Em setembro de 2023, a Praia de Manguinhos, na Serra, foi palco de um emocionante resgate de um filhote recém-nascido de baleia-jubarte. O animal encalhou na região enquanto sua mãe permanecia nas proximidades, aparentemente tentando ajudá-lo.
Na ocasião, o Serra Noticiário divulgou uma cobertura completa desde a identificação da baleia-jubarte encalhada até o momento do resgate, que gerou muita comoção na população local.
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Veterinários recusaram protocolo de eutanásia e salvaram baleia-jubarte
Apesar de ferimentos e perda de sangue, o filhote estava em boas condições de saúde, o que motivou a equipe de resgate a tentar salvá-lo, contrariando protocolos vigentes, que determinavam práticas de eutanásia para animais de grande porto encalhados.
Durante o resgate, técnicas como monitoramento de sinais vitais, aplicação de toalhas molhadas e medicação para alívio da dor foram utilizadas. Após cerca de seis horas de esforço, o filhote, posteriormente batizado de “Jurema,” foi devolvido ao mar e se reencontrou com a mãe. Três dias depois, os dois foram avistados juntos, com Jurema identificado graças a uma cicatriz em forma de meia-lua na nadadeira.

Mudanças no protocolo nacional
De acordo com matéria publicada pelo G1, o sucesso do resgate levou à revisão do protocolo da Rede de Encalhe e Informação de Mamíferos Aquáticos do Brasil (REMAB). Desde janeiro de 2024, a decisão de eutanásia ou reintegração passou a ser tomada pela equipe veterinária no local, formada por veterinários, biólogos e especialistas.
Visto que, até então, o documento não fornecia orientações precisas sobre de quem era a decisão de optar pela eutanásia do animal ou proceder com o resgate. Agora, a equipe de resgate tem a possibilidade de avaliar o estado de saúde do animal e tomar a decisão que mais se adeque as condições de momento, sem optar diretamente pela eutanásia.
“Antes você seguia o protocolo a risca. Agora, deixou a mão da equipe veterinária fazer a decisão da eutanásia ou reintroução do animal. Essa equipe é composta pro diferentes profissionais, como veterinários, biólogos, entre outros”
Ian Augusto Gusman Cunha, veterinário do Instituto ORCA
Drones e técnicas de fotogrametria foram empregados para monitorar a saúde e o comportamento do filhote após o resgate. Essas tecnologias fazem parte de um projeto para avaliar a socialização e a saúde de mamíferos marinhos.

Impactos e expectativas do resgate em Manguinhos
O caso de Jurema foi considerado especial, com poucas chances de sucesso. No entanto, especialistas como João Marcelo Nogueira, do Instituto Orca, e Thiago Ferrari, dos Amigos da Jubarte, destacaram o impacto positivo do resgate. A equipe segue acompanhando a saúde do filhote, que deve alcançar a independência em cerca de três anos.
“Infelizmente, em casos como esse, já é esperado que o animal vá morrer ou que encalhe novamente. Esse foi um verdadeiro momento especial onde sentíamos que o filhote estava querendo viver, e foi o que aconteceu”
Thiago Ferrari, Amigos da Jubarte
Recomendações para a população
Por fim, ao encontrar um animal encalhado, especialistas orientam que não se deve tocar ou se aproximar do animal. Além disso, a área deve ser isolada para evitar aglomerações, e os órgãos competentes devem ser acionados pelo número 0800 039 5005.
