A Câmara Municipal da Serra (CMS) viveu mais um capítulo da disputa pelo comando da Casa nesta quarta-feira (18), quando um grupo de vereadores realizou uma sessão extraordinária, aprovou mudanças no regimento interno que alteram regras internas da Casa — justamente aquelas que impactam diretamente o processo de destituição da Mesa Diretora — e acirrou ainda mais o conflito com o presidente William Miranda (União Brasil), que declarou o ato nulo por suposta violação às regras regimentais.
Grupo de 18 vereadores realiza Sessão Extraordinária
Em meio a um clima de tensão e troca de acusações, um grupo de vereadores realizou uma sessão extraordinária que terminou com a aprovação do projeto de resolução.
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Segundo os próprios parlamentares, mesmo diante de tentativas de obstrução, 18 vereadores participaram da sessão, garantindo quórum para a realização dos trabalhos e aprovando, por maioria, as mudanças nas Resoluções nº 278/2020 e nº 307/2024, que tratam do funcionamento interno do Legislativo.
Na prática, o projeto altera o regimento e flexibiliza regras relacionadas a processos internos, incluindo dispositivos ligados à responsabilização e eventual afastamento de membros da Mesa Diretora — ponto central da atual crise política na Câmara.
A condução da sessão ficou sob responsabilidade da vereadora Rafaela Moraes, que assumiu os trabalhos no lugar do presidente.
Além de William Miranda, também não estiveram presentes os vereadores Andrea Duarte (PP), Rafael Estrela do Mar (PSDB), Stefano Andrade (PV) e Fred (PDT), que segue preso.
Transmissão interrompida
Os segundos vereadores contrários à atual mesa, o clima esquentou ainda mais com a interrupção da transmissão oficial da sessão logo no início. Também houve tentativa de impedir o registro da reunião por servidores, o que gerou bate-boca entre parlamentares e aumentou o nível de tensão dentro da Casa.
Mudança nas regras amplia disputa pelo poder
A aprovação do projeto de resolução representa mais do que uma simples alteração administrativa. Nos bastidores, a leitura é clara: trata-se de mais um movimento estratégico do grupo que tenta tomar o comando da Câmara e abrir caminho para uma nova Mesa Diretora.
Com a mudança nas regras, o jogo interno fica mais rápido, mais direto e com menos barreiras regimentais — o que pode facilitar o avanço de novas investidas contra a atual direção da Casa.
Presidente contesta sessão e declara nulidade
O presidente da Casa, William Miranda (União Brasil), no entanto, afirmou que a sessão extraordinária é nula e não possui validade jurídica.
Durante sessão ordinária desta quarta-feira, William declarou que o pedido de convocação não cumpriu os requisitos do Regimento Interno. Segundo ele, a primeira tentativa foi rejeitada por falta de vereadores em plenário para dispensa de prazo, e a segunda convocação não respeitou a antecedência mínima de 24 horas exigida para notificação dos parlamentares.
Além disso, o presidente informou que determinou o arquivamento do Projeto de Resolução nº 03/2026, alegando que a matéria perdeu o objeto após a edição da Portaria nº 336/2026, que criou um grupo de estudos para analisar de forma mais ampla alterações no Regimento Interno e no Código de Ética.
Com isso, segundo William, a sessão extraordinária perdeu sua finalidade e “se tornou prejudicada e nula de pleno direito”. Ele também afirmou que não reconhecerá os atos praticados durante a sessão extraordinária.
Ainda em sua fala, o presidente defendeu o cumprimento rigoroso do Regimento Interno e afirmou que não permitirá mudanças nas regras “com o jogo em andamento”, destacando a necessidade de garantir o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.
Atual presidente perdeu apoio do prefeito da Serra
Outro ponto que ajuda a entender a virada no tabuleiro político é a perda de sustentação do atual presidente da Câmara, William Miranda, que assumiu o comando da Casa após o afastamento de Saulinho da Academia (PDT).
Nos bastidores, a leitura é de que William perdeu força justamente após deixar de contar com o apoio do prefeito da Serra, Weverson Meireles (PDT), que passou a apoiar o vereador Rodrigo Caldeira (Republicanos), que agora conta com apoio de 15 vereadores da base aliada do prefeito e 2 da oposição.
Os motivos dessa mudança ainda não estão claros, mas o movimento foi decisivo para o isolamento do presidente dentro do plenário e para o crescimento do grupo que hoje articula sua substituição. A Coluna Chico Prego segue apurando os bastidores dessa reconfiguração política.
Crise longe do fim
A sessão desta quarta-feira deixa evidente que a disputa pelo poder dentro da Câmara da Serra está longe de um desfecho. Pelo contrário: a aprovação das mudanças no regimento deve intensificar ainda mais o confronto entre os grupos políticos.
Enquanto isso, a população assiste a um Legislativo tomado por articulações, sessões paralelas e disputas internas pelo poder, em um cenário onde o foco parece cada vez mais distante dos problemas da cidade.
A Coluna Chico Prego segue acompanhando. Porque na Câmara da Serra, a política deixou de ser bastidor — e virou espetáculo.
