Na manhã desta quarta-feira (12), a Polícia Civil (PCES), por meio da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), com apoio da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), prenderam Luan dos Santos Braz, de 29 anos, acusado de assassinar a companheira Rayana Bittencourt de Oliveira Rios, de 36 anos, e de ferir um motorista de aplicativo durante a fuga. A prisão ocorreu em uma área de mata, nos fundos da casa dos pais do suspeito, no bairro Nova Almeida, na Serra.

(Reprodução: DeepZap)
Luan estava foragido desde a madrugada do último domingo (09), quando o crime ocorreu no bairro Residencial Jacaraípe, também na Serra. Após protestos de familiares e amigos da vítima pedindo justiça, realizados na noite desta terça-feira (11), na Avenida Vitória, em frente à entrada do Morro do Romão, em Vitória, os pais do suspeito decidiram colaborar com as buscas, temendo pela vida do filho.
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Inicialmente, Luan havia demonstrado intenção de se entregar, mas desistiu. Com o auxílio do pai, a Polícia Civil conseguiu localizá-lo em uma área de mata fechada às margens da rodovia ES-264, em Nova Almeida.
Prisão em área de mata e frieza durante o interrogatório
De acordo com a chefe da DHPM, delegada Raffaella Aguiar, as equipes receberam informações de que o suspeito pretendia se apresentar, mas depois desistiu e chegou a afirmar que se mataria ou faria alguém de refém. “Mesmo assim, continuamos o trabalho e, com o auxílio do pai dele, nos embrenhamos na mata até encontrá-lo. Ele se rendeu sem resistência”, contou a delegada.
Ao ser ouvido pelos investigadores, Luan confessou o crime e manteve uma postura fria diante dos policiais. “Ele demonstrou ser uma pessoa bastante fria. Confessa o crime, mas sem arrependimento. Disse, inclusive, que o filho estava tranquilo vendo televisão enquanto esfaqueava a mãe”, relatou a delegada Raffaella Aguiar.
Ciúmes
De acordo com a investigação, o crime foi motivado por ciúmes. Luan e Rayana haviam ido a um bar, acompanhados do filho mais novo dela, para comemorar a compra de um carro. No local, segundo o próprio suspeito, dois homens teriam demonstrado interesse pela vítima, o que o incomodou e deu início à discussão. Por volta de meia-noite e meia, a família retornou para casa, mas as brigas continuaram. Em seguida, usando como pretexto o fato de Rayana ainda ter fotos do ex-companheiro em casa, Luan iniciou as agressões e depois a matou a sangue frio na frente dos filhos.
Pedido de socorro
A delegada explicou que o crime foi cometido com extrema violência. Conforme ela, durante as agressões, Rayana conseguiu enviar mensagens de voz para a filha mais velha, pedindo socorro e dizendo que, se algo acontecesse com ela, o responsável seria Luan.
Desesperada, a jovem pediu uma corrida a um motociclista de aplicativo e foi até a casa da mãe. Ao chegar, encontrou Rayana sendo esfaqueada na frente do irmão mais novo. A filha ainda tentou conter Luan, mas ele conseguiu se soltar e fugiu do local. Durante a fuga, o agressor atacou o motociclista de aplicativo, que tentou intervir e acabou ferido com uma facada no peito. Mesmo machucado, o homem conseguiu subir na moto e buscar socorro. “Foi uma sessão de tortura. Ele iniciou as agressões dentro de casa e continuou a golpear Rayana mesmo diante da criança”, detalhou a delegada Raffaella Aguiar.
Raffaella também questionou o suspeito sobre o motivo de considerar errado a mulher ter fotos do ex-companheiro, que, segundo informações iniciais, já seria falecido. Ele respondeu que via isso como uma falta de respeito, o que, segundo a delegada, demonstra que ele acreditava ter posse sobre a vítima. Ao ser questionado sobre o fato de ter assassinado Rayana diante do filho, Luan afirmou que a criança “estava tranquila vendo televisão”, reforçando a frieza com que descreveu o crime.
Alerta sobre relacionamentos abusivos
A delegada Raffaella Aguiar, aproveitou o caso para alertar sobre os sinais de relacionamentos abusivos e a importância de buscar ajuda logo nos primeiros indícios de controle ou violência. Conforme a delegada, o casal já tinha um histórico conturbado e Luan havia agredido Rayana em outras ocasiões. A vítima chegou a registrar boletim de ocorrência e pedir medida protetiva, mas acabou reatando o relacionamento.
“Agressões físicas e o controle sobre a vida da mulher são sinais de alerta. Quando o parceiro começa a decidir com quem ela pode falar, onde pode ir ou o que pode vestir, é hora de procurar ajuda”, afirmou a delegada. “As mulheres podem procurar as Delegacias de Atendimento à Mulher, o Ministério Público ou qualquer unidade da rede de apoio existente no Espírito Santo. É fundamental buscar proteção antes que o pior aconteça”.
Raffaella Aguiar
Delegada chefe da DHPM
Delegado-geral elogia rapidez na prisão e lamenta crueldade do crime
O delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, elogiou o trabalho da equipe e destacou a gravidade do caso. “A prisão foi um compromisso assumido. Tiramos de circulação um covarde, um perverso, alguém que não merece viver em sociedade. O que mais entristece é a crueldade e a tortura contra uma mulher que tinha toda uma vida pela frente”, disse Arruda.
Luan foi conduzido à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), em Vitória, onde teve o mandado de prisão temporária cumprido. Ele responderá pelos crimes de feminicídio, tentativa de homicídio e furto do celular da vítima.
Vídeo YouTube SN:
Nota da defesa do suspeito
Nesta quinta-feira (13), após a publicação sobre a prisão de Luan pela morte de Rayana, ocorrida na quarta-feira, a defesa do acusado enviou nota ao SN. Confira a íntegra abaixo:
Nota íntegra:
“A defesa do acusado lamenta profundamente o falecimento da Sra. Rayana e manifesta solidariedade aos familiares e amigos pela irreparável perda.
Esclarece, ainda, que o acusado, por intermédio de seu pai, buscou contato com as autoridades a fim de viabilizar que sua prisão ocorresse de forma reservada e tranquila.A defesa informa que o acusado, em sede policial, confessou ter sido o autor do ato que resultou na morte da vítima. Ressalta, contudo, que não houve qualquer sessão de tortura, tampouco intenção deliberada de provocar o desfecho fatal. Trata-se de uma situação que evoluiu de forma rápida e inesperada, sem qualquer premeditação.
No momento de seu depoimento, a linguagem corporal do acusado evidenciava a reação típica de alguém que havia passado três dias sem dormir, ainda assimilando a gravidade dos acontecimentos. Logo após perceber o que havia feito, tomado por arrependimento e remorso, o acusado manifestou a intenção de tirar a própria vida, circunstância em que seu pai interveio prontamente e conseguiu estabelecer contato com as autoridades, possibilitando a rendição de forma pacífica.
Por fim, a defesa reafirma sua confiança na Justiça e no devido processo legal, convicta de que todas as circunstâncias serão devidamente apuradas, assegurando ao acusado o pleno exercício de seu direito de defesa e o esclarecimento integral dos fatos.
At.te,
Dra. Lohany Caldas
OAB/ES 42.280Dra. Maria Carolina Porto
OAB/ES 42.239″
