Uma operação da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), liderada pela Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, resultou em três mortos, dois suspeitos baleados e várias prisões após confronto armado no dia 29 do mês passado, na localidade conhecida como Pantanal, em Serra Dourada II, na Serra. A ação contou com apoio da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES), da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE) e do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (NOTAer).
A operação já havia sido noticiada pelo Serra Noticiário, mas agora a reportagem traz detalhes inéditos após ter acesso aos relatórios da PMES e registros oficiais da ação, que descrevem a dinâmica completa do cerco, do confronto e das prisões.
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Alvo era chefe do tráfico responsável por ataques com mortes de inocentes
Conforme os documentos obtidos pelo SN, a operação tinha como objetivo cumprir mandados de prisão contra Luiz Fernando de Jesus Santos Brum, conhecido como “Barba” ou “Pezão”, apontado como autor de diversos homicídios na Serra, a maioria em Balneário de Carapebus. Contra ele, havia mandados expedidos pela 3ª Vara Criminal da Serra.

Relatórios indicam que o criminoso estava escondido na região do Pantanal, área conhecida pela geografia hostil, com alagados, brejos, vegetação densa e trilhas usadas por traficantes como rotas de fuga. Denúncias anônimas também informavam que “Barba” circulava escoltado por vários indivíduos fortemente armados.
Monitoramento com drones e atuação integrada das forças de segurança
Desde a segunda-feira (26), equipes da DHPP Serra passaram a monitorar a região com uso de drones, com apoio tático da PMES. Na quarta-feira (28), uma incursão preliminar foi realizada para reconhecimento do terreno e mapeamento das rotas de fuga.
Na quinta-feira (29), a partir das 6h, o monitoramento foi intensificado. Por volta das 11h, os policiais identificaram Luiz Fernando entrando em uma residência de dois pavimentos, usada como base do tráfico, portando um fuzil e acompanhado por pelo menos cinco indivíduos armados. Outros cerca de dez criminosos, também armados com pistolas e fuzis, faziam a segurança externa do local.
Diante do cenário, foi acionado o helicóptero do NOTAer para impedir fuga pela região de brejo, enquanto equipes da DHPP Serra avançaram pela Rua Papoula e equipes da CORE e da PMES realizaram o cerco por vias laterais, incluindo as ruas Primavera e Orquídea.
Confronto armado e mortes durante a progressão
Segundo os relatórios da PM, ao avançar pelo local, os policiais ouviram disparos vindos dos fundos das residências, indicando tentativa de fuga e confronto com as equipes do cerco. Em uma das casas, um indivíduo armado com pistola apontou a arma contra um policial, que reagiu em legítima defesa, efetuando disparos para cessar a agressão.
Em outra frente do cerco, a equipe se deparou com Luiz Fernando, armado com um fuzil calibre 5.56. Conforme descrito nos registros, ele ignorou a ordem de rendição e apontou a arma contra os policiais, sendo baleado na região da coxa. Outros criminosos que faziam sua escolta também confrontaram as equipes.
O confronto resultou em cinco suspeitos baleados, sendo três mortos no local. Os outros dois foram socorridos sob custódia. Os mortos estavam armados com pistolas Glock, algumas com seletor de rajada e mira a laser.
Prisões e apreensões
Após o confronto, Luiz Fernando foi socorrido, recebeu alta hospitalar e foi conduzido à DHPP Serra. Também foram presos Alex Sander Xavier dos Santos, Israel Rodrigues de Oliveira e Vitor Quenner, de 22 anos, que teve a prisão preventiva decretada.
Durante a operação, foram apreendidos:
- um fuzil calibre 5.56
- pistolas Glock
- carregadores e grande quantidade de munições
- rádios comunicadores
- drogas variadas
- aparelhos celulares, que serão submetidos à extração de dados
A Polícia Civil aponta que o fuzil apreendido era utilizado por Luiz Fernando em diversos ataques ocorridos no município da Serra.
Atuação do grupo criminoso e histórico de violência
De acordo com a DHPP Serra, Luiz Fernando é apontado como principal braço armado do PCV na Serra. Ele teria migrado do TCP para o PCV após desentendimentos internos e passou a atuar diretamente em ataques ligados à disputa territorial.
Entre os crimes atribuídos ao grupo estão homicídios em Balneário de Carapebus, um duplo homicídio com uso de uniformes falsos da Polícia Civil e o ataque ocorrido no bairro Santo Antônio, em Serra-sede, que resultou na morte de trabalhadores sem ligação com o crime.
Durante coletiva, o chefe da DHPP Serra, delegado Rodrigo Sandi Mori, afirmou que a prisão evitou novos ataques que estariam sendo planejados para a mesma noite da operação.
Nova apreensão de drogas após a operação
Horas depois do confronto, equipes da PMES, com apoio do canil K9, retornaram à região do Pantanal para buscas complementares. Em área alagada e de difícil acesso, o cão farejador indicou um ponto onde estavam escondidos 15 tabletes de maconha, totalizando cerca de 16 quilos da droga, posteriormente entregues à Polícia Civil.
Polícia reforça combate às facções na Serra
A DHPP Serra destacou que a maioria das operações é baseada em inteligência e estratégia, e que confrontos armados são exceção. O delegado reforçou que nenhuma facção irá se instalar no município da Serra e que homicídios estão sendo mapeados um a um.
