Nesta quinta-feira (08), a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, apresentou durante coletiva de imprensa as prisões e conclusões sobre a emboscada e execução ocorrida no dia 6 de março de 2024. A vítima, Welington de Souza Lima, de 47 anos, conhecido como Leleto, foi morto com 27 tiros em plena luz do dia, no Parque Residencial Laranjeiras, na Serra. No total, foram disparados 79 tiros, com armas de calibres 9 mm e .40.
A vítima estava no banco do carona de um Renault Sandero de corrida por aplicativo. O carro foi interceptado por um Toyota Yaris clonado. Três homens desceram do veículo e abriram fogo. As imagens de câmeras mostram que os atiradores sabiam exatamente onde Leleto estava sentado. Ele morreu sem chance de defesa. A porta ao seu lado havia sido travada.
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O repórter Wal Junior do Serra Noticiário esteve no local do crime e também acompanhou a coletiva da Polícia Civil, onde conseguiu uma entrevista exclusiva com o delegado Rodrigo Sandi Mori, que trouxe mais detalhes sobre o caso e o andamento das investigações.
Vídeo Instagram SN:
Veículo clonado e execução coordenada
De acordo com as investigações, o veículo Toyota Yaris usado no crime foi clonado. A placa original pertencia a um veículo de Minas Gerais. O carro não foi encontrado. A investigação mapeou o trajeto do grupo: eles saíram às 10h do bairro Serra Dourada e aguardaram a vítima próximo ao Hospital Dório Silva.
A emboscada foi filmada. O Sandero foi fechado na Rua Miguel Ângelo. No instante em que o Uber parou, Ruan já desceu atirando no carona. A ação durou segundos. Os criminosos usavam capuzes. O local, de grande circulação, estava repleto de testemunhas.
Vídeo Youtube SN:
Investigações chegam até o mandante
Segundo o delegado responsável pelo caso, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, a ordem para a execução partiu de dentro do presídio Gabriel Ferreira Castilho, em Bangu, no Rio. O mandante é Tobias, líder do tráfico no bairro Serra Dourada 2. Mesmo preso desde 2022, ele continuava a comandar crimes por meio de chamadas de vídeo. Foram apreendidos, entre outubro de 2023 e março de 2025, cerca de 100 celulares na galeria onde ele está custodiado.

Motivação antiga
Tobias e Leleto começaram no tráfico juntos, em 2000, no bairro Serra Dourada 2. A relação se rompeu em 2006, quando o segundo migrou para o tráfico rival, do Serra Dourada 3. Em 2018, Leleto tomou o controle do ponto de drogas na Rua Gardênia, território de Tobias. A guerra entre os dois se intensificou.
O estopim final veio quando Ruan, expulso do tráfico do Serra Dourada 3, buscou refúgio com Tobias. Para provar lealdade, aceitou planejar e executar a morte de Leleto. Ele mesmo conduziu o plano, recrutou cúmplices, articulou a emboscada e disparou os primeiros tiros.

Os executores
Além de Ruan, participaram da execução Lucas (vulgo Tuelinho) e Diogo Amaral (conhecido como Coroa). Ruan ne Diogo já estão presos. Lucas está foragido, escondido no Rio de Janeiro. Ele é visto nas imagens com uma arma de rajada, usando capuz. A prisão de Luís Felipe foi feita em março deste ano, em São José dos Campos, interior de São Paulo, com apoio da polícia local.
Diogo, segundo a investigação, é braço armado de Tobias. Já Lucas, além de envolvido neste crime, tem outro mandado de prisão por tentativa de homicídio.


Traição e emboscada
O elemento-chave para o sucesso da execução foi Luiz Felipe, motorista do Uber. Ele já havia sido preso por tráfico e porte ilegal de armas em São Paulo, onde era filiado ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Segundo a polícia, ele atuava como motorista particular de traficantes da Serra, inclusive do próprio Tobias.
Luiz Felipe foi quem buscou Leleto no presídio, como já havia feito em outra saidinha, em dezembro de 2023. Na ocasião, levou escolta armada. Desta vez, foi sozinho, a mando de Tobias. Disse à vítima que a escolta não viria por decisão pessoal. A confiança de Leleto no motorista foi determinante.
Pelo serviço de intermediação, Luiz Felipe recebeu R$ 35 mil. Ele sabia que a corrida terminaria em execução. Impediu que um familiar da vítima embarcasse, alegando perigo.
Conclusão da Investigação
A DHPP Serra levou um ano e dois meses para fechar o inquérito, que tem mais de mil páginas, distribuídas em três volumes. A denúncia inclui os crimes de homicídio qualificado (por motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa e uso de arma restrita), além de associação criminosa.
Todos os envolvidos foram denunciados e se tornaram réus na 3ª Vara Criminal do Júri da Serra, exceto o motorista do veículo usado na emboscada, que ainda não foi identificado. Entre os acusados, apenas Lucas permanece foragido. Segundo o delegado, após a prisão dos autores, os tiroteios entre facções em Serra Dourada 2 e 3 cessaram.

Sabe de alguma coisa?
Caso tenha infomrações sobre o motorista da emboscada ou paradeiro de Lucas Ribeiro, ajude denunciando com informações de forma anônima através do Disque-Denúncia (181) ou do perfil oficial da Delegacia de Homicídios Serra no Instagram: @DHPP.Serra
O anonimato é garantido e todas as informações fornecidas são investigadas
Mais detalhes sobre o caso
Mais detalhes sobre o homicídio podem ser conferidos no vídeo abaixo, que traz um trecho da coletiva apresentada pelo delegado Rodrigo Sandi Mori.