Na última sexta-feira (25), uma criança de 5 anos, matriculada no CMEI Leila Theodoro, no bairro Novo Horizonte, sofreu cortes profundos nos dedos da mão esquerda após se acidentar com um prato de vidro durante o horário de refeição na creche.
Segundo os pais, a menina caiu enquanto se locomovia com o prato na mão, o que causou a quebra do vidro e os ferimentos. A família relata que a direção da creche levou a criança ao Hospital Materno Infantil da Serra, mas não informou imediatamente os pais sobre o acidente, nem deu explicações claras de como ele ocorreu.
Leia Mais ∎
A reportagem do Serra Noticiário entrou em contato com a Prefeitura Municipal da Serra (PMS) para buscar mais esclarecimentos sobre o caso, mas até o momento desta publicação não obteve respostas.
Família relata descaso e falta de comunicação da creche
A reportagem do Serra Noticiário conversou com a mãe da criança, que denunciou o que classificou como “total descaso” por parte da gestão da creche:
“Minha filha de 5 anos cortou dois dedos na creche hoje de manhã com um prato de vidro, pegaram ela, levaram no Materno Infantil e não me falaram nada. Não quiseram me explicar como ocorreu, não respondem minhas mensagens.”
Ela também afirmou que a equipe médica alertou sobre o risco de complicações:
“O médico disse que ela poderia ter perdido o dedo.” Além disso, há possibilidade de que a criança precise realizar fisioterapia para recuperar os movimentos dos dedos.
Pratos de vidro em creches da rede pública da Serra
De acordo com os pais da criança, a Secretaria de Estado da Educação (SEDU) os informou que todas as creches públicas da Serra utilizam pratos de vidro.
No entanto, pais e moradores questionam por que o material é usado rotineiramente, mesmo fora de eventos, e em um ambiente com crianças pequenas.
Pai cobra mudança e sugere alternativas seguras
O pai da criança relatou que os pontos foram mal feitos e que o ferimento está abrindo. Ele também destacou a contradição nas justificativas da prefeitura:
“Eles dizem que não podem usar prato de plástico por questão de higiene, que a Vigilância Sanitária proíbe. Ok, mas por que não usam inox? Por que não usam acrílico? Vidro no meio de crianças é muito perigoso.”
Ele comparou com as escolas particulares, que já utilizam materiais mais seguros: “As particulares usam inox. Por que a rede pública não pode fazer o mesmo?”
O casal afirma que a intenção é conscientizar a população e pressionar a Prefeitura da Serra para substituir os pratos de vidro por opções mais seguras, como acrílico, inox ou outro material resistente e não frágil.
Projeto de lei visa proibir uso de pratos de vidro em escolas do ES
Os próprios pais da menina que teve o dedo cortado destacaram a existência do Projeto de Lei (PL) 318/2024, apresentado em maio de 2024 na ALES, pelo deputado estadual Pablo Muribeca (Republicanos), que propõe a proibição do uso de pratos de vidro em todas as escolas do Espírito Santo.
No texto do projeto de lei, Pablo Muribeca pontuou que o objetivo era a prevenção de acidentes, uma vez que, já naquela época, o parlamentar havia recebido notícias de casos onde alunos teriam se cortado em acidentes com pratos de vidro.
“Fica proibido servir alimentos em pratos de vidro para crianças na educação infantil, nas unidades públicas e privadas, no âmbito do Estado do Espírito Santo.”
Atualmente, o projeto de lei está em tramitação na Assembleia Legislativa do ES (ALES). No texto do PL, as escolas só poderiam utilizar pratos de vidro em festividades ou em confraternizações escolares, desde que o uso pelas crianças seja supervisionado e acompanhado pelos genitores ou responsáveis formalmente junto à Escola.
Família afirma que irá denunciar ocorrência e tem todos os laudos
Após o acidente, os pais foram orientados a registrar o caso na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca). Também passaram pelo Departamento Médico Legal (DML), onde foram feitos todos os laudos médicos e documentação necessária. “Temos todos os laudos aqui, tudo que precisar. A intenção é que isso não aconteça com outra criança”, disse o pai.
A reportagem questionou se os pais cogitavam trocar a criança de creche após esse ocorrido. Segundo eles, já solicitaram a troca da matrícula do CMEI Leila Theodoro para outra unidade da Serra.
Reportagem entrou em contato com a Prefeitura da Serra
Diante dos relatos feitos pelos pais da criança, no último domingo (27), a reportagem do Serra Noticiário entrou em contato com a Prefeitura da Serra para questionar:
- Por quais motivos o CMEI disponibiliza pratos de vidro para crianças realizarem suas refeições
- A direção avalia substituir os pratos de vidro por pratos de plástico ou outro material não cortante?
- O CMEI notificou os pais da criança sobre o acidente de forma imediata e depois prestou os devidos esclarecimentos?
No entanto, até o momento desta publicação, não obtivemos respostas. O Serra Noticiário continua acompanhando o caso de perto e permanece no aguardo de uma resposta da prefeitura.
