Nesta quinta-feira (19), a Polícia Civil (PCES), por meio da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, divulgou a prisão de Eric Gordiano dos Santos, de 26 anos, e Kauã Vital dos Santos, de 18 anos, investigados pela morte de Alessandro Coelho Schimitberger. O crime, ocorrido no último domingo (15), no bairro São Judas Tadeu, na Serra, foi motivado por um boato de estupro que apontou a vítima como culpada apenas por suas características físicas.

A trama do crime e o erro fatal
Segundo as investigações detalhadas pelo delegado adjunto da DHPP Serra, Pedro Henrique, uma mulher teria atuado como mandante do crime. Ela informou aos criminosos que o suposto estuprador de seu filho estaria em um bar no Morro da Tacirica. Além disso, a descrição repassada era genérica: um homem negro, usando camisa vermelha e calça preta.
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Os executores, Erick Gordiano e Kauã Vital, pegaram uma arma emprestada e foram de moto ao local. Antes de atirar, chegaram a ligar para a mandante para confirmar se Alessandro era o alvo. Mesmo sem qualquer prova, ela ordenou a execução brutal.


“O Alessandro estava em um momento de descontração na frente de sua residência com amigos. Ele foi surpreendido de forma brutal, covarde e injustificável. Morreu simplesmente pela cor da pele e pela vestimenta que estava no momento”, afirmou o delegado Pedro Henrique.
Prisão e frieza dos executores
Após o crime, a DHPP Serra identificou a motocicleta de Eric por meio de câmeras de videomonitoramento. A dupla fugiu para a zona rural de Domingos Martins, na região de Melgaço, onde foi presa em uma operação na última segunda-feira (16), um dia após o crime. No interrogatório, a frieza de Kauã, que confessou ter “descarregado o pente” na vítima, chamou a atenção da polícia.
“Ele confessou de forma muito fria. Não tinha nenhum pingo de arrependimento. Poderia ser o meu pai ali recebendo 19 disparos simplesmente por ser negro e estar com uma camisa vermelha”, desabafou o delegado durante a coletiva.
O perigo da “justiça pelas próprias mãos”
O delegado ressaltou que Alessandro era totalmente inocente e que o suposto crime de estupro citado pela mandante teria ocorrido em 2021. Ele alertou que disseminar boatos e tentar fazer “justiça” sem o Estado é um ato de extrema irresponsabilidade que destrói famílias.
“Não existe justiça pelas próprias mãos, existe o trabalho policial feito com seriedade. Passar boatos para criminosos pode matar um inocente. Qualquer pessoa pode ser vítima de um boato desses amanhã.“
Investigação continua
A mandante do crime segue sendo procurada e responderá pelo homicídio. A Polícia Civil também investiga quem forneceu a arma utilizada. Os executores confessaram que fugiram do bairro também por medo dos traficantes locais, já que mataram uma pessoa querida na comunidade e atraíram a atenção ostensiva da polícia para a região de Cascata.

Sabe de alguma coisa?
A Polícia Civil sempre destaca que a população tem um papel importante nas investigações e pode contribuir com informações de forma anônima através do Disque-Denúncia (181) ou do perfil oficial da Delegacia de Homicídios da Serra no Instagram: @DHPP.Serra
O anonimato é garantido e todas as informações fornecidas são investigadas.
