Na manhã da última quarta-feira (07), a moradora Mirian Dettmann, residente em Nova Carapina I, entrou em contato com a reportagem do Serra Noticiário para relatar que viveu momentos de tensão ao buscar atendimento médico para o marido, Danilo Dettmann, de 44 anos, na UPA de Castelândia, na Serra.
Danilo apresentava uma crise de vesícula, com dores intensas há cerca de três dias, o que motivou a ida do casal à unidade de saúde logo nas primeiras horas da manhã.
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Paciente enfrentou problemas na triagem da UPA de Castelândia
Segundo o relato de Mirian, o casal chegou à UPA por volta das 6h, quando Danilo passou pela triagem e recebeu pulseira verde, classificação que indica baixa prioridade no atendimento.
Diante do quadro clínico e das fortes dores, Mirian questionou a funcionária responsável pela triagem sobre os critérios utilizados. Ainda de acordo com a esposa, a resposta teria sido que:
“Eu falei: ‘moça, como que a senhora pode colocar uma pulseira verde numa pessoa com crise na vesícula?’. Aí ela virou e falou pra mim assim, como ele aguentou três dias, ele pode ficar com a pulseira verde e esperar ser chamado.”
Mirian Dettmann
Esposa do paciente
A fala teria causado indignação imediata no casal, que afirma não ter recebido qualquer explicação técnica mais detalhada.
Pedido de reavaliação teria gerado ofensas contra o paciente
Por volta das 7h50, com a dor se intensificando, Danilo solicitou uma reavaliação do seu estado clínico. No entanto, segundo Mirian, a situação piorou.
Ela afirma que a profissional da triagem teria mandado o paciente “calar a boca” ao ouvir as reclamações de dor. Sentindo-se humilhados e desrespeitados, o casal decidiu abandonar a unidade de saúde, sem que Danilo fosse atendido por um médico.
“Eu esperei um tempo, voltei de novo. Aí meu esposo já voltou com crise de dor, falando pra ela que tava esperando pra poder ela trocar a pulseira e a mulher mandou meu marido calar a boca. Aí eu falo pra vocês, isso é o que? Isso é falta de respeito, isso é falta de ética, isso não é papel de uma pessoa que tá trabalhando mandar uma pessoa calar a boca.”
Mirian Dettmann
Casal teve tentativas frustradas de ajuda
Após deixar a UPA, Mirian relata que tentou acionar a Polícia Militar e o SAMU, com o objetivo de transferir o marido para outra unidade de saúde.
No entanto, as tentativas não tiveram sucesso. O SAMU teria negado o atendimento, alegando que o paciente já estava em uma unidade de saúde no momento da solicitação. Sem alternativas, o casal retornou para casa.
Paciente segue sem atendimento médico
Desde a tentativa de atendimento até a presente data, Danilo permanece sem qualquer atendimento médico formal, recorrendo apenas a cuidados caseiros, como chás e medicação por conta própria, para aliviar a dor. Assim, a reportagem questionou se o paciente recorreu a atendimento em outra unidade. No entanto, a esposa respondeu que o casal está insatisfeito com o sistema de saúde do município e optou por continuar a medicação caseira apenas.
A situação é ainda mais preocupante porque, segundo a esposa, ele possui histórico de hepatite medicamentosa, o que aumenta os riscos da automedicação e pode agravar seu quadro de saúde.
Família cobra providências
Mirian afirma que decidiu tornar o caso público para cobrar respeito, humanização no atendimento e providências das autoridades de saúde. Dessa forma, evitando que situações semelhantes se repitam com outros pacientes da rede pública.
Reportagem entrou em contato com a Prefeitura da Serra
Diante do problema e dos riscos à saúde do paciente, na quinta-feira (08) a reportagem do SN entrou em contato com a Prefeitura da Serra questionando se:
- A gestão municipal tinha conhecimento do relato ocorrido na UPA de Castelândia no dia 7 de janeiro?
- Quais são os protocolos oficiais de triagem utilizados nas UPAs do município? Como é avaliada a gravidade de quadros como crises de vesícula?
- O paciente mesmo em estado grave permanece sem atendimento médico até o momento, a gestão pretende tomar alguma providência com relação ao caso?
Secretaria de Saúde respondeu ao Serra Noticiário
Nesta sexta-feira (11), a Secretaria de Saúde da Serra respondeu à demanda da reportagem informando que o atendimento na UPA de Castelândia seguiu corretamente o Protocolo Municipal de Acolhimento e Classificação de Risco, com o paciente apresentando sinais vitais estáveis e, por isso, recebendo classificação verde, realizada por enfermeiros capacitados. A pasta reforçou o compromisso com a humanização, o respeito e a ética no atendimento e destacou que as condutas relatadas estão sendo devidamente apuradas.
Confira a nota na íntegra:
“A Secretaria de Saúde da Serra informa que o atendimento ao paciente na UPA de Castelândia seguiu o Manual do Protocolo de Acolhimento e Classificação de Risco do Município da Serra, instrumento técnico que organiza o fluxo de urgência e emergência no município.
No momento da avaliação, o paciente apresentava sinais vitais estáveis e, por isso, recebeu a classificação verde. A classificação de risco na unidade é realizada exclusivamente por enfermeiros devidamente treinados e capacitados.
Dessa forma, reafirmamos nosso compromisso com a humanização, o respeito e a ética no atendimento e informamos que os relatos sobre a conduta profissional durante o acolhimento estão sendo devidamente apurados.”
O Serra Noticiário continua acompanhando o caso de perto e trará atualizações assim que possível.
