Na noite da última segunda-feira (17), uma ação de uma equipe do 6º Batalhão da Polícia Militar (PMES) terminou em confusão durante a captura de Paulo Vítor de Freitas, de 18 anos, no bairro Jardim Carapina, no município da Serra. Durante a abordagem, o sujeito tentou fugir e resistiu à detenção; além disso, algumas pessoas tentaram intervir e os militares fizeram uso de balas de borracha.
De acordo com os policiais militares que atenderam a ocorrência, inicialmente a equipe foi acionada para verificar uma denúncia de motocicleta com restrição de furto ou roubo na região. Sendo assim, os militares localizaram o veículo indicado e realizaram a apreensão da moto. Em seguida, retomaram o patrulhamento pelo bairro, até que, por volta das 21h, avistaram um indivíduo conhecido dos militares por histórico de fugas e resistência à prisão.
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Velho conhecido da PM
Ainda de acordo com os policiais militares, o sujeito tinha dois mandados de busca e apreensão em aberto, um deles por fugir do Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases).
Paulo Vítor também já havia se envolvido em ocorrências que incluíam fuga após luta corporal com militares, quando teria escapado levando as algemas de um policial durante uma abordagem, em 18 de setembro, no mesmo bairro.
Durante a abordagem desta última segunda, o fugitivo foi questionado sobre sua identidade, ele forneceu um nome falso na tentativa de enganar a equipe, mas acabou reconhecido pelos militares, que já o conheciam de outras situações.
Ao perceber que não conseguiria enganar a equipe, o indivíduo desobedeceu às ordens e iniciou uma fuga em uma bicicleta, incitando moradores contra os policiais militares e alegando que era inocente. Durante a fuga, o sujeito chegou a cair na esquina da Avenida Porto Seguro, abandonou a bicicleta e continuou a fuga a pé. A equipe continuou a persegui-lo e conseguiu alcançá-lo na Rua Cachoeiro de Itapemirim.
Ataque contra a equipe
O sujeito resistiu à abordagem, passou a xingar os militares e tentou mobilizar moradores para impedir a ação. Durante a luta corporal, segundo os militares, pessoas supostamente começaram a arremessar pedras contra a equipe, e um dos militares teria sido atingido na coxa por uma delas.
Com a situação saindo do controle e visando proteger a equipe e o próprio detido, os militares utilizaram a arma de choque (Taser) para tentar imobilizá-lo e efetuar a detenção.
Porém, em uma das tentativas, os dardos atingiram apenas a camiseta do indivíduo, sem qualquer efeito incapacitante. Em seguida, os militares alegaram que diante do risco representado pelos suspostos ataques contra ele, foram obrigados a realizarem disparos de bala de borracha na direção das pessoas, com o objetivo de dispersar o grupo.
Mesmo algemado, o indivíduo continuou a resistir e tentou impedir sua condução à viatura com chutes e movimentos bruscos, exigindo nova contenção. Tanto o detido quanto um dos militares sofreram escoriações e foram encaminhados à UPA da Praia do Suá para atendimento. Após a liberação médica, o sujeito foi conduzido ao Plantão da Delegacia Especializada de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE), onde as medidas cabíveis foram adotadas.
Versão de um dos moradores
Uma pessoa que estava no local no momento em que o sujeito foi detido procurou a reportagem do Serra Noticiário, relatando que houve excessos dos militares contra as pessoas que tentaram intervir na ação da PM.
Ainda segundo o morador, os militares foram truculentos com o sujeito detido e, no momento em que utilizaram as balas de borracha, acabaram acertando uma mulher grávida que estava no local com duas crianças. Além dos relatos, a equipe do SN recebeu imagens e vídeos da ação da PM.
Vídeo YouTube SN:
PM esclarece que o homem possui historico de fuga
Os policiais militares reforçaram que toda a ação seguiu os princípios de legalidade, necessidade e proporcionalidade previstos no Uso Diferenciado da Força da Polícia Militar e que o uso da força contra o indivíduo foi aplicado após ele resistir à abordagem. O sujeito possui histórico de fuga de unidades do Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (IASES) e diversas ocorrências anteriores envolvendo resistência e evasão.
Atualização:
Após a publicação desta reportagem, a mãe de Paulo Vítor procurou o Serra Noticiário e informou que o jovem não foi preso por ser fugitivo, mas autuado pelos crimes de desacato e resistência à prisão.
