Na tarde desta segunda-feira (18), a Polícia Civil (PCES), por meio da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), prendeu o homem suspeito de assassinar mãe e filha a golpes de facão no bairro Residencial Centro da Serra, na Serra. O crime aconteceu na madrugada do último sábado (16) e chocou moradores da região pela violência do ataque.

As vítimas foram identificadas como Michele Germano de Sales, de 40 anos, e Milena de Paula Silva Germano Sales, de 24 anos. Segundo as investigações, o suspeito, de 34 anos, mantinha um relacionamento extraconjugal com Michele e fugiu logo após o crime.
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Investigações
De acordo com a chefe da DHPM, delegada Raffaella Aguiar, equipes da Polícia Civil iniciaram as investigações ainda durante a madrugada do crime. As imagens de videomonitoramento registradas no local ajudaram os investigadores a identificar rapidamente o suspeito.
Ainda conforme a delegada, diversas equipes se revezaram nas buscas ao longo do final de semana até que, na manhã desta segunda-feira, os policiais receberam informações sobre o possível paradeiro do homem no bairro Jardim Limoeiro, também na Serra.
Durante a coletiva, o delegado-geral da Polícia Civil (PCES), Jordano Bruno, destacou que a corporação tem atuado de forma rigorosa em casos de violência contra a mulher e feminicídio.
“A Polícia Civil atua de forma muito enérgica em relação à violência contra a mulher e também em relação ao feminicídio. Quando ocorre um crime dessa natureza, mobilizamos nossas equipes para dar uma resposta rápida para a sociedade”, afirmou o delegado-geral.
Jordano Bruno também destacou que, além deste caso na Serra, outro suspeito de feminicídio foi identificado e preso no último sábado pelas equipes da corporação.
Suspeito foi encontrado na Defensoria Pública
Ainda segundo a delegada Raffaella Aguiar, o suspeito foi localizado na Defensoria Pública, em Jardim Limoeiro, na Serra. Conforme relato da delegada, o homem afirmou que pretendia se apresentar espontaneamente à polícia após o prazo de 24 horas do crime, acreditando que, assim, evitaria uma prisão em flagrante.
A delegada questionou o motivo de ele não ter permanecido no local caso realmente tivesse a intenção de se entregar. Segundo Raffaella Aguiar, o suspeito respondeu que aguardou o fim do período de flagrante porque “não queria ser preso”. A delegada afirmou ainda que a justificativa apresentada por ele “não procede e não condiz” com os fatos investigados.
“A culpa é das vítimas”
Durante o interrogatório, segundo a Polícia Civil, o suspeito apresentou versões consideradas contraditórias e tentou responsabilizar as vítimas pelo crime.
Ainda conforme a investigação, o homem afirmou que estava consumindo drogas quando teria começado uma discussão com Michele e Milena. Conforme o depoimento, ele alegou que se sentiu ameaçado e provocado e que teria ido até o local com um facão após as vítimas lançarem um rojão em direção à casa dele.
A investigação aponta que Milena foi atacada primeiro. Em seguida, Michele tentou defender a filha e acabou sendo perseguida pelo suspeito em plena rua antes de também ser assassinada.
Vídeo do crime
A reportagem do Serra Noticiário teve acesso às imagens de videomonitoramento que registraram parte da ação criminosa. Os vídeos mostram Michele correndo pela rua enquanto era perseguida pelo suspeito armado com um facão.
Segundo os investigadores, as imagens também registraram o momento em que o homem deixa o local caminhando sozinho logo após o crime.
Relação conturbada e ciúmes
Segundo a delegada Raffaella Aguiar, a principal linha de investigação aponta que o crime teria sido motivado por ciúmes e conflitos envolvendo o relacionamento extraconjugal mantido entre o suspeito e Michele.
De acordo com a Polícia Civil, o homem morava próximo às vítimas e tanto a esposa dele quanto familiares de Michele já tinham conhecimento da relação entre os dois. A delegada destacou ainda que as casas ficavam muito próximas umas das outras, o que contribuía para os constantes conflitos entre os envolvidos.
Esposa do suspeito
A Polícia Civil também ouviu a esposa do suspeito durante as investigações. Segundo a delegada, a mulher confirmou que existiam provocações e conflitos entre ela e as vítimas por causa do relacionamento extraconjugal mantido pelo investigado com Michele.
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Ainda conforme a investigação, a esposa afirmou que nunca sofreu agressões físicas do companheiro no Espírito Santo. No entanto, relatou que, quando o casal morava em Rondônia, houve um episódio em que o homem chegou a ameaçá-la de agressão, mas não concretizou o ato.
Drogas e álcool
Ainda conforme o depoimento do suspeito, na noite do crime ele estaria consumindo drogas quando teria começado uma discussão com as vítimas, que também estariam fazendo uso de drogas e álcool.
O homem alegou à polícia que Michele e Milena o ameaçavam e chegaram a lançar um rojão em direção à residência dele.
A delegada, no entanto, afirmou que o suspeito não conseguiu explicar quais seriam essas ameaças e ressaltou que nada justifica a violência praticada.
Segundo a Polícia Civil, durante o interrogatório, o homem tentou minimizar a própria responsabilidade e atribuir a culpa do crime às vítimas. O suspeito alegou que mãe e filha provocavam sua esposa e afirmou que estava se sentindo ameaçado. No entanto, ele não explicou quais atitudes das vítimas teriam provocado esse receio.
A delegada também afirmou que o suspeito apresentou comportamento manipulador ao tentar se colocar como vítima da situação.
“A gente vê aquele perfil clássico do feminicida, que tenta inverter a situação e se colocar como vítima”, afirmou a delegada durante a coletiva.
Outro detalhe revelado pela Polícia Civil é que uma criança de apenas cinco anos estava dentro da residência no momento do crime. Segundo informações, a criança seria neta de Michele e filha de outra mulher da família, não tendo relação direta com Milena.
Segundo a delegada, o suspeito não possuía antecedentes criminais. A Polícia Civil informou que a investigação trabalha com a possibilidade de o homem responder por dois homicídios qualificados com agravantes relacionadas ao feminicídio ao fim do inquérito.
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