Nesta quarta-feira (15), a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória, concluiu as investigações do latrocínio do empresário da Serra, Carlos José Pereira, de 62 anos. O corpo da vítima foi encontrado no dia 25 de julho de 2025, dentro de um carro estacionado em um posto de combustíveis, no bairro Andorinhas, na capital capixaba.

O crime foi esclarecido após um intenso trabalho de investigação que combinou análises de imagens, perícia técnica e depoimentos. O principal suspeito, Paulo da Silva de Oliveira, de 29 anos, foi preso e confessou o assassinato, segundo o delegado Ramiro Diniz, chefe da DHPP Vitória.
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Durante coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (15), autoridades detalharam o caso. O delegado-geral adjunto da PCES, José Lopes, e o superintendente de Polícia Especializada, Agis Macedo, destacaram o empenho da equipe e o impacto positivo do trabalho investigativo na redução dos homicídios em Vitória, que já registra queda superior a 40% em relação ao ano anterior.
Planejamento e execução do crime
De acordo com as investigações, a vítima — conhecida como Carlinhos, proprietário de um restaurante tradicional na Serra — saiu de casa no dia 23 de julho, acompanhado de Paulo. O suspeito havia planejado o crime com antecedência e levou consigo uma faca e comprimidos de clonazepam, usados para sedar o empresário.
Ao chegar nas proximidades da cachoeira Véu da Noiva, Paulo sacou a faca e obrigou a vítima a ingerir o medicamento, logo depois, passou a controlar o veículo e os pertences de Carlinhos. Durante mais de oito horas, ele circulou com o carro, fazendo transferências bancárias e tentando sacar dinheiro das contas da vítima por meio de aplicativos.
Boa parte das operações financeiras foi frustrada pelos aplicativos, que exigiam códigos de autenticação enviados a outro telefone da vítima, deixado em casa. Ainda assim, o criminoso conseguiu subtrair cerca de R$ 850 com a venda de um cordão de ouro pertencente ao empresário.
Execução e tentativa de simular morte natural
Na noite do dia 23, o criminoso estacionou o veículo em um posto de combustíveis no bairro Andorinhas. Quando o empresário tentou pedir ajuda, Paulo o empurrou de volta para o carro, prendeu o cinto de segurança e o asfixiou até a morte.
Após o assassinato, ele cobriu o corpo com um lençol, ajeitou o boné da vítima e limpou cuidadosamente todas as superfícies do carro, usando luvas cirúrgicas. A intenção era fazer parecer que o empresário havia morrido de forma natural, enquanto dormia no banco do carona.
Identificação e prisão
A DHPP rastreou o trajeto do suspeito por meio de câmeras de segurança, acompanhando todos os seus movimentos sem perder nenhum ponto de deslocamento. No dia seguinte ao encontro do corpo, em 26 de julho, Paulo foi preso em flagrante por outro crime, após invadir, armado com uma faca, uma residência no bairro Costa Bela, na Serra. Os moradores conseguiram contê-lo e acionar a polícia. Ao ser detido, ele afirmou que havia ido ao local para conhecer o proprietário da casa, com quem mantinha um relacionamento virtual.
A partir dessa prisão, os investigadores localizaram a residência do suspeito em Taquara, também na Serra, onde encontraram as roupas usadas no dia do crime e alguns pertences da vítima. As evidências reunidas consolidaram o pedido de prisão preventiva pelo latrocínio do empresário.
Durante o interrogatório, Paulo inicialmente negou envolvimento, mas acabou confessando o assassinato e descrevendo em detalhes a dinâmica do crime.
Segundo o delegado Ramiro Diniz, parte dos bens da vítima foi recuperada, incluindo o celular e outros objetos pessoais. O cordão de ouro roubado foi vendido por R$ 850 a um ourives, ainda não identificado.
Encerramento do caso
O delegado Ricardo Almeida, chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), destacou que o caso foi solucionado de forma rápida, impedindo que o autor fugisse para o Amazonas, seu estado de origem. “Trabalhamos rápido para evitar que ele recebesse liberdade provisória. A prisão preventiva foi decretada enquanto ele ainda estava detido por outro crime”, explicou.
Com o encerramento do inquérito, a PCES encaminhou o caso ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES). O suspeito responderá por latrocínio (roubo seguido de morte) e furto qualificado, podendo pegar mais de 30 anos de prisão.
A Polícia Civil reforçou que o esclarecimento desse crime integra o esforço contínuo da instituição para reduzir a violência letal na Grande Vitória, com foco em investigações qualificadas e prisão de autores reincidentes.
Mais detalhes sobre o caso podem ser conferidos no vídeo abaixo, que traz as imagens e as declarações do delegado Ramiro Diniz, chefe da DHPP Vitória, durante a coletiva de imprensa.
