No final da noite deste último sábado (13), uma confusão generalizada envolvendo equipe da Polícia Militar (PMES) e moradores foi registrada na Avenida Norte Sul, no bairro Cidade Pomar, na Serra. Vídeos enviados ao Serra Noticiário mostram trechos da treta, com uso de voadora, balas de borracha, gás lacrimogêneo e correria. A ação policial tinha como objetivo capturar um foragido da Justiça, considerado de alta periculosidade.
As imagens que circulam nas redes sociais mostram trechos da confusão já em andamento, com populares discutindo com policiais e tentativas de contenção da multidão. Em um dos vídeos que gerou muita revolta entre moradores, uma mulher foi atingida com uma voadora durante o tumulto. Essa informação, no entanto, não consta no relatório dos militares Polícia Militar, ao qual o SN teve acesso.
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Ação começou após denúncia sobre foragido armado
De acordo com o relatório da PM, a ocorrência teve início após a equipe receber denúncia anônima indicando que um foragido da Justiça, com mandado de prisão em aberto por homicídio, estaria em uma distribuidora localizada na região, vestido com uma camisa do flamengo. A informação também apontava que o suspeito estaria armado.
Os policiais se deslocaram até o endereço indicado e conseguiram visualizar o homem. Ao perceber a aproximação da viatura, ele fugiu para dentro de uma residência ao lado do estabelecimento, iniciando uma perseguição a pé por casas vizinhas.
Tentativa de bloqueio e hostilização de policiais
De acordo com o boletim de ocorrência, no momento em que os policiais tentavam capturar o foragido — que havia corrido para o interior de uma residência ao lado da distribuidora — dois homens se colocaram fisicamente à frente da equipe, tentando impedir a progressão dos militares. A ação criou um bloqueio direto à entrada dos policiais e possibilitou que o suspeito pulasse muros e seguisse em fuga por residências vizinhas.
Com o avanço da ocorrência, frequentadores do bar e moradores da região passaram a se aglomerar e hostilizar os policiais, estimulados pelos mesmos indivíduos que haviam tentado impedir a ação. Segundo a PM, o grupo passou a proferir xingamentos, ameaças e a se aproximar de forma agressiva da guarnição, criando um cenário de instabilidade e risco iminente.
Diante da hostilidade crescente, os policiais montaram um perímetro de segurança para impedir que os populares invadissem a área da ocorrência e atentassem contra a integridade física da equipe. Ainda assim, um dos homens envolvidos na obstrução da ação policial subiu para o alto de uma residência, acreditando que, por estar em local elevado e confinado, não seria detido. Do alto da casa, ele passou a arremessar pedras contra os militares, intensificando ainda mais o confronto.
A PM relata que, mesmo após tentativas de contenção verbal, o tumulto persistiu. Populares continuavam a arremessar objetos à distância, enquanto a equipe precisava dividir sua atenção entre o controle da multidão, a proteção dos policiais e a tentativa frustrada de manter o cerco ao foragido.
Com a situação fora de controle e a fuga do suspeito já consolidada, os militares concentraram esforços na contenção dos envolvidos que incitavam o tumulto, realizando a prisão dos indivíduos que resistiram ativamente à abordagem. Apesar do cerco e da atuação de várias equipes de apoio, o foragido conseguiu escapar, tomando destino ignorado, não sendo localizado até o encerramento da ocorrência.
Uso de munição de menor potencial ofensivo e dispersão
Diante da escalada da confusão, o relatório informa que foram empregados meios de controle de distúrbios, incluindo munição de menor potencial ofensivo, granadas de efeito moral e gás lacrimogêneo, sempre, segundo a PM, respeitando os protocolos de segurança e as distâncias regulamentares.
O documento também relata que, em determinado momento, uma viatura de apoio foi recebida com disparos vindos de uma área de mata próximo da Avenida Laranjeiras, o que levou um oficial a efetuar disparos para cessar a agressão, interrompendo a ameaça e dispersando a multidão.
Prisões, apreensões e atendimento médico
Dois homens foram presos durante a confusão, acusados, conforme o boletim, de favorecimento pessoal, desacato, resistência e incitação ao crime. Ambos apresentavam escoriações e foram encaminhados para uma UPA de Carapina, antes de serem conduzidos à delegacia.
Após o controle total da situação, a PM realizou varredura no local e apreendeu munições, carregador alongado e um simulacro de arma de fogo. O relatório destaca que não houve registro de pessoas feridas por arma de fogo atendidas em unidades de saúde da região.
Atualização:
Após a publicação da reportagem, o marido da mulher que aparece nas imagens sendo agredida procurou o Serra Noticiário e apresentou a versão dele sobre a ocorrência em Cidade Pomar. Em mensagem enviada à redação, ele afirmou que havia acabado de chegar do trabalho e que estava com a esposa e a filha de 5 anos quando os policiais chegaram ao local. Segundo o relato, os militares teriam apontado armas na direção de crianças e pessoas que estavam em frente ao comércio, o que o levou a intervir verbalmente. Ele diz que, ao tentar falar com um policial, foi agredido, e contesta a narrativa de que teria causado confusão para facilitar a fuga do foragido.
“Eu estava com minha filha e minha esposa ao meu lado. Nem se eu fosse o cara mais burro do mundo eu faria uma coisa dessas. Eu levanto todos os dias às 4h30 para trabalhar, meu dia a dia é trabalho e casa”, escreveu. Ele também criticou o fato de, segundo ele, que boletins de ocorrência são preenchidos por militares, “com o que convém a eles”.
Imagens da treta em Cidade Pomar
O SN recebeu vídeos de moradores com cenas da confusão e do tumulto registrado durante a ocorrência. Veja abaixo.
