Na última segunda-feira (12), até então gestante, Camila Lopes de 27 anos, moradora do bairro Jardim Limoeiro, deu à luz sua filha no Hospital Materno Infantil da Serra, em Colina de Laranjeiras. No entanto, o momento que deveria ser de felicidade com o nascimento da bebê, acabou marcado por complicações que resultaram em fratura: a recém-nascida acabou com a perna direita quebrada durante o parto. A mãe agora culpa a equipe médico do Hospital pelo ocorrido.
A Secretaria de Saúde classificou o parto como de “extrema dificuldade” e afirmou que a bebê está recebendo todos os cuidados necessários após o ocorrido.
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Bebê sofre fratura na perna durante parto no Materno Infantil
Na última quinta-feira (15), a reportagem do Serra Noticiário conversou com Camila para entender como tudo aconteceu até o momento do parto. Em depoimento para a nossa equipe, a mãe relatou que começou a sentir fortes contrações e perda do tampão mucoso na madrugada de quinta-feira (08).
Assim, ela conta que ao procurar atendimento no pronto-socorro, foi diagnosticada com contrações ritmadas e encaminhada ao Hospital Materno Infantil da Serra. Ao chegar, ela foi avaliada e informada de que estava com apenas um centímetro de dilatação.
Dessa forma, ela conta que médicas a orientaram retornar para casa e aguardar o trabalho de parto efetivo ou comparecer no dia 20 para realizar a cesárea, já que, segundo as medicas de plantão, a posição da bebê não era ideal para um parto normal.
“Cheguei no materno no dia 8, com dor e o encaminhamento em mãos, alegando que estava com contrações. As médicas me avaliaram e disseram que eu estava com um centímetro de dilatação. Orientaram que eu retornasse para casa e ficasse atenta às contrações. Se elas aumentassem e eu entrasse em trabalho de parto efetivo, deveria retornar. Caso contrário, deveria ir para a maternidade no dia 20 de maio, em jejum, para realizarem a cesárea, já que minha filha estava sentada, conforme a última ultrassonografia.”
Camila Lopes
Mãe
No domingo (11), às 21h30, Camila conta que sentiu uma dor intensa e percebeu que a bolsa havia estourado. Ela foi levada ao Materno Infantil, mas enfrentou dificuldades na avaliação inicial. Apesar das dúvidas sobre a ruptura da bolsa, ela foi internada após uma hora de observação.
“Quando foi no domingo do Dia das Mães, à noite, por volta de 21h30, senti uma dor muito forte na barriga e levantei. Fui ao banheiro, fiz xixi, mas continuei sentindo uma dor intensa […] Ao chegar na maternidade, o médico me avaliou, mas disse que não sabia dizer se a bolsa realmente havia estourado. Me deixou em observação por uma hora”
Camila Lopes
Complicações durante o parto
Na manhã de segunda-feira (12), Camila relatou que foi informada de que a cesárea seria realizada. Porém, antes do início do procedimento, ela teria sido retirada do centro cirúrgico para priorizar outro parto considerado mais urgente. Quando finalmente retornou, começaram as complicações.
“Chegando no centro cirúrgico, eu deitei na maca, as meninas começaram a fazer todo o preparamento. Quando eu já estava deitada, que a anestesista ia me anestesiar, mandaram eu levantar da cama, da maca, porque tinha uma outra grávida ganhando neném que era mais grave que eu. Eu levantei, saí de dentro da sala do centro cirúrgico. Aí decidiram que a menina ia ganhar normal porque o bebê já estava saindo“
Camila Lopes
Camila detalha como foram os momentos do parto
De acordo com Camila, durante a cirurgia, o médico responsável teve dificuldade em localizar a cabeça da bebê. Segundo a mãe, ele tentou instruir uma residente, dizendo frases como: “Ah, pega pela perna, mas é errado.” Em seguida, ele teria brincado: “É, mas se vocês me verem errando, é assim que vocês vão aprender.” Por fim, a residente acabou puxando a bebê pela perna, resultando na fratura do membro inferior direito da recém-nascida.
E aí, por fim, não acharam. Não conseguiram girar ela pela cabeça, e puxaram ela pela perna. Ele falou: “Vai ter que puxar ela pela perna.” Aí não foi ele que puxou, foi a menina, foi a residente. Então, não é julgando ninguém, mas assim, não tem a mesma técnica, né? Ele mesmo encheu a boca depois pra falar que faz isso há 28 anos, 48 anos, enfim. Mas não é a mesma técnica. Então, se ele era o experiente ali, quem tinha que ter puxado a minha filha pela perna seria ele, não a residente. E aí ele pediu pra residente puxar, ele falou: “Puxa.”
Camila Lopes
Dessa forma, Camila acusa o corpo médico de imprudência, alegando que essa conduta foi a causa direta da fratura na perna direita de sua filha. A bebê agora está em processo de recuperação, mas a família busca respostas sobre o ocorrido.
Mãe relata dificuldades pós-parto
Ainda em conversa com a nossa reportagem, Camila relatou os problemas que vem sofrendo após o parto. Segundo ela, por conta da perna imobilizada, sente receio de movimentar a bebê, com medo de lhe causar dor.
Sendo assim, as atividades essenciais pós-parto como amamentar e trocar as fraldas da bebê, se tornaram um desafio diário para Camila após a fratura da perna da recém-nascida.

Reportagem entrou em contato com a Prefeitura da Serra
Diante dos relatos da mãe, na manhã de sexta-feira (16) a reportagem do Serra Noticiário entrou em contato com a Prefeitura Municipal da Serra (PMS), junto às autoridades de saúde responsáveis pela gestão do Hospital Materno Infantil da Serra, para questionar se o parto da paciente em questão seguiu todos os protocolos básicos de segurança médica? Quais foram os motivos que levaram à fratura na perna da bebê? O Hospital gostaria de se pronunciar sobre a acusação de imprudência feita pela mãe?
Até o momento desta publicação, a assessoria da Secretaria Municipal de Saúde (SESA) não respondeu à nossa reportagem, mas se pronunciou sobre o caso para outro veículo de imprensa, o jornal Folha Vitória.
Secretaria de Saúde se pronunciou sobre o caso
Em nota enviada ao jornal Folha Vitória, a Secretaria de Saúde classificou o parto de Camila como de “dificuldade extrema” e ainda reforçou que a bebê recebeu todos os cuidados necessários após constatada a fratura em sua perna. Por fim, a SESA ressaltou que já pediu mais explicações sobre o caso para a administração do Hospital Materno Infantil.
Em nota, a Secretaria de Saúde disse ao jornal Folha Vitória que:
Após o parto foi constatado que a criança havia tido uma fratura e imediatamente foi feito atendimento pelo médico ortopedista pediátrico e iniciado tratamento logo após seu nascimento. Mãe e bebê já receberam alta e o retorno com o especialista já está programado.
O Serra Noticiário continua acompanhando o caso de perto e trará novas informações assim que possível.
