A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra esclareceu o homicídio do auxiliar de obra, Lucas Reis Souza, de 19 anos, ocorrido na madrugada de 25 de dezembro de 2024, em frente a uma distribuidora de bebidas no bairro Vila Nova de Colares, na Serra. O jovem, que havia acabado de chegar da Bahia para passar o Natal e o Réveillon com a família, foi morto com um tiro na nuca quando saía do local após comprar uma bebida.
Wal Junior, repórter do Serra Noticiário, esteve na coletiva e colheu falas exclusivas do delegado Rodrigo Sandi Mori. Confira no vídeo abaixo:
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Vídeo Youtube SN:
Dinâmica do crime
De acordo com o delegado titular da DHPP Serra, Rodrigo Sandi Mori, responsável pelo caso, as investigações mostraram que traficantes das áreas conhecidas como Rádio Paz e Campinho têm o hábito de disparar armas de fogo para o alto durante as festas de fim de ano. Na noite do crime, Gabriel Santos da Silva, de 20 Anos e William dos Santos Pereira, de 29 Anos, ligados ao tráfico, estavam em frente à distribuidora repetindo a prática.
“Em determinado momento, Gabriel saca a arma com o dedo no gatilho, com a intenção de atirar para o alto. A arma dispara na direção das pessoas e atinge a nuca do Lucas, que morre no local. Logo em seguida, ele passa a arma para William, que a esconde e foge com ele”, relatou Sandi Mori.
Lucas não tinha envolvimento com o crime. Trabalhador, havia acabado de chegar de Teixeira de Freitas (BA) para visitar os pais e comemorar as festas. “Ele foi morto de maneira trágica e covarde por dois indivíduos inconsequentes e irresponsáveis”, afirmou o delegado.

Identificação e prisões
As primeiras informações surgiram a partir de denúncias feitas ao Disque-Denúncia 181, além da análise de imagens de câmeras de segurança. Gabriel foi identificado usando uma camiseta preta, e William, uma camiseta laranja.
William foi preso em 9 de julho de 2025, em frente à mesma distribuidora onde o crime ocorreu. No interrogatório, reconheceu-se nas imagens, mas atribuiu a culpa do disparo a Gabriel. Este foi localizado e preso em 12 de setembro de 2025, no bairro Barro Branco. No depoimento, confessou o disparo, mas alegou que sua intenção era apenas atirar para o alto.
Ambos foram indiciados por homicídio qualificado, pela impossibilidade de defesa da vítima e pelo emprego de arma de fogo de uso restrito. Também respondem por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Eles já são réus em ação penal e seguem presos preventivamente.


Crime classifica como dolo eventual
A DHPP Serra considerou o caso como dolo eventual. “A partir do momento que traficantes portam armas ilegalmente e disparam em via pública, em meio a uma aglomeração, assumem o risco de provocar a morte. Além disso, fugiram sem prestar socorro, demonstrando total indiferença à vida de Lucas”, destacou Sandi Mori.
Conexão com outro homicídio
O delegado também revelou que William participou do homicídio de Thiago Louzada, ocorrido em 3 de janeiro de 2025, também em Vila Nova de Colares. Ele teria levado o executor Igor ao local do crime e dado fuga após a execução.
“No intervalo de dez dias, William participou de dois homicídios. Por estratégia, optamos por prendê-lo primeiro no caso de Lucas. Isso fortaleceu as provas no inquérito de Thiago e nos permitiu chegar ao mandante, Luiz Fernando, e por último à sogra da vítima, Wanda”, explicou Sandi Mori.
Rede de crimes em distribuidoras de bebidas na Serra
O homicídio de Lucas não foi um caso isolado. Em 2024, outros quatro assassinatos ocorreram em frente a distribuidoras da mesma rede na Serra, em diferentes bairros: Jardim Carapina, José de Anchieta, Barcelona e Novo Horizonte. Todos foram elucidados pela DHPP, com a prisão dos autores.
“Era importante dar uma resposta também porque a imprensa e a população cobravam muito sobre esses homicídios em frente a distribuidoras. Agora, todos os casos da rede foram esclarecidos”, disse o delegado.
Um crime que destruiu uma família
O delegado Sandi Mori ressaltou que o caso teve grande impacto emocional nos familiares da vítima. “Lucas tinha acabado de chegar ao Espírito Santo para passar as festas com a família. Eles (traficantes) destruíram uma família, até hoje eles lamentam a morte do Lucas e o mínimo que nós poderíamos fazer por essa família é dar uma resposta a esse crime e prender os dois executores o que foi feito no caso.” afirmou o delegado.
Veja no vídeo abaixo imagens do crime e mais detalhes do caso, com as declarações do delegado Rodrigo Sandi Mori:
