Se alguém achava que a guerra pelo comando da Câmara Municipal da Serra (CMS) tinha esfriado, a sessão ordinária desta segunda-feira (16) provou exatamente o contrário. A treta que começou na semana passada com a tentativa de derrubada da atual Mesa Diretora ganhou mais um capítulo e deixou ainda mais claro que a disputa pelo poder dentro da Casa está longe de acabar.
Desta vez, o grupo de vereadores que tenta destituir a atual direção do Legislativo e abrir caminho para uma nova Mesa tampão até o fim do ano tentou convocar uma sessão extraordinária.
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O pedido de sessão extraordinária tinha como objetivo acelerar a votação do Projeto de Resolução nº 03/2026, que propõe revogar e alterar trechos de normas internas da Câmara da Serra. Na prática, a movimentação é vista nos bastidores como uma tentativa de mudar as regras do funcionamento da Casa para facilitar a derrubada da atual Mesa Diretora e abrir caminho para a eleição de um novo comando tampão até o fim de 2026.
Presidente recusa pedido por sessão extraordinária
A movimentação, no entanto, foi barrada pelo presidente da Câmara, William Miranda, sob o argumento regimental de que nem todos os vereadores estavam presentes para a convocação da extraordinária.
Entre os ausentes da sessão estava Stefano Andrade. Já Rafael Estrela do Mar, segundo informações, teria registrado presença, mas sequer entrou antes da sessão começar. Também não participou o vereador Fred, que segue preso há mais de três meses.
A recusa do presidente inflamou ainda mais os ânimos. O presidente voltou a ser alvo de críticas em plenário, e o clima pesou de vez. O vereador Wiliam da Elétrica, um dos mais alinhados ao grupo que articula a mudança no comando da casa, chegou a elevar o tom de forma desesperada, numa demonstração do tamanho da tensão instalada dentro do Legislativo serrano.
O que chama atenção é a energia empregada nessa guerra interna. Quando o embate é para tomar o poder, sobra disposição, grito, articulação e presença em massa. Já quando o assunto é defesa concreta da população, dificilmente se vê o mesmo apetite político, a mesma mobilização ou o mesmo senso de urgência.
Vereadores abandonam trabalho legislativo
Quando chegou a hora de votar os projetos da pauta, vários vereadores que querem tomar o poder na marra, simplesmente abandonaram a sessão, mesmo já tendo registrado presença. Ou seja: bateram ponto, garantiram a presença para não ter desconto no sálario e, na hora do trabalho legislativo de fato, deixaram o plenário vazio. O recado foi claro: o interesse maior não era a pauta da cidade, mas a disputa pelo controle da câmara.
Entre os poucos que permaneceram no plenário por mais tempo estavam Andrea Duarte, o próprio presidente William Miranda e Rafaela Moraes. O restante, em grande parte, vazou.
Lista de vereadores que abandonaram a sessão:
- Agente Dias — Republicanos
- Antônio Carlos Aprijo — Republicanos
- Cabo Rodrigues — MDB
- George Guanabara — Podemos
- Henrique Lima — Podemos
- Jefinho do Balneário — Podemos
- Leandro Ferraço — PSDB
- Marcelo Leal — MDB
- Pastor Dinho Souza — PL
- Paulinho do Churrasquinho — PDT
- Pequeno do Gás — PSD
- Renato Ribeiro — PDT
- Rodrigo Caldeira — Republicanos
- Professor Rurdiney — PSB
- Sérgio Peixoto — PDT
- Thiago Peixoto — PSOL
- Wiliam da Elétrica — PDT
Manobra tem apoio do prefeito da Serra
O movimento é liderado pelo ex-presidente Rodrigo Caldeira (Republicanos), que articula seu retorno ao comando da Casa e, segundo se comenta nos bastidores, já conta com as bênçãos do prefeito Weverson Meireles (PDT). É justamente essa sinalização do Executivo que ajuda a explicar o crescimento acelerado do grupo favorável à troca da Mesa Diretora.
Oposição junto favorece prefeito
Também chama atenção o fato de que os dois vereadores de oposição ao governo municipal, Agente Dias e Pastor Dinho Souza, seguem acompanhando esse movimento que conta com apoio do prefeito. Na prática, a disputa interna da Câmara da Serra embaralhou as fronteiras tradicionais entre governo e oposição, unindo adversários em torno de um objetivo comum: tirar William Miranda do comando da Casa.
Câmara da Serra maior fábrica de escândalos do ES
O que se viu foi um retrato constrangedor de uma Câmara da Serra consumida por uma disputa de poder que parece não ter freio. Quando a briga é pelo orçamento milionário da Câmara da Serra , o sangue quase ferve. Mas quando chega a hora de enfrentar os problemas reais da população, o plenário esvazia.
A Coluna Chico Prego segue acompanhando os próximos capítulos dessa guerra.
Porque, na Câmara da Serra, quando a disputa é por poder, ninguém economiza força. Já o povo, como quase sempre, fica só olhando de fora.
