A megaoperação policial no Rio de Janeiro, realizada na terça-feira (28 de outubro de 2025) contra membros da facção criminosa, Comando Vermelho, repercutiu fortemente no Plenário da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (ALES) nesta quarta-feira (29). Com 124 mortos — incluindo 4 policiais — e 81 presos (até o momento), a ação foi descrita como a mais letal da história do estado fluminense, gerando posicionamentos divergentes entre os deputados capixabas.
O presidente da ALES, Marcelo Santos (União), fez um discurso contundente em defesa da atuação do Estado. Ele lamentou as mortes, mas atribuiu a violência à reação armada dos criminosos, que, segundo ele, usaram drones com bombas e fuzis de guerra — “armamento que só vimos na Ucrânia”.
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“Bom seria que os policiais pudessem cumprir as decisões judiciais sem mortes, mas foram recebidos pelos bandidos até com maior poder de fogo do que a polícia. Usaram até drones para atirar bombas nos agentes públicos, coisas que a gente só viu na guerra da Ucrânia. (….) Isso somente aconteceu porque os bandidos atiraram contra policiais e, se atiram contra policiais, atiram contra o Estado, que está ali para defender a sociedade“
Marcelo Santos
Presidente da ALES
O parlamentar destacou que um dos bandidos mortos no Rio era do Espírito Santo, reforçando a necessidade de fechar as divisas e reforçar a segurança nas fronteiras estaduais.
“Se a Polícia se render, o crime fica com mais poder de fogo. Se a Polícia se acovardar, as facções vão agir. E, podemos esperar, eles vão vir para cá, como muitos já estão por aí, entre nós. Temos que nos preparar para fechar as divisas. Dentre os mortos no Rio de Janeiro, havia bandido do Espírito Santo. O nosso Estado tem que defender a população”
Marcelo Santos
Comando Vermelho é comparado a “poder paralelo” e terrorismo
Marcelo Santos classificou o Comando Vermelho como uma organização criminosa que atua como Estado paralelo, controlando não apenas o tráfico, mas também energia elétrica, TV a cabo, distribuição de gás e recrutamento de menores nas comunidades do Rio. Para ele, a facção representa uma ameaça nacional que já se expande para outros estados.
Ele também criticou o Congresso Nacional, acusando parlamentares de só agirem após tragédias:
“Passaram quatro, oito anos lá e não fizeram nada. Agora, depois dessas dezenas de mortes, vão aparecer para aprovar leis.”
Marcelo Santos
Minuto de silêncio com visões opostas
No início da sessão, o deputado Capitão Assumção (PL) solicitou um minuto de silêncio em homenagem aos quatro policiais mortos, chamados de “heróis”. A iniciativa foi apoiada por Delegado Danilo Bahiense, Lucas Polese (PL), Alcântaro Filho (Republicanos), Coronel Weliton (PRD) e Zé Preto (PP).

Lucas Polese afirmou que o crime organizado controla 28% do território nacional, mantendo “um quarto da população refém”. Já Zé Preto foi enfático ao afirmar que somente homenagearia os policiais “porque vagabundo não merece homenagem.”

Em contraponto, as deputadas Iriny Lopes (PT) e Camila Valadão (Psol) também respeitaram o minuto de silêncio, mas com uma ressalva: “É para todas as vítimas da megaoperação”, afirmou Camila, que classificou a ação como “a mais letal da história” e condenou o que chamou de “política de extermínio”.
O Serra Noticiário continua acompanhando as atividades da ALES de perto e trará atualizações assim que possível.
