Na última sexta-feira (02), a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) prendeu Marcos Luiz Pereira Junior, de 30 anos, um dos criminosos mais procurados do estado, durante uma operação realizada no bairro Jardim Limoeiro, no município da Serra. A ação reuniu equipes do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria da Segurança Pública (SESP), da Superintendência de Polícia Especializada e da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE).
O alvo da operação, conhecido como “MK”, é investigado por exercer função de alta relevância na organização criminosa Terceiro Comando Puro (TCP). Segundo as investigações, ele atuava como homem de confiança dos chamados Irmãos Vera, apontados como lideranças da facção, e possuía amplo poder de decisão dentro do grupo criminoso.
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A prisão foi resultado de um trabalho contínuo de inteligência, que incluiu monitoramento das atividades do investigado e o cruzamento de informações estratégicas. A confirmação do paradeiro de Marcos ocorreu após uma denúncia anônima recebida pelo Disque-Denúncia 181, poucas horas antes da ação policial, o que permitiu a montagem rápida e precisa da operação.
Esquema criminoso
De acordo com a Polícia Civil, Marcos comandava um esquema estruturado de extorsão, baseado na cobrança de taxas ilegais de empresários e de serviços essenciais, como internet, gás e água, para autorizar a atuação dessas atividades em áreas controladas pela facção. Esse modelo, segundo as investigações, foi inspirado em práticas já adotadas por organizações criminosas no Rio de Janeiro.
As apurações apontam que esse esquema financeiro era robusto. Durante a Operação Conexão Perdida, deflagrada no Rio de Janeiro, a Polícia Civil identificou a existência de um banco clandestino ligado à organização criminosa, que movimentou cerca de R$ 43 milhões em poucos meses, com recursos oriundos do Espírito Santo.
As investigações indicam que Marcos exercia influência direta sobre bairros de Vitória, como Itararé, Tabuazeiro, Engenharia, Santos Dumont, Cruzamento e Conquista, além da região de Nova Almeida, na Serra. Em alguns casos, a pressão criminosa teria levado empresários a encerrar as atividades por não suportarem as extorsões.
Home Office do crime
Mesmo fora do Espírito Santo, Marcos continuava à frente das ações criminosas. As investigações apontam que ele permanecia no Rio de Janeiro, de onde comandava a facção de forma remota, por meio de videochamadas e aplicativos de mensagens. Quando retornava ao estado, atuava como elo estratégico entre integrantes do TCP no Espírito Santo e o núcleo da facção sediado no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro.
Narcotráfico e homicídios
A Polícia Civil atribui ao investigado envolvimento direto com o tráfico de drogas em larga escala, além de participação em diversos assassinatos. Marcos estava foragido do sistema prisional desde abril de 2022 e, em 2024, foi condenado a 69 anos de prisão por crimes como homicídio qualificado, tráfico de drogas e extorsão.
No momento da prisão, ele também foi autuado em flagrante por posse de arma de fogo de uso restrito. Segundo a polícia, o armamento e a presença de segurança indicavam prontidão para possíveis confrontos, o que elevou o grau de risco da operação, executada sem troca de tiros.

Lista dos mais procurados do Brasil
Em razão do histórico criminal e da posição estratégica dentro da facção, Marcos chegou a integrar a lista dos criminosos mais procurados do Brasil, elaborada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em dezembro do ano passado. Ele era considerado um alvo prioritário tanto pelas forças de segurança estaduais quanto federais.
A Polícia Civil destacou que a prisão representa um golpe significativo contra a estrutura do Terceiro Comando Puro no Espírito Santo e afirmou que as investigações continuam, com foco na identificação de outros integrantes, no enfraquecimento da cadeia financeira da facção e na interrupção das conexões criminosas entre o estado e o Rio de Janeiro.
Durante a coletiva, o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, ressaltou a relevância da ação e afirmou que a captura de Marcos Luiz Pereira Junior é considerada mais importante do que a prisão do criminoso conhecido como Marujo, em razão do papel estratégico que o investigado exercia dentro da organização criminosa.
