A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, concluiu as investigações sobre o homicídio de Cristiano da Costa Ferreira, conhecido como Teco, de 37 anos, ocorrido em 21 de junho de 2024, por volta das 23h, na Rua Iracema, bairro Vila Nova de Colares, Serra. O pedreiro foi executado com quatro disparos na região da cabeça e do rosto enquanto andava de bicicleta.
O autor do homicídio de Cristiano foi identificado pelas investigações como Higor Reis de Jesus, de 30 anos. Ele é o mesmo homem apresentado ontem durante coletiva da Polícia Civil, apontado como responsável pelos disparos que mataram do professor de jiu-jítsu e motorista de aplicativo Thiago Louzada Charpinel Goulart, de 43 anos, assassinado em uma emboscada planejada pela sogra em Vila Nova de Colares.
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Quem era a vítima
Cristiano era pedreiro, usuário de drogas, mas segundo testemunhas, não possuía atritos com o tráfico local. “Sempre comprava (drogas) e pagava, nunca teve problema com ninguém”, informou o delegado chefe da DHPP Serra, Rodrigo Sandi Mori, ao Serra Noticiário. O crime surpreendeu familiares e amigos, que o descrevem como uma pessoa tranquila. Ele deixou esposa e três filhos.

Dinâmica do crime
De acordo com as investigações da DHPP, Cristiano havia passado na casa de uma prima pouco antes do crime. No local também estava Higor, apontado como braço armado do tráfico na região e subordinado a Luiz Fernando, chefe do grupo que domina áreas como Rádio Paes e Campinho.
Durante a visita, Cristiano teria feito uma brincadeira com a prima, atual namorada de Higor. Extremamente ciumento, Higor não gostou da atitude e decidiu executar o pedreiro. Pouco tempo depois, já na rua Iracema, Higor alcançou Cristiano, que pedalava uma bicicleta, e efetuou quatro disparos de arma de fogo na cabeça da vítima.
A forma de agir chamou atenção dos investigadores: execução à queima-roupa, pelas costas e com tiros concentrados na cabeça — o mesmo padrão adotado posteriormente no homicídio do professor de jiu-jítsu Thiago Louzada, morto em janeiro de 2025.
Outro ponto que chamou a atenção das investigações é que, em ambos os casos, após executar as vítimas, Higor saía gritando pela rua que as vítimas seriam “Jack”, termo usado para se referir a estupradores. Na tentativa de justificar os homicídios e assim obter apoio da população.
Conclusão do inquérito pela DHPP Serra
O inquérito sobre a morte de Cristiano foi concluído em 8 de agosto de 2025. Higor foi indiciado por homicídio qualificado, por motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima, além de porte ilegal de arma de fogo. O caso já foi denunciado à Justiça, e ele é réu em ação penal.
Prisão de Higor no bairro Vila Nova de Colares
Higor foi preso pela DHPP no dia 27 de maio de 2025, em uma operação da DHPP Serra no bairro Vila Nova de Colares. A equipe já monitorava sua rotina e sabia que ele estava “de plantão” no tráfico naquela data. Durante a abordagem, foram apreendidos drogas, dinheiro e aparelhos celulares. Ele foi autuado em flagrante por tráfico e, posteriormente, teve decretada a prisão pelos homicídios de Cristiano e Thiago.
Segundo a Polícia Civil, Higor é considerado altamente perigoso. “Ele é o braço armado do tráfico, o homem de confiança para matar. Costuma bater nas pessoas com pedaço de pau na rua, ameaçar e executar friamente. É temido em Vila Nova de Colares”, delegado Sandi Mori.
A reportagem teve acesso com exclusividade que mostra o momento da prisão de Higor pela equipe da DHPP Serra liderada pelo delegado Sandi Mori.
Vídeo SN:
Áudio revela a periculosidade de Higor
Na análise de celulares apreendidos com Higor, a polícia encontrou um áudio em que ele ameaça dar um tiro no rosto de uma pessoa, demonstrando a frieza e disposição para a violência. O áudio reforçou o perfil de alta periculosidade de Higor.
Com o inquérito concluído, Higor responderá a mais um processo criminal, somando-se às ações em andamento pelos homicídios de Cristiano (2024) e Thiago Louzada (2025), além do processo por tráfico de drogas. A expectativa é que o julgamento defina uma pena que pode ultrapassar décadas de reclusão.
Vídeo Youtube SN:
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