Urubus passaram a ocupar a faixa de areia da Praia de Carapebus, na Serra, após o rompimento da Lagoa de Carapebus, ocorrido no último dia 21. A situação foi registrada por uma moradora na quarta-feira (28), que enviou imagens ao Serra Noticiário mostrando dezenas de aves na orla e relatando a presença de peixes mortos e o forte mau cheiro. A Prefeitura da Serra foi procurada para comentar o caso.
Desde o rompimento da lagoa, que despejou água contaminada diretamente no mar, moradores relatam agravamento das condições ambientais na região. Uma leitora do SN gravou vídeos que mostram grande concentração de urubus na areia e descreveu o odor intenso no local. “Olha a quantidade de urubu que apareceu. Tá tudo urubu na praia, e o fedor que tá agora é isso aí que a gente tem que conviver: a carniça da lagoa, um monte de urubu na beira da nossa praia”, relatou.
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Questionada pela reportagem se o mau cheiro ainda persiste, a moradora confirmou que a situação continua crítica. “Sim, muito. Muitos peixes mortos pela orla depois do vazamento da lagoa”, afirmou.
O repórter Wall Junior, do Serra Noticiário, esteve neste último sábado (31) na Lagoa de Carapebus para gravações desta reportagem e constatou que, no local, já não havia mais aves nem peixes mortos. Confira abaixo o vídeo:
Vídeo YouTube SN:
O que pode ter causado a morte dos peixes?
Apesar das preocupações com a contaminação da água da lagoa com esgoto, a principal hipótese levantada é que os óbitos dos peixes esteja diretamente ligado ao rompimento da lagoa com o mar. Com a abertura da barra, espécies de água doce que viviam na Lagoa de Carapebus foram arrastadas para o oceano, não resistiram ao contato com a água salgada e acabaram morrendo. Posteriormente, as ondas trouxeram os corpos dos peixes para a faixa de areia, onde passaram a ser vistos ao longo da orla. Dessa forma, atraindo a presença dos urubus.
Relembre o rompimento da Lagoa de Carapebus
O rompimento da Lagoa de Carapebus ocorreu na quarta-feira (21), quando a barreira de areia que separa a lagoa da praia cedeu, permitindo que a água escoasse em direção ao mar. À época, vídeos enviados ao Serra Noticiário mostraram a formação de uma correnteza na faixa de areia e a coloração escura da água, levantando preocupação sobre possível contaminação por esgoto. Moradores também relataram cheiro forte no momento do rompimento.

De acordo com o monitoramento de balneabilidade da Prefeitura da Serra, a Lagoa de Carapebus é considerada um ponto crônico, frequentemente classificado como impróprio para banho. O episódio ocorre em meio a um histórico recente de debates sobre a qualidade da água no litoral do município, após períodos em que grande parte das praias foi considerada imprópria — situação que a administração municipal atribuiu, à época, às chuvas intensas.
Com o rompimento da lagoa e a permanência de resíduos orgânicos na praia, moradores temem que o cenário ambiental da região volte a se agravar, especialmente nas proximidades do ponto onde a lagoa desaguou no mar. O Serra Noticiário segue acompanhando.
O que diz a Prefeitura da Serra?
A Prefeitura da Serra foi procurada pela reportagem para comentar sobre a situação, mas até o momento da publicação, não houve resposta do município.
