A exoneração, sem pedido, do secretário municipal de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer da Serra, Anderson Magalhães Madeira, publicada no Diário Oficial desta terça-feira (25), não derrubou somente um nome do primeiro escalão. Derrubou também o clima de aparente harmonia e gerando treta entre o deputado estadual Alexandre Xambinho (Podemos) e o grupo político da família Vidigal.
Anderson havia sido indicado pelo Podemos, presidido por Xambinho na Serra, que coordenou a campanha de Weverson em 2024 e elegeu o atual prefeito, Weverson Meireles (PDT).
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Bastidores do sexto andar da Prefeitura da Serra
A coluna Chico Prego conversou com interlocutores da gestão Weverson Meireles. Nos bastidores do sexto andar, o discurso é de que a queda de Anderson teria sido motivada por “questões técnicas”. Segundo essas fontes, o secretário não estaria entregando o resultado esperado à frente da pasta e havia uma avaliação interna de desgaste na relação com o prefeito.
Publicamente, porém, a Prefeitura não manifestou os motivos, apesar de ter sido procurada pela coluna. A versão oficial, até aqui, se resume ao ato de exoneração no Diário Oficial e ao nome de quem assume interinamente: a aliadíssima de décadas da família Vidigal, Wanessa Cristina Vasconcelos Bruno Souza.
Do outro lado, o Podemos divulgou nota afirmando ter recebido “com surpresa” a demissão do secretário, ressaltando que a decisão foi unilateral, sem qualquer comunicação prévia ao partido, e cobrando mais diálogo com o Executivo.
No texto, o partido lembra que participou “ativamente” da eleição de Weverson Meireles em 2024, elegendo três vereadores e tendo o deputado estadual Alexandre Xambinho como coordenador da campanha, além de reforçar que indicou Anderson para a Setur, onde, segundo a sigla, ele realizou “um trabalho técnico e alinhado às demandas da cidade”.
A legenda afirma ter recebido “com surpresa” a exoneração, classificada como decisão “unilateral” e “sem qualquer comunicação prévia ao partido”, e, mesmo reafirmando o respeito institucional ao Executivo, cobra mais diálogo e “construção conjunta” para o fortalecimento do governo e o bem da população serrana.
Bastidores e pressão do clã Vidigal
A coluna Chico Prego também ouviu aliados do deputado Alexandre Xambinho. Para esse grupo, a explicação “técnica” não se sustenta. Eles atribuem a exoneração a uma disputa antecipada em torno das eleições de 2026.
O clã Vidigal trabalha para consolidar apoio em torno de um projeto familiar para a Câmara Federal, com o filho mais novo como possível candidato. A expectativa seria a de que toda a base do governo se alinhasse a esse plano.
Segundo fontes próximas a Xambinho ouvidas pela coluna Chico Prego, o deputado tem resistido a esse fechamento automático. Ele estaria mais inclinado a manter a parceria de longa data com o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União Brasil), e não teria sinalizado, até agora, compromisso integral com o projeto federal da família Vidigal. Esse movimento, ainda sem anúncio público, teria irritado o grupo a ponto de pressionar pela exoneração da indicação do Podemos na secretaria.
Esses mesmos interlocutores afirmam que já havia um esvaziamento em curso na pasta de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer, com troca e remanejamento de servidores ligados a Xambinho, o que é lido no entorno do deputado como recado político.
Risco de transformar aliado em adversário
Nas conversas feitas pela coluna, tanto com aliados de Xambinho quanto com figuras próximas ao clã Vidigal, um ponto chama atenção: todo mundo reconhece que o deputado foi peça central na campanha que elegeu Weverson. Portanto, transformar esse aliado em adversário agora, num momento em que o projeto familiar para 2026 ainda nem tem partido definido, é visto por vários interlocutores como uma briga antecipada e desnecessária.
Para quem acompanha a política da Serra há mais tempo, esse tipo de conflito não é novidade. O clã Vidigal coleciona ex-aliados ao longo da trajetória política, justamente, por interesses familiares acabaram se sobrepondo às expectativas de aliados.
A prefeitura da Serra foi procurada pela coluna Chico Prego para esclarecer os motivos da exoneração de Anderson Magalhães Madeira, mas, até o momento da publicação desta matéria, não houve resposta do Executivo municipal.
