Iniciamos este editorial lamentando as atitudes de políticos da Serra que não aceitam críticas, reclamações e o contraditório. O editorial do Serra Noticiário vê com preocupação a escalada da censura contra a liberdade de imprensa na cidade. Por isso, repudiamos veementemente qualquer tipo de perseguição, intimidação, assédio judicial ou censura contra os dois maiores veículos de comunicação da Serra — Tempo Novo e Serra Noticiário — praticados por políticos locais.
Censura de Pablo Muribeca contra o Tempo Novo
Recentemente, o próprio jornal Tempo Novo revelou que foi alvo de um processo movido pelo candidato Pablo Muribeca, que solicitou a remoção de vários conteúdos publicados durante cobertura das eleições de 2024. O jornal destacou que há 40 anos cobre eleições na cidade e que, além de Muribeca, no passado também enfrentou processos movidos por Audifax Barcelos e pelo atual prefeito, Sergio Vidigal.
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Censura de Audifax Barcelos contra o Serra Noticiário
Vale lembrar que o Serra Noticiário já foi alvo de censura quase uma década atrás. Na época, o então prefeito Audifax Barcelos entrou com um processo contra o Facebook, pedindo a remoção da página Serra Noticiário da plataforma. Felizmente, o pedido foi negado em todas as instâncias da Justiça.
Censura de Sergio Vidigal contra o Serra Noticiário
O atual prefeito da Serra, Sergio Vidigal (PDT), move um processo desde março de 2024, pedindo, de forma radical, que o Serra Noticiário seja retirado do ar. Em caráter liminar, a justiça negou o pedido liminar por não encontrar elementos que comprovassem a divulgação de informações falsas.
Ainda assim, o jornal publicou a versão do prefeito sobre a matéria questionada e, durante audiência de conciliação, ofereceu-se ao prefeito ou prefeitura a oportunidade para esclarecer qualquer outra matéria dentro do jornal. No entanto, Vidigal recusou a oferta e preferiu manter o processo, demonstrando que não tem interesse na verdade ou corrigir eventuais erros, mas sim em eliminar o jornal de forma anti-democratica.
Curiosamente, após a divulgação dessa tentativa explícita do prefeito em censurar o Serra Noticiário, o silêncio dos pseudodefensores da liberdade de imprensa foi ensurdecedor.
Censura de Weverson Meireles contra o Serra Noticiário
Inicialmente, acreditava-se que Weverson Meireles (PDT) seria um político aberto ao diálogo, mas essa expectativa não se confirmou. Às vésperas do primeiro turno das eleições, o candidato entrou com seis processos na Justiça Eleitoral contra três matérias do Serra Noticiário — três por direito de resposta e três por representações com multas elevadíssimas.
O Serra Noticiário admite que, em uma das três matérias, um de seus jornalistas utilizou uma palavra de forma equivocada. No entanto, nas outras duas publicações não foram encontradas qualquer inverdade. As matérias foram produzidas com imparcialidade, baseadas em interesse público e dados oficiais, oferecendo espaço para que o candidato apresentasse sua versão. Portanto, não há possibilidade de serem caracterizadas como fake news.
Mesmo não havendo nenhuma inverdade nas duas publicações em questão e ambas terem seguido preceitos jornalísticos, o jornal foi condenado a remover as todas as publicações e proibido de realizar novas publicações sobre os temas. Além disso, foi obrigado a conceder direitos de resposta agressivos e multado com valores exorbitantes.
Encerramos esse editorial, reafirmando nossa crença na justiça e nosso compromisso em sempre respeitar suas decisões. No entanto, o sentimento que persiste é que a liberdade jornalística na Serra está sob ameaça constante, apesar de sempre termos mantido as portas abertas para todos — desde moradores até agentes políticos — para se manifestarem.
Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados.
Millôr Fernandes
