Nesta segunda-feira (04), a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, divulgou a prisão em flagrante de Gabriel de Jesus Silva, de 24 anos, e a apreensão de uma adolescente de 17 anos, ambos suspeitos de envolvimento no assassinato de Caio da Silva Lucas, de 26 anos. O crime ocorreu na noite da última quinta-feira (31), no bairro Balneário de Carapebus, no município da Serra, e as detenções aconteceram no dia seguinte, no mesmo bairro.
Investigações
De acordo com o delegado Paulo Ricardo Gomes, adjunto da DHPP Serra, a polícia conseguiu solucionar o caso com rapidez graças à colaboração da população e à análise de imagens de videomonitoramento.
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Ainda na noite do crime, uma equipe da DHPP esteve no local e colheu informações com moradores e familiares da vítima. Inicialmente, os parentes de Caio suspeitavam que o assassinato pudesse estar relacionado ao tráfico de drogas, já que ele teve envolvimento anterior com o tráfico no bairro São Geraldo — hipótese considerada nos primeiros momentos da investigação. No entanto, os relatos e outras evidências reunidas ao longo da madrugada direcionaram a apuração para outro possível motivo: ciúmes.

Denúncias anônimas
As denúncias anônimas recebidas por meio do Disque-Denúncia e das redes sociais da DHPP Serra também foram fundamentais. Populares relataram a fuga de um casal pelas escadarias que ligam as ruas Vinhático e Braúna, apontando nomes e a direção tomada. As imagens obtidas mostraram claramente os dois suspeitos, que foram reconhecidos por familiares da vítima como sendo o Gabriel, e sua companheira, uma adolescente de 17 anos.
Ainda segundo os familiares da vítima, os suspeitos eram vizinhos e mantinham uma convivência próxima com Caio, inclusive participando de aniversários e confraternizações no mesmo lote onde moravam. Isso facilitou a identificação de ambos nas imagens, já que os familiares reconheceram os rostos com facilidade.
Após os reconhecimentos, a equipe da DHPP localizou o casal ainda na tarde de sexta-feira (01), em uma residência situada na mesma rua do crime. A polícia os levou para a delegacia, onde prestaram depoimentos com versões divergentes.
Motivação do crime
O delegado Paulo Ricardo explicou que Gabriel confessou à polícia ter matado Caio e alegou que o crime foi motivado por ciúmes.
“Gabriel relatou que a vítima teria se declarado para sua companheira e afirmado que assumiria um relacionamento com ela, inclusive criando o filho de 9 meses que ele tem com a adolescente.”
Paulo Ricardo Gomes
Delegado adjunto da DHPP Serra
Sentindo-se ameaçado por essa situação, Gabriel comprou uma arma no próprio bairro, marcou um encontro com Caio e foi até o local acompanhado da companheira. Durante o encontro, efetuou quatro disparos que mataram o jovem e iniciou a fuga pela escadaria, trocando de roupa no caminho para dificultar a identificação.
Versão da adolescente
A adolescente, por outro lado, apresentou uma versão diferente. Segundo ela, os três haviam combinado de se encontrar para consumir drogas e bebidas alcoólicas. Durante o encontro, teria ocorrido uma discussão entre Caio e Gabriel sobre a divisão dos entorpecentes, o que resultou em uma briga. Ela alegou que Caio agrediu Gabriel com dois socos, fazendo com que a arma da vítima caísse no chão. Gabriel, então, teria pegado o revólver e atirado. Essa versão, no entanto, é contestada pela DHPP Serra.
Para o delegado Paulo Ricardo, a versão de Gabriel é mais consistente. A esposa da vítima confirmou que, dias antes do crime, Caio havia enviado por engano uma mensagem para a adolescente e que, desde então, não houve mais contato entre eles. Isso reforça a hipótese de que o assassinato teve motivação passional.
Tentativa de enganar a esposa da vítima
Logo após o crime, o casal tentou despistar as investigações. Mantiveram contato com a esposa de Caio, demonstrando solidariedade, lamentando o ocorrido e se oferecendo para ajudar. As mensagens continuaram durante toda a madrugada e até o momento da prisão, no dia seguinte.
DHPP Serra acredita que crime foi premeditado
As investigações revelaram ainda que, após efetuar os disparos, Gabriel retornou ao corpo da vítima, pegou o celular e, durante a fuga, guardou o aparelho próximo a um ponto de ônibus. A polícia considera esse comportamento um indicativo de premeditação.
Populares relataram que Gabriel descartou a arma do crime ao subir a escadaria, mas teria voltado depois para recolhê-la. A Polícia Civil ainda não localizou o armamento. A adolescente contou, em depoimento, que Gabriel costumava andar armado no bairro e guardava a arma em casa, devido ao envolvimento com o tráfico de drogas na cidade de Pedro Canário.
Vídeo YouTube SN:
Justiça aceitou as prisões em flagrante
A Justiça converteu a prisão em flagrante de Gabriel em prisão preventiva. A adolescente teve sua apreensão transformada em internação provisória. Gabriel responderá por homicídio qualificado, corrupção de menores e porte ilegal de arma de fogo. A menor será responsabilizada por ato infracional análogo ao crime de homicídio qualificado.
As investigações continuam para confirmar todos os detalhes da dinâmica do crime e localizar a arma utilizada na execução.
