Após quase oito meses preso, Diógenes de Freitas Ferreira dos Santos, apontado como principal suspeito no desaparecimento de Sara Conceição Serra dos Santos, foi liberado pela Justiça na última terça-feira (01). A juíza Lívia Regina Savergnini decidiu que sua permanência na prisão não era mais necessária para garantir a ordem pública ou o andamento das investigações. Diógenes havia sido preso em agosto de 2024 de forma preventiva.
O caso, que remonta ao desaparecimento de Sara em novembro de 2022, continua cercado de mistérios e angústia para seus familiares. A jovem, então com 20 anos, saiu de casa para encontrar o ex-namorado, Diógenes, na Serra, e nunca mais foi vista. As investigações da polícia sugerem que ela foi vítima de um crime, com indícios apontando o envolvimento do ex-companheiro.
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O que dizem as investigações do caso
A decisão da magistrada destacou que não há provas suficientes para justificar a manutenção de Diógenes na prisão preventiva. Além disso, ela ressaltou que o acusado não possui antecedentes criminais e é considerado primário, o que reduz os riscos associados à sua soltura.
“Não há elementos concretos que sustentem a necessidade da custódia cautelar, pois não ficou demonstrado que a liberdade do réu comprometeria a ordem pública, a instrução criminal ou a aplicação da lei penal. Não há indícios de que o acusado tenha ameaçado testemunhas ou tentado interferir na investigação, tampouco elementos que indiquem sua participação em organização criminosa, o que reduz o risco de reiteração delitiva”
Lívia Regina Savergnini
Juíza do caso
Com a decisão, Diógenes deverá cumprir medidas cautelares, incluindo a obrigação de manter seu endereço atualizado e evitar qualquer contato com testemunhas relacionadas ao caso. A medida visa assegurar que ele permaneça à disposição da Justiça enquanto o processo segue em andamento.
O mistério em torno do desaparecimento de Sara
Sara desapareceu em 13 de novembro de 2022 , após informar à irmã que iria se encontrar com Diógenes em Porto Canoa. O relacionamento entre os dois, marcado por conflitos e comportamentos obsessivos, havia terminado recentemente. Na época, Sara planejava deixar a residência que ocupava no bairro Serra Dourada III, propriedade do ex-namorado, para morar com familiares.

Um detalhe chamou a atenção nos dias que antecederam o sumiço. Segundo relatos, uma tia disse ter visto Sara caminhando pela rua com um par de chinelos nas mãos, um comportamento incomum que gerou preocupação. Após o desaparecimento, imagens de câmeras de segurança mostraram a jovem entrando na casa de Diógenes, mas não saindo. Já o suspeito foi flagrado deixando o local em três ocasiões distintas, incluindo uma viagem até Fundão na mesma noite.
Durante depoimentos, Diógenes negou envolvimento no caso e disse não ter saído de casa no dia do desaparecimento. O que segundo as investigações da polícia, foi uma versão contraditória às evidências coletadas. Ele também apresentava lesões no rosto, semelhantes a arranhões, e se recusou a realizar exames de corpo de delito.
Posicionamento da defesa de Diógenes
Em nota, o advogado de Diógenes, Charles Boneli Gonçalves, afirmou que a decisão demonstra o compromisso com o devido processo legal.
“a liberdade foi analisada e pautada sobre a luz dos princípios e requisitos que norteiam o devido processo penal e permite não só o senhor Diógenes, mas qualquer cidadão responder ao processo em liberdade. Diógenes sempre estará à disposição da Justiça, pretende comparecer a todos os atos judiciais para sobretudo provar que a imputação que recai sobre seus ombros não são [sic] verdadeiras. A audiência de instrução já se encontra agendada, oportunidade que iremos esclarecer os fatos”
Charles Boneli Gonçalves
Advogado de defesa de Dioógenes
Histórico de comportamentos obsessivos entre Diógenes e Sara
De acordo com relatos da família e registros policiais, o relacionamento entre Sara e Diógenes durou apenas três meses, mas foi marcado por episódios de perseguição e violência psicológica. Testemunhas afirmaram que ele dificultava o fim do relacionamento e perseguia Sara até mesmo no ambiente de trabalho. Além disso, Diógenes possui histórico de processos por stalking contra outras ex-parceiras e ameaças à família de Sara.
Para o delegado Luiz Gustavo Ximenes, responsável pelas investigações, o perfil do suspeito sugere padrões preocupantes. “Perseguia ela no trabalho, praticava a violência psicológica. A gente tem esses fatos no inquérito policial. Ele tem essa característica de não aceitar o fim do relacionamento“, afirmou o titular da Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas (DEPD).
Família permanece em busca de respostas
Enquanto isso, a família de Sara continua enfrentando a dor da incerteza. A mãe, Zenia Conceição, e a irmã, Fernanda Conceição, seguem clamando por justiça e pedem que as autoridades esclareçam o paradeiro da jovem.
O caso permanece sob investigação, e as próximas etapas do processo judicial podem trazer novas pistas sobre o destino de Sara. Enquanto isso, o desfecho do caso segue sendo acompanhado de perto por familiares, amigos e a sociedade capixaba, que aguardam respostas para um dos desaparecimentos mais intrigantes da região.
O Serra Noticiário continua acompanhando o caso de perto e trará novas informações assim que possível.
