Em 2024, a inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou alta de 4,83%. Esse índice ultrapassou a meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que era de 3%, com tolerância até 4,5%. Comparada a 2023, a inflação foi 0,21 pontos percentuais maior.
O grupo Alimentação e Bebidas foi destaque, acumulando alta de 7,69% nos últimos 12 meses, representando uma contribuição significativa de 1,63 pontos percentuais para o IPCA.
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Impacto da inflação nos preços de alimentos e bebidas
A inflação refletiu diretamente no aumento de itens populares. Entre eles a carne bovina (picanha), a cerveja e outros itens comuns e desejados da mesa do brasileiro.
- Picanha: Apresentou aumento de 8,74%, superando a média do grupo Alimentação e Bebidas. A carne ganhou destaque em discursos de campanha do presidente Lula, como símbolo de acessibilidade econômica.
- Cerveja: Teve reajuste de 4,5%, também simbolizando mudanças no custo de itens de lazer.
- Patinho: Carne mais acessível, registrou alta expressiva de 24%, evidenciando a pressão inflacionária sobre proteínas.
- Ovo de galinha: Foi uma alternativa mais barata, com deflação de 4,54% ao longo do ano.
Presidente Lula citou produtos algumas vezes em sua campanha
Durante sua campanha eleitoral em 2022, Lula citou a picanha e a cerveja como elementos de um país mais inclusivo e economicamente estável. No entanto, os aumentos desses produtos ilustram como a inflação afeta diretamente a realidade dos brasileiros, especialmente entre as classes populares, que esperavam mais acessibilidade em itens de lazer e alimentação.
“Vamos voltar a reunir a família no domingo, com churrasquinho e vamos comer uma fatia de picanha e tomar uma cerveja gelada […] “Nós vamos voltar a comer picanha, é tudo que o povo quer. O povo gosta de coisa boa”
Falas de Lula durante campanha eleitoral.
Embora o cenário atual apresente desafios, o governo e o Banco Central buscam estratégias para conter os impactos inflacionários e melhorar a acessibilidade a produtos essenciais e de lazer.
Presidente do BC deu explicações sobre a inflação
Com o IPCA ultrapassando o teto da meta de inflação, o Banco Central precisou justificar os motivos para o CMN. A explicação oficial ocorreu em uma carta aberta, na última sexta-feira (10).
Dentre os principais fatores, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo culpou a ultrapassagem da meta da inflação a alguns fatores. Sendo o principal deles desvalorização do real, diante da alta do dólar.
“O fato de o real ter sido a moeda de maior depreciação em 2024, considerando seus pares ao nível internacional e os países avançados, sugere que fatores domésticos e específicos do Brasil tiveram papel expressivo nesse movimento cambial. No âmbito doméstico, a percepção dos agentes econômicos sobre o cenário fiscal afetou, de forma relevante, os preços de ativos e as expectativas dos agentes, especialmente o prêmio de risco, as expectativas de inflação e a taxa de câmbio”
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central em carta aberta
O Serra Noticiário continua acompanhando o caso de perto e trará mais informações assim que possível.
