Uma investigação da Polícia Federal, revelada em reportagem da Folha de S.Paulo, apontou indícios da existência de uma “rede de influências espúrias” no governo do Espírito Santo, articulada pelo desembargador federal Macário Júdice Neto dentro do governo do ES.
O magistrado está preso desde dezembro de 2025, agora é investigado por atuar em favor de interesses privados dentro da administração pública, além de manter relação próxima com o empresário da Serra, Adilson Ferreira.
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Investigação tem origem na Operação Baest
O caso tem como ponto de partida a Operação Baest, deflagrada pela Polícia Civil do Espírito Santo em maio de 2025, que investigou o chamado “braço financeiro” do tráfico no estado. O compartilhamento das mensagens com a Polícia Federal foi autorizado pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes.
Um dos principais alvos da operação é o empresário Adilson Ferreira, apontado como operador financeiro da facção Primeiro Comando de Vitória. Ele foi indiciado no relatório final concluído em setembro do mesmo ano. Recentemente, o empresário diz ter sido vítima de uma tentativa de homicídio, seu carro ficou perfurado pelos disparos de arma de fogo, o que o obrigou a mudar de residência.
Segundo a reportagem da Folha, mensagens encontradas no celular do empresário teriam revelado conversas com o desembargador Macário Júdice sobre licitações e estratégias jurídicas, uma delas na Secretaria Estadual de Educação.

Conversas indicariam tentativa de influência em licitações
De acordo com a apuração, entre 2023 e 2024, Macário Júdice e Adilson Ferreira teriam discutido formas de beneficiar a empresa Unique Serviços e Transportes em uma licitação de cerca de R$ 10,5 milhões para fornecimento de aparelhos de ar-condicionado à rede estadual de ensino.
Ainda segundo a Folha, o desembargador teria mencionado contato com integrantes da Procuradoria-Geral do Estado do Espírito Santo (PGE) e acompanhado recursos administrativos relacionados ao processo.
A Polícia Federal também identificou mensagens em que o magistrado teria solicitado favores a procuradores, como descontos na compra de equipamentos.
Governador Renato Casagrande citado na investigação
A investigação também menciona o nome do governador Renato Casagrande (PSB), que, segundo a reportagem, teria mantido diálogo com o juiz. Em resposta, o governador afirmou que as conversas tiveram caráter “institucional e republicano”, negando qualquer irregularidade.
Recentemente, a PF solicitou uma investigação após encontrar mensagens do governador com o juiz Macário Júdice
Outro citado é o procurador do Estado Rodrigo Júdice, irmão do juiz. Segundo a Folha, ele aparece mencionado como possível intermediário em contatos dentro da PGE, mas não há comprovação direta de atuação irregular. O procurador negou qualquer envolvimento.
Ex-subsecretário de Segurança Pública foi exonerado
Ainda dentro do contexto das investigações, o então subsecretário de Inteligência da Segurança Pública, Romualdo Gianordoli, foi exonerado do cargo em outubro de 2025 pelo governo estadual.
Órgãos citados negam irregularidades
Em nota, a Secretaria de Educação do Espírito Santo informou que seus processos licitatórios seguem critérios rigorosos de controle interno.
Já a Procuradoria-Geral do Estado afirmou que rejeitou os recursos apresentados pela empresa envolvida no caso e declarou confiança na atuação dos seus procuradores.
O governo do Estado reforçou que todas as licitações seguem normas legais e voltou a destacar que a relação do governador com o magistrado foi institucional.
Caso segue sob investigação
A Polícia Federal segue apurando o caso, que envolve possíveis irregularidades em contratos públicos, influência indevida em órgãos estaduais e conexões entre agentes públicos e investigados.
O Serra Noticiário continua acompanhando o caso de perto e trará atualizações assim que possível.
