança entre Muribeca e Euclério chama atenção, por estarem em grupos opostos.
Aliança de Muribeca incômoda clã Vidigal
A coluna Chico Prego ouviu aliados de Sérgio e Sueli Vidigal que admitem, em reservado, que qualquer aliança que fortaleça o nome de Muribeca é vista como ameaça direta aos planos da família.
O ponto que mais preocupa o grupo não é só a força de Muribeca na cidade, mas a combinação de três fatores: desempenho recente nas urnas, alianças consistentes e, sobretudo, estrutura partidária. Em 2022, a própria Sueli Vidigal foi candidata a deputada federal e recebeu mais de 80 mil votos. Mesmo assim, não conseguiu se eleger por falta de legenda, apesar de ser esposa do então prefeito e de acumular capital político expressivo. Esse episódio ficou marcado no grupo como um alerta duro: nem sempre muitos votos se converte em mandato quando a engrenagem partidária não ajuda.
É justamente essa lembrança que acende o sinal amarelo agora. O raciocínio dentro do clã Vidigal é simples: o filho, se vier candidato, tende a ser bem votado, pelo capital político da família e pela máquina da Serra, mas pode enfrentar o mesmo problema da mãe em 2022, que mesmo bem votada, ficou sem a vaga por ausência de uma legenda competitiva. Muribeca, por outro lado, mesmo que tenha menos votos, pode acabar eleito se estiver ancorado em um partido forte e bem posicionado na disputa de quociente eleitoral.
Hoje, o projeto da família Vidigal, que possui controle histórico no PDT, encontra dificuldades para formar uma chapa competitiva para federal. Dessa forma, busca outro partido, mas esbarra na dificuldade de encontrar um partido com boa estrutura que aceite abrigar a candidatura do herdeiro político. Enquanto isso, Muribeca está no Republicanos, sigla considerada competitiva no cenário capixaba e comandada no estado pelo Erick Musso, que é visto nos bastidores como um articulador habilidoso. A diferença é clara: de um lado, um grupo com grande capital eleitoral, mas travado na questão partidária; de outro, um deputado com recall recente, boa votação na Serra, imagem em ascensão e um partido organizado por trás.
Na prática, isso cria um desequilíbrio de largada. Qualquer movimento de Muribeca — seja uma reunião, uma foto ou um apoio declarado a Pazolini e Euclério — passa a ser lido, dentro e fora da Serra, como mais um passo rumo a uma candidatura federal viável.
Se esse desenho se confirmar na urna, com Muribeca candidato a deputado federal, Pazolini ao governo e Euclério ao Senado, a disputa deixa de ser apenas uma briga por espaço na Serra e passa a ser uma batalha direta por protagonismo na política capixaba. E, nesse jogo, o risco de a família Vidigal ver o filho bem votado, mas sem cadeira federal, enquanto o “homem do chapéu” pode ir para Brasília, está no centro das preocupações do grupo, visto como uma ameaça ainda maior para 2028.
A Coluna Chico Prego segue acompanhando cada movimento desses personagens, porque, na política da Serra, às vezes um simples café entre lideranças diz mais sobre o futuro do que qualquer discurso em palanque.
