Na última terça-feira (25), a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) por meio da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra concluiu o inquérito que investigou o ataque contra os policiais militares Saimen Oliveira Rodrigues e Marcos Vinicius Trindade Santana. O crime ocorreu em 1º de maio de 2024, no bairro Cidade Pomar, na Serra. O caso passou a ser tratado como tentativa de homicídio qualificado, e cinco homens foram indiciados. Dois deles estão presos, enquanto três continuam foragidos.
O delegado Pedro Henrique, adjunto da DHPP Serra, explicou que no dia do ataque os policiais militares patrulhavam a Avenida Laranjeiras quando encontraram um carro em atitude suspeita. Assim que viu a viatura, o motorista acelerou, fez uma manobra brusca e desobedeceu às ordens de parada. A equipe iniciou a perseguição, e os ocupantes do veículo reagiram atirando contra os militares ainda durante a fuga.
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O carro dos suspeitos colidiu em um muro na rua Jabuticaba. Dois ocupantes se renderam imediatamente, mas outros dois continuaram armados dentro do veículo insufilmado. O delegado reforçou que os militares seguiram o protocolo correto ao realizar a abordagem.
“Não houve erro por parte dos militares; o soldado Saimen foi covardemente surpreendido ao se aproximar do veículo para fazer a varredura e verificar se havia mais alguém escondido”.
Pedro Henrique
delegado adjunto DHPP Serra
Ao tentar identificar os ocupantes que não haviam descido, Saimen foi atingido por um tiro na cabeça. Mesmo ferido, ele cambaleou até um muro para manter a visão do veículo e observou dois criminosos fugindo armados. O delegado destacou que Saimen não perdeu a consciência em nenhum momento durante o socorro, informação confirmada pela equipe da Força Tática.
Inicialmente, a polícia acreditava que três homens estavam no carro, mas o depoimento de Saimen comprovou que havia cinco suspeitos, todos armados com calibres diferentes, como .40, 9 mm e .380.
Prisões e foragidos
A investigação identificou os cinco envolvidos: David dos Santos, 27 anos, Pablo Correia Valadares, 30 anos, Joelson Nascimento de Jesus, 30 anos, Rodrigo Ramos de Amaral, 39 anos e Marcos Vinicius Ramos de Amaral de 36 anos.

David foi preso no mesmo dia do crime, após ser baleado durante troca de tiros com os policiais e dar entrada no Hospital Estadual Jayme Santos Neves. Pablo foi capturado meses depois, em 29 de setembro, também após confronto com a Polícia Militar (PMES).

Entre os foragidos está Joelson, conhecido como Gugu, apontado pelo delegado como liderança criminosa na região. Rodrigo, motorista e dono do carro, chegou a se apresentar no dia seguinte ao ataque, mas fugiu após ter sua prisão decretada. O irmão dele, Marcos Vinicius, que estava no banco traseiro, também está desaparecido.



Registro de ocorrência falsa
A investigação também apontou que a esposa de Rodrigo tentou atrapalhar o trabalho da polícia ao registrar um boletim de ocorrência falso, alegando que o carro usado no crime havia sido roubado. A manobra buscava despistar os investigadores, mas foi descartada após a análise das provas. A mulher foi indiciada por falsa comunicação de crime.
Depoimento decisivo e recuperação
A investigação foi considerada complexa devido ao estado de saúde do soldado Saimen, que passou 15 dias em coma e ficou 78 dias internado. Somente após a recuperação parcial, ele conseguiu prestar depoimento. A depoimento de Saimen foi determinante para esclarecer a quantidade de suspeitos e o comportamento de cada um durante o ataque.
“O depoimento dele foi categórico e extremamente eficaz, permitindo a identificação formal dos cinco envolvidos”, destacou o delegado.
Atentado contra a segurança pública
O chefe da DHPP da Serra, delegado Rodrigo Sandi Mori, classificou o ataque como um ataque direto ao Estado.
“Trata-se de um atentado contra a segurança pública, em que dois policiais, no pleno exercício de suas funções, foram confrontados por criminosos armados. A investigação foi eficaz e identificou todos os envolvidos”.
Ele reforçou ainda que a polícia busca informações sobre os foragidos e pediu que quem tiver informações sobre os foragidos que realize denúncias anônimas pelo número 181.
Recuperação milagrosa
O comandante do 6º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Maurício, lamentou o ataque e destacou a importância do avanço das investigações.
“Finalmente começamos a levar justiça ao soldado Saimen e ao soldado Santana. Eles foram atacados de forma covarde enquanto trabalhavam no Dia do Trabalhador”, afirmou.
O comandante também ressaltou a recuperação de Saimen, considerada um milagre pelos colegas e pela equipe médica.
“O soldado Saimen passou 78 dias internado e sobreviveu. Ele é um herói antes e depois do confronto, e ver sua evolução é emocionante”, declarou.
Os cinco indiciados vão responder por dupla tentativa de homicídio qualificado, incluindo tentativa de homicídio funcional, além de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. O caso segue sob investigação para capturar os três foragidos.
Sabe de alguma coisa?
A Polícia Civil sempre destaca que a população tem um papel importante nas investigações e pode contribuir com informações de forma anônima através do Disque-Denúncia (181) ou do perfil oficial da Delegacia de Homicídios Serra no Instagram: @DHPP.Serra
O anonimato é garantido e todas as informações fornecidas são investigadas
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