Nesta quinta-feira (23), a Polícia Civil (PCES), divulgou a conclusão da investigação sobre o assassinato do corretor de imóveis Robson Carmo da Conceição, de 38 anos, ocorrido no dia 5 de setembro deste ano, em Vila Nova de Colares, no município da Serra. O crime foi motivado por vingança. De acordo com as investigações, Robson vendeu um terreno que já possuía outro proprietário ao pedreiro Diondreson do Nascimento Santos, conhecido como “Bidu”, de 36 anos. Após descobrir o problema e ser despejado, o comprador decidiu matar o corretor.
O delegado Paulo Ricardo Gomes, adjunto da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, explicou que Robson vendeu o terreno em 2023. No ano seguinte, um oficial de Justiça notificou Diondreson de que ele teria 15 dias para deixar o imóvel. O pedreiro, que morava no local com as duas filhas e já havia trabalhado com Robson, passou a questionar o corretor sobre a situação, mas não obteve resposta.
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Planejamento do assassinato
No início de 2025, após ser despejado, Diondreson começou a planejar o assassinato. Para executar o crime, ele contou com o apoio de três cúmplices: Maxsuelder Rodrigues de Oliveira, de 20 anos, Joicilangela Jesus de Oliveira, de 37, e um adolescente de 16 anos. Os três adultos estão presos.



Emboscada criada para o corretor
Um dia antes do homicídio, Diondreson procurou o ex-enteado adolescente e revelou o plano de matar o corretor. O jovem, que inicialmente se recusou a participar, acabou cedendo após o pedreiro afirmar que ele ajudaria apenas de forma indireta.
Para atrair Robson, o pedreiro criou um perfil falso de uma mulher no WhatsApp e iniciou contato com a vítima simulando interesse em vender uma casa.
Segundo Diondreson, ele sabia que o corretor costumava ser receptivo a esse tipo de abordagem por ser “mulherengo”. A mulher usada no perfil era Joicilangela, ex-namorada de Diondreson, que também participou do crime. Pelo WhatsApp, ela combinou um encontro com Robson para o dia 5 de setembro, em Vila Nova de Colares.
No dia do crime, Diondreson saiu de casa por volta das 15h, passou no Terminal de Carapina para buscar Joicilangela, depois pegou o adolescente e Maxsuelder, e juntos seguiram para o bairro onde ocorreria o encontro. Joicilangela ficou no ponto combinado com o corretor, próximo a uma escola, enquanto o trio seguiu para a casa do pedreiro, onde aguardou a vítima.
Última mensagem do corretor
Câmeras de segurança registraram o carro de Robson, um Kia Sportage, parando na rua onde o encontro havia sido marcado. Em seguida, ele acompanhou Joicilangela até a casa de Diondreson, a cerca de 15 minutos do local. Desconfiado da situação, Robson enviou uma mensagem para sua irmã informando que algo estava errado. “Olha, se eu não responder você em 20 minutos, chama a polícia e vem para essa localização porque tem algo errado.”
Vingança
Assim que entrou na casa, o corretor foi rendido e amarrado em uma cadeira por Diondreson, Maxsuelder e o adolescente, que estavam armados com simulacros de fuzil e pistola. Preocupada com a mensagem, a irmã da vítima foi até o local, viu o carro de Robson estacionado e começou a chamá-lo. O corretor respondeu com a voz abafada, pedindo socorro, mas os gritos cessaram logo em seguida.

Execução e ocultação do corpo
De acordo com a investigação, o corretor tentou reagir, mas Diondreson bateu sua cabeça contra a parede até que ele desmaiasse e depois o asfixiou até a morte. Pouco depois, o pedreiro atendeu a irmã de Robson no portão e negou que o corretor estivesse no local.
A Polícia Militar (PMES) foi acionada e, ao chegar à residência, Diondreson permitiu a entrada dos militares. A equipe da PM não encontrou o corpo porque os criminosos haviam jogado o cadáver por cima do muro, em um terreno baldio. Os policiais militares orientaram a família a registrar o desaparecimento. Após a saída da equipe da PM, o pedreiro recolocou o corpo dentro da casa, com a ajuda de uma escada, e o colocou no porta-malas do carro. Em seguida, dirigiu até Manguinhos, onde jogou o corpo em uma lagoa.
Descoberta e confissão
Mais tarde, os familiares voltaram à casa e encontraram manchas de sangue no muro e na escada. Chamaram novamente a PM, que retornou ao local. Diondreson já havia limpado o imóvel, mas deixou na máquina de lavar os panos usados para remover o sangue. Os militares pediram para ver o interior da máquina e encontraram as roupas ensanguentadas. Confrontado, o pedreiro confessou o crime.
Diondreson foi preso pelos crimes de homicídio qualificado, corrupção de menores e ocultação de cadáver. Maxsuelder e Joicilangela também respondem por homicídio qualificado e permanecem presos. O adolescente irá responder por ato infracional análogo aos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Mais informações e detalhes do caso podem ser acompanhados por meio das falas do delegado Paulo Ricardo Gomes, adjunto da DHPP Serra. Confira no vídeo abaixo:
