Nesta quarta-feira (26), a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, apresentou a prisão de quatro pessoas investigadas no inquérito policial que apurou o homicídio de Robinson Ferreira Valdevino, de 19 anos, ocorrido no dia 12 de janeiro deste ano, no bairro Balneário de Carapebus, na cidade da Serra.
Segundo as investigações, a vítima foi levada para um matagal onde foi espancada com golpes de madeira até a morte. Após o crime, a mãe da vítima recebeu telefonemas e mensagens informando onde poderia encontrar o corpo de seu filho.
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De acordo com o chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, delegado Rodrigo Sandi Mori, a vítima trabalhava como transista e não tinha passagem pela justiça nem envolvimento com o tráfico ou outros crimes.
“O mínimo que nós poderíamos fazer por essa morte, que foi cruel, covarde, praticada por traficantes no meio de um mato que desferiram várias pauladas na cabeça da vítima, era justiça, com a identificação de todos os responsáveis pelo crime e a prisão deles. O que foi feito no período de 40 dias, onde a DHPP Serra investigou, elucidou o crime e concluiu o inquérito com todos os investigados presos.”
Rodrigo Sandi Mori
Delegado Chefe DHPP Serra

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Briga de família
Conforme o delegado adjunto da DHPP da Serra, delegado Marcelo Brito, o crime ocorreu após um desentendimento no dia 5 de janeiro envolvendo uma das detidas, Tainá de Matos Oliveira dos Santos, que inicialmente era tratada como uma das vítimas, e Robinson.
Tainá era enteada do tio da vítima e, no dia do conflito, estava na casa da mãe de Robinson. Segundo ela, Robinson a teria agredido durante uma briga generalizada de família ao tentar proteger sua mãe.
Tráfico de drogas
Após o desentendimento, houve a movimentação de equipes da Polícia Militar no local para tentar acalmar os ânimos e evitar mais agressões. Isso teria desagradado Matheus Henrique Rodrigues Santo Silva, vulgo “Toxinha”, chefe do tráfico de drogas da região, já que no bairro há diversas “bocas de drogas” e a presença dos militares teria atrapalhado a venda dos entorpecentes.
“Tribunal do tráfico”
No dia 12 de janeiro, por volta das 7h, Matheus Henrique, armado com uma arma de fogo, acompanhado por outros dois traficantes, Ryan Silveira Leão, vulgo “Tomadão”, e João Víctor Santos Leal, vulgo “Japa”, armados com pedaços de madeira, invadiram a casa de Robinson, que morava com sua mãe. Os dois, assustados, acordaram, e iniciou-se uma discussão onde Matheus disse que queria saber quem seria o responsável pelo ocorrido que levou a Polícia Militar à região, o que supostamente teria causado prejuízo ao tráfico local.
Em seguida, Robinson e sua mãe foram levados para fora da residência. Na rua, Matheus reuniu Tainá, que morava em uma casa vizinha, e outros familiares da vítima para participar da discussão. Segundo Matheus, a conversa seria para indicar os responsáveis pela briga ocorrida no dia 5 de janeiro.
Matheus obrigou Robinson a chamar um motorista de aplicativo, que levou Robinson, Tainá e os três traficantes para uma região de mata no bairro Balneário de Carapebus. Quando chegaram ao local, os cinco desceram do veículo e entraram na área de mata.
Novamente teve início uma discussão onde Robinson foi apontado como o responsável pelo desentendimento. Logo em seguida, os traficantes começaram a agredir a vítima com vários golpes na cabeça utilizando pedaços de madeira, até que a vítima morresse.
Motivação por vingança
Inicialmente, Tainá foi identificada como uma das vítimas da situação. Porém, após as investigações, foi constatado que Tainá não havia sido agredida em nenhum momento no dia da morte de Robinson e que ela conhecia Matheus.
Tainá, movida por vingança, teria procurado Matheus Henrique e contado sua versão do acontecido. Matheus então teria planejado matar a vítima após Tainá incentivar a ação.
Prisões dos acusados
Ainda de acordo com o delegado Marcelo Brito, após o pedido de prisão temporária de todos os envolvidos, Matheus fugiu para Minas Gerais, onde foi localizado com a ajuda da Divisão de Homicídios da Polícia Civil mineira e reagiu durante sua prisão. Ele possui diversas passagens por tráfico de drogas e agressão doméstica. Em um crime similar ao assassinato de Robinson, Matheus chamou um motorista de aplicativo e levou sua mulher até um matagal, onde a agrediu e cortou seu cabelo.
João Víctor e Ryan Silveira foram presos no bairro Balneário de Carapebus, enquanto Tainá foi detida em Vila Nova de Colares. Ela era a única que não tinha passagens pela Justiça. Os quatro foram indiciados por homicídio qualificado por motivo torpe, com emprego de meio cruel e com recurso que dificultou ou impediu a defesa da vítima.
Tainá está respondendo ao crime em liberdade enquanto aguarda seu julgamento, já os outros três aguardam seus julgamentos presos.
Mais detalhes:
Mais detalhes sobre o caso podem ser conferidos no vídeo abaixo, que traz a coletiva de imprensa com as falas dos delegados da DHPP Serra, Rodrigo Sandi Mori e Marcelo Brito.
