A operação cirúrgica deflagrada pela Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra nesta segunda-feira (08), no bairro Jardim Bela Vista, foi o estopim para o clima de terror que paralisou a região no dia seguinte. Detalhes oficiais obtidos pelo Serra Noticiário revelam que o forte prejuízo financeiro e logístico imposto à facção local foi o que motivou o chefe do tráfico, Jhon Lenon — foragido no Rio de Janeiro —, a ordenar o toque de recolher que fechou o comércio e esvaziou escolas nesta terça-feira (09), conforme já noticiado pelo SN.
A ação de segunda-feira contou com cerco tático, tentativa de destruição de flagrantes pelo ralo do banheiro, confronto armado e a mobilização do Esquadrão Antibombas da Polícia Militar para neutralizar um explosivo letal.
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O início do cerco: Prisão do gerente e cocaína no ralo
As diligências começaram com o objetivo de cumprir um mandado de prisão temporária por homicídio contra um homem de 32 anos. Segundo as investigações da Polícia Civil, ele atuava como gerente das bocas de fumo do bairro, respondendo diretamente ao comando vindo do Rio de Janeiro.
Ao chegarem ao endereço, os agentes da DHPP avistaram o suspeito na sacada. Ao notar a presença policial, ele se trancou no imóvel. Da rua, os policiais ouviram ruídos intensos vindos do banheiro: era o gerente tentando desesperadamente descartar entorpecentes pelo ralo.
A equipe arrombou a porta e prendeu o homem em flagrante na sala, onde ainda foi apreendido cerca de um quilo de cocaína que ele não conseguiu dar descarga.
Perseguição e tiroteio: “Olheiro” aponta pistola para policial
Na segunda fase da operação, outra equipe da DHPP foi checar uma denúncia anônima sobre um adolescente que atuava como vigilante (“olheiro”) do grupo criminoso. Ele utilizava a varanda de casa para monitorar as viaturas e circulava portando armas de fogo.
Os policiais montaram um cerco estratégico no imóvel. Ao perceber a aproximação, o menor tentou fugir pelos fundos empunhando uma pistola. Durante a tentativa de evasão, o suspeito virou-se e apontou a arma diretamente contra um dos policiais civis.
Para resguardar sua integridade física, o agente reagiu em legítima defesa e efetuou disparos. O adolescente conseguiu escapar pulando muros, mas, durante a fuga, descartou a arma utilizada — uma pistola com numeração raspada, que foi recuperada pelos policiais. Até o fechamento da ocorrência, nenhum jovem baleado havia dado entrada nos hospitais da região.
Granada caseira com pregos estava oculta em guarda-roupa
Com a autorização da responsável legal do menor, os policiais civis realizaram uma varredura no quarto do suspeito. Dentro do guarda-roupa, escondido entre os pertences do jovem, os agentes encontraram um arsenal tático e um dispositivo altamente perigoso:
- Um artefato explosivo de fabricação caseira (granada artesanal);
- Quatro munições intactas de calibre .380;
- Dois rádios comunicadores e uma capa de colete balístico;
- Pinos de cocaína.
Devido ao risco extremo de explosão na comunidade, o Esquadrão Antibombas da Companhia Independente de Operações Especiais (CIOE) da PM foi acionado. A análise técnica constatou que o dispositivo era composto por pólvora negra e completamente recheado de pregos e fragmentos metálicos por dentro, projetados para estraçalhar as vítimas em caso de detonação. Pela instabilidade do material, os especialistas realizaram a destruição controlada do explosivo no próprio local.
Em outro cômodo desocupado da casa, a DHPP ainda localizou duas mochilas com farto material de embalagem, mais porções de cocaína e tabletes de “dry” (uma variação concentrada de maconha de alto valor comercial).

O elo com o toque de recolher desta terça-feira (09)
Todo o material, as drogas e o gerente do tráfico foram levados para a delegacia. Esse duro golpe sofrido pela facção na segunda-feira — que perdeu uma liderança, uma pistola, quilos de entorpecentes, rádios e o colete — desestruturou a logística do crime organizado em Jardim Bela Vista.
Como resposta desesperada para demonstrar força perante o Estado e reprimir o território, a liderança foragida no Rio de Janeiro ordenou o toque de recolher que aterrorizou os moradores na manhã desta terça-feira, aproveitando-se do horário de troca de plantão da PM.
As investigações da DHPP Serra prosseguem de forma intensa para localizar o adolescente envolvido no confronto e identificar os demais elos dessa organização criminosa.
O Serra Noticiário segue acompanhando os desdobramentos da segurança pública no município.
