A igreja Reis Magos, em Nova Almeida, recebe até 15 de maio a exposição “Micélio – entre o fim e começo de tudo”, da artista visual e escultora Kyria Oliveira. A mostra acontece na galeria Belchior Paulo, dentro do Centro Interpretativo, e pode ser visitada gratuitamente de terça a domingo, das 9h30 às 17h30.
A exposição foi a primeira a ocupar a galeria, que homenageia o religioso jesuíta português Belchior Paulo, um dos pioneiros da pintura no Brasil no século XVI. O Centro Interpretativo da Aldeia de Reis Magos, responsável pela organização do evento, conta com o apoio da Prefeitura Municipal da Serra (PMS), por meio da Secretaria de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer (SETUR).
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O secretário da pasta, Anderson Madeira, destaca a importância desse novo espaço para a valorização cultural local. “A inauguração da galeria Belchior Paulo representa um marco para a cena artística da cidade. Nosso objetivo é fortalecer a identidade cultural da Serra e criar um ambiente acolhedor para os artistas e a comunidade”, afirma.
Para Erika Kunkel, presidente do Instituto Modus Vivendi e gestora do Centro Interpretativo, a mostra dialoga com a proposta do museu de ser um espaço aberto à arte e à comunidade. “Essa exposição nos convida a repensar as relações de coexistência no mundo e a valorizar práticas mais éticas. Queremos que a galeria impulsione a arte na Serra e contribua para o cenário cultural capixaba”, enfatiza.
A exposição
A palavra “Micélio” se refere à estrutura dos fungos filamentosos, e a mostra explora as formas icônicas desses organismos. As esculturas têxteis expostas foram criadas a partir da feltragem, uma técnica ancestral que utiliza fibras naturais para moldar as peças.
A curadora Clara Pignaton explica que a exposição sugere um ciclo contínuo de transformação. “Os fungos atuam como decompositores e regeneradores, revelando o mistério da mudança constante. A obra de Kyria nos aproxima dessas formas de vida que se espalham e se adaptam em múltiplas direções”, diz.
Ela acrescenta que a instalação convida o público a observar detalhes invisíveis do mundo natural. “As peças de Kyria criam rasgos e aberturas que estimulam o olhar para o interior e o exterior das formas, remetendo a redes micelares que normalmente permanecem ocultas”, pontua.
Além do aspecto estético, a obra reflete sobre questões ambientais e a crise climática, resultado da influência humana nos ecossistemas globais.
Artista Kyria Oliveira
Natural de Minas Gerais e residente no Espírito Santo desde a infância, Kyria Oliveira é graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e desenvolve obras que exploram contrastes entre o individual e o coletivo, o rústico e o refinado. Seu trabalho frequentemente investiga a relação entre espaço e morador.
A artista participou de eventos internacionais, incluindo a Bienal Internacional de Arte de Macau, na China, e a XXII Bienal Internacional de Arte de Cerveira, em Portugal. Além disso, foi premiada na XXI Bienal Internacional de Cerveira e recebeu menção honrosa na VI Bienal de Valência Ciutat Vella Oberta, na Espanha. No Brasil, teve exposições em Ouro Preto e foi coordenadora da galeria Homero Massena, em Vitória, e do Museu do Colono, em Santa Leopoldina.
A exposição “Micélio” segue aberta até 15 de maio, proporcionando ao público uma experiência imersiva no universo dos fungos e suas infinitas possibilidades de conexão com a arte.
A equipe do Serra Noticiário continuará acompanhando a Exposição ‘Micélio’. Caso haja alterações no cronograma de datas ou horários, manteremos nossos leitores atualizados.
