Nesta sexta-feira (26), a reportagem do Serra Noticiário recebeu um relato de agressão no Pronto Atendimento Pediátrico do Hospital Materno Infantil, em Colina de Laranjeiras, na Serra, ocorrido na unidade na última quinta-feira (25), por volta das 17 horas, em que a enfermeira Adriana, de 48 anos, foi vítima de agressão física e verbal enquanto realizava seu trabalho. Uma equipe da Polícia Militar (PMES) foi acionada ao local.
Adriana, funcionária desde a inauguração do UPA do Materno Infantil da Serra, em fevereiro de 2024, relatou detalhadamente como tudo aconteceu para a reportagem do SN.
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Do atendimento à violência: o relato da enfermeira
A reportagem conversou com Adriana para apurar o caso. Assim, a enfermeira contou que tudo começou quando a mãe chegou à unidade com sua filha para ser classificada. “Ela falou que a criança estava com alergia”, contou Adriana. Após avaliação dos sinais vitais, Adriana contou que a menina recebeu a pulseira verde, indicando baixa prioridade, pois não se tratava de caso de urgência.
Passados cerca de 40 minutos, a enfermeira conta que a mãe retornou acompanhada do pai da criança, visivelmente irritada. Argumentava que a filha estava piorando e reclamava do tempo de espera.
Em seguida, Adriana relata que, quando finalmente a criança recebeu atendimento médico, o diagnóstico foi de sarna, condição que, segundo a equipe médica, poderia ser tratada em uma unidade básica de saúde, sem necessidade de atendimento em UPA.
Foi então que a situação escalou. Adriana afirma que a mãe passou pela enfermeira, que estava medicando outra criança, e perguntou: “Foi você que classificou a minha filha?” Ao ouvir a resposta afirmativa, iniciou uma sequência de ofensas relatadas pela enfermeira:
“Você é burra, idiota! Minha filha não estava com alergia, estava com sarna, e você não soube nem classificar! Eu queria pulseira laranja, de urgência, e você não deu! Agora minha filha passou por todo mundo!”
As palavras logo se tornaram ataques pessoais:
“Vagabunda! Piranha! Ordinária!” E ainda ameaçou: “Você não sabe com quem está lidando. Vai ouvir quem eu sou.”
Adriana, se sentindo ofendida e desrespeitada com toda a situação, reconhece que perdeu o controle:
“Infelizmente, nós somos seres humanos, a gente não tem sangue frio. E eu comecei a retribuir todas as agressões que ela me fazia.”
Em seguida, a enfermeira relata que a mulher sacou o celular e começou a gravar, ignorando a sinalização proibindo filmagens dentro da unidade. Continuou gritando ofensas e, de repente, partiu para cima dela.
“Ela veio para cima de mim, eu fui para cima dela… aí foi onde ela cortou o meu supercílio, me arranhou… e foi isso.”
Adriana contou para a nossa reportagem que recebeu atendimento médico no próprio Hospital, onde realizaram os cuidados de curativo e sutura no local do corte.
Caso resultou em boletim de ocorrência
Adriana destacou que ofensas e ameaças são constantes contra os profissionais de saúde no hospital. Diante de casos como esses, ela afirma que a única saída desses profissionais é acionar a Política Militar, como ocorreu nesse último caso de agressão,
Após o episódio, uma equipe da Polícia Militar foi até ao hospital conversou com as partes e registrou boletim de ocorrência. De acordo com o registro, a enfermeira decidiu por representar criminalmente contra a mãe da paciente. Ambas e assinaram um termo circunstanciado para tomar as medidas cabíveis.
O Serra Noticiário continua acompanhando o caso de perto e trará atualizações assim que possível.
