Nesta quinta-feira (26), a Polícia Civil (PCES), por meio da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, realizou coletiva de imprensa revelando detalhes da prisão de Ryan Inácio Silva, de 22 anos, ocorrida no município de Governador Valadares, em Minas Gerais.
Investigações apontam que ele é líder do tráfico de drogas no bairro Balneário de Carapebus, na Serra, e tem participação em uma série de homicídios ligados à disputa entre facções criminosas. A prisão foi realizada por equipes da DHPP Serra, no dia 23 de dezembro de 2025, após trabalho de inteligência que localizou o suspeito fora do Espírito Santo.
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De acordo com o chefe da DHPP Serra, delegado Rodrigo Sandi Mori, Ryan não é um desconhecido da justiça. Com apenas 22 anos, já acumulava uma condenação de 48 anos de reclusão por homicídios brutais, incluindo o de um taxista e de um pescador. Em 17 de fevereiro de 2025, ele fugiu do Centro de Detenção Provisória de Viana e aliou-se ao Primeiro Comando de Vitória (PCV) para retomar o controle do tráfico que havia perdido ao ser preso em 2021.
“A prisão dele desestrutura a hierarquia do tráfico de Balneário de Carapebus e, consequentemente, retoma a tranquilidade e a paz social dos moradores de bem que vivem ali.”
Rodrigo Sandi Mori
Delegado chefe da DHPP Serra
O repórter Wal Junior, do Serra Noticiário, acompanhou a coletiva de imprensa. Veja no vídeo abaixo mais detalhes:
Vídeo YouTube SN:
Cronologia do terror: A ofensiva de setembro
Conforme o delegado adjunto da DHPP Serra, Paulo Ricardo, para retomar o território, Ryan e seus comparsas iniciaram uma sequência de ataques marcados pela dissimulação e violência extrema:
- 11 de setembro: Usando uma bolsa de entrega de lanches para esconder o armamento, Ryan surpreendeu e matou um rival em uma “boca de fumo”.
- 13 de setembro: Em um ataque utilizando um veículo Kia Soul branco, o grupo abriu fogo próximo a um ponto de ônibus e uma distribuidora. Inocentes foram atingidos nas pernas durante a tentativa de execução.
- 21 de setembro: O grupo realizou um “patrulhamento” no bairro para identificar inimigos, baleando uma vítima que tentou fugir.
O ataque dos “falsos policiais”
Um dos momentos mais críticos da investigação detalha o ataque de 29 de setembro. O grupo utilizou inteligência, câmeras e informantes para monitorar os rivais conhecidos como “Mineiro” e“Batata”.
“Eles utilizam camisas com inscrições da Polícia Civil com a ideia de dissimular a ação. Se passam por policiais para que a população não identifique o ataque e para convencer as vítimas a abrir a porta sem reagir.”
Paulo Ricardo
Delegado adjunto da DHPP Serra
Na ocasião, os criminosos arrombaram a residência e interrogaram as vítimas antes de executá-las. Uma mulher e uma criança de colo foram poupadas para que “o recado fosse dado” aos sobreviventes do tráfico local.
Comando à distância e perseguição de “cena de filme”
Em outubro, Ryan passou a atuar como mentor intelectual, recrutando executores e passando coordenadas por telefone. No dia 17 de outubro, uma perseguição em horário de pico na Avenida Augusto Ruschi terminou com criminosos atropelados por um motorista que tentava salvar a vida de um baleado, em uma cena que paralisou o bairro.
Nova tentativa de fuga
Mesmo após ser preso em Governador Valadares e reconduzido ao sistema prisional do Espírito Santo, Ryan tentou escapar novamente. No dia 16 de fevereiro de 2026, agentes identificaram buracos no fundo de sua cela em uma unidade de segurança máxima, frustrando o plano de fuga.
Veja abaixo o vídeo completo da coletiva com as sonoras dos delegados Rodrigo Sandi Mori e Paulo Ricardo.
