Com a chegada da primavera na última segunda-feira (22) e a previsão de ondas de calor em todo o Brasil, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL) lançou um apelo ao Governo Federal para retomar o horário de verão a partir de 2026. A medida, extinta em 2019 durante o governo de Jair Bolsonaro, é vista como uma ferramenta estratégica para reduzir o consumo de energia no pico da tarde, evitar apagões e impulsionar a economia.
ABRASEL pede retorno do Horário de Verão
O aumento das temperaturas historicamente eleva a demanda por energia, especialmente entre as 18h e 21h, quando o uso de ar-condicionado, iluminação e eletrodomésticos atinge seu ápice. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já alertou: o risco de interrupções no fornecimento de energia pode saltar de 10% para 30% entre 2026 e 2027 — um patamar considerado “inaceitável” pela entidade.
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“O horário de verão vigorou no Brasil por 34 anos, e foi uma medida extremamente exitosa. Ele ajudou a economizar energia, reduziu riscos sistêmicos e favoreceu o setor de comércio e serviços, especialmente bares e restaurantes. Este ano, o risco é ainda maior.“
Paulo Solmucci
Presidente-executivo da ABRASEL
Horário de Verão foi extinto em 2019
O horário de verão existiu no Brasil por 88 anos, com interrupções, e vigorou ininterruptamente por 34 anos até sua extinção em 2019. Durante esse período, foi adotado nos estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde os ganhos energéticos eram mais expressivos.
Na época da suspensão, o argumento do governo federal foi de que mudanças nos hábitos de consumo — com maior uso de eletricidade na parte da tarde — teriam reduzido a efetividade da medida. No entanto, novos estudos e a pressão climática atual colocam esse entendimento em xeque.
ABRASEL aponta benefícios além da economia de energia
Para a ABRASEL, o impacto positivo vai muito além das contas de luz. O horário de verão traz ganhos diretos para o setor produtivo:
- Bares e restaurantes: crescimento de faturamento entre 10% e 15% ao mês, com maior fluxo de clientes entre 18h e 21h, quando o sol ainda está claro.
- Varejo: redes de lojas relataram aumento de 3% a 5% nas vendas no período.
- Turismo: destinos turísticos registraram maior movimentação noturna, com eventos, passeios e gastronomia aproveitando a luminosidade natural por mais tempo.
“O setor de varejo também se beneficiava, com grandes redes relatando aumento de 3%, 4% ou até 5% nas vendas, isso sem falar na movimentação no setor turístico. Portanto, esperamos uma decisão rápida, para que toda a população se planeje e a sociedade possa aproveitar ao máximo os benefícios dessa medida”
Paulo Solmucci
Embora o apelo da ABRASEL, o Governo Federal não vem apresentando sinais de que possa retornar com o Horário de Verão. Isso porque, o argumento usado em 2019, de que mudanças no estilo de vida do brasileiro diminuíram a eficácia da medida, parece ainda pesar nas decisões sobre esse tema.
O Serra Noticiário continua acompanhando o caso de perto e trará atualizações assim que possível.
